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24 frases nesta página

A vida não para, mas às vezes dá vontade de voltar atrás. Acontece que a vida é curta demais para ficar pensando em voltar atrás. Se houvesse algum meio de voltar atrás, nós nunca aprenderíamos a seguir em frente. Rosinei Nascimento Alves Bom dia!
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A vida não para, mas às vezes dá vontade de voltar atrás. Acontece que a vida é curta demais para ficar pensando em voltar atrás. Se houvesse algum meio de voltar atrás, nós nunca aprenderíamos a seguir em frente. Rosinei Nascimento Alves Bom dia! Deus abençoe sempre 🙏🏾 Tenhamos fé!⁠

ROSINEI NASCIMENTO ALVES
“O Infinito em Fragmentos” Não quero ser um. Quero ser todos. Quero sentir como o místico sente Deus, como o pagão sente a carne, como o engenheiro sente a precisão dos números. Quero contradizer-me, porque na contradição habita a totalidade. Ser coerente é ser parcial. É escolh…
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“O Infinito em Fragmentos” Não quero ser um. Quero ser todos. Quero sentir como o místico sente Deus, como o pagão sente a carne, como o engenheiro sente a precisão dos números. Quero contradizer-me, porque na contradição habita a totalidade. Ser coerente é ser parcial. É escolher uma porta e fechar todas as outras. Eu quero atravessar todas as portas simultaneamente, mesmo que para isso precise me estilhaçar em mil pedaços. Inventei-me vários. Não por loucura, mas por necessidade metafísica. Como poderia um só homem conter o universo? Como poderia uma só voz cantar todas as canções possíveis? Então fragmentei-me. Fiz de minha ausência de centro a minha obra-prima. Onde outros construíram identidades sólidas como fortalezas, eu construí um arquipélago de ilhas que nunca se tocam mas pertencem ao mesmo oceano. Há aquele que nega o pensamento e vê apenas o que existe. Há o que exalta os deuses antigos e a beleza sensorial do mundo. Há o engenheiro das palavras, frio e preciso. Há o que escreve mensagens cifradas sobre ocultismo e hermetismo. E há eu, que não sou nenhum deles e sou todos ao mesmo tempo, o maestro invisível de uma orquestra onde cada músico toca uma partitura diferente. Sentir tudo de todas as maneiras. Não é dispersão. É ambição máxima. É querer ser o universo experimentando a si mesmo. Cada emoção possível, cada pensamento concebível, cada filosofia imaginável - tudo isso precisa ser vivido, sentido, expresso. Não posso me limitar a ser católico ou ateu, monárquico ou republicano, clássico ou moderno. Preciso ser todos esses e seus opostos, porque a verdade não está em nenhum deles mas na soma impossível de todos. Os outros escrevem o que sentem. Eu sinto o que escrevo. Ou melhor: invento quem sinta o que preciso expressar. É uma fraude? Talvez. Mas é a fraude mais honesta que existe. Porque reconhece que toda identidade é ficção, todo “eu” é personagem, toda coerência é máscara. Eu apenas tive a coragem de admitir que sou teatro, e de fazer desse teatro a minha verdade. Não tenho biografia. Tenho bibliografias. Não tenho psicologia. Tenho dramaturgia. Minha vida não está nos fatos que vivi mas nas vidas que criei. Enquanto outros buscam encontrar-se, eu me perdi propositadamente em todas as direções possíveis. E nessa perda encontrei algo maior que qualquer identidade individual poderia oferecer. A unidade do ser é uma prisão confortável. “Conheça-te a ti mesmo”, diziam os gregos. Mas e se não houver um “ti mesmo” para conhecer? E se formos apenas potência pura, possibilidade infinita que se trai cada vez que escolhe uma forma? Preferi não escolher. Ou melhor: escolhi todas as escolhas, habitei todas as possibilidades. Minha ausência de identidade fixa não é falha. É método. É filosofia encarnada. É a prova viva de que podemos ser mais que nos permitem ser. Que podemos explodir os limites do eu e nos espalhar por todos os eus possíveis. Que podemos fazer da multiplicidade não uma doença, mas uma arte. Serei lembrado? Talvez. Mas por quem? Pelo sensacionista? Pelo heteronímico? Pelo ortónimo melancólico? Por todos e por nenhum. Porque minha obra não é o que escrevi. Minha obra sou eu - ou melhor, a ausência de mim transformada em constelação de presenças. Sentir tudo de todas as maneiras. Viver todas as vidas. Morrer todas as mortes. Ser nenhum para poder ser todos. Esta é a única identidade que aceito: a de não ter nenhuma. E assim me tornei múltiplo, para que na multiplicidade coubesse o universo inteiro. Pessoa: o nome perfeito para quem escolheu ser todas as pessoas possíveis.

Silasoliveira13
Na minha humilde concepção de poeta, acredito piamente que o verdadeiro artista se torna eterno através da sua arte assim como a linda arte de Van Gogh que permanece viva, emocionando e sendo retratada a partir de um pequeno quadro, apaixonante com cores vívidas, detalhado com mu…
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Na minha humilde concepção de poeta, acredito piamente que o verdadeiro artista se torna eterno através da sua arte assim como a linda arte de Van Gogh que permanece viva, emocionando e sendo retratada a partir de um pequeno quadro, apaixonante com cores vívidas, detalhado com muito capricho entre traços e tintas Um tipo fascinante e raro de eternidade que continua inspirando e mexendo com o imaginário, tanto de admiradores quanto de outros artistas, então, um desabafo por mais triste que seja, pode ganhar uma nova roupagem, quando essencialidades distintas se misturam e viram um sol durante as tempestades, Vejo o tempo e essa sua relatividade no “A Noite estrelada”, que ainda inspira com a sua luminosidade de um céu exuberante particular, criada por uma mente caótica, antiga, usando as emoções e algumas pinceladas, motivadas fortemente pelas aspirações de uma alma muito expressiva, resultando numa expressão artística sem palavras Qualquer comparação com os meus poemas chega a ser injusta, no mínimo, inadequada, porém, sabendo que tudo nesta vida é passageiro, inclusive, a minha existência, que também é temporária, às vezes, desejo de forma ousada ser eternizado por meio dos meus versos, proporcionando bem mais do que uma simples leitura, um baita privilégio.

Jefferson Freitas.
Poema: União de Corpo e Alma A cada toque, me entrego inteira a ti, ó meu amor. Vivemos fantasias ardentes, que o tempo não apagará.
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Poema: União de Corpo e Alma A cada toque, me entrego inteira a ti, ó meu amor. Vivemos fantasias ardentes, que o tempo não apagará. Teu olhar acende em meu peito uma chama suave. Dos teus lábios saem sussurros que me prendem em seu encanto, e eu me deixo levar, cada vez mais envolvida. Nossos corpos se encontram, contando o segredo que guarda o amor. Quando o céu nos beija em seu ápice, adormecemos entrelaçados, selando nosso vínculo em um abraço eterno. Nosso silêncio fala mais que mil palavras escritas, meu coração conhece o teu, sem precisar de vista. Em cada gesto, um pacto de alma a alma tecido, o laço que nos une é puro, sem nada oculto. Teus sonhos se entrelaçam aos meus, como riacho ao mar, e na profundidade desse amor, encontro a minha paz. Não há mais dúvida nem medo que possa nos separar, pois somos um só ser, em corpo e em pensar.

Léia Coelho
O amor não morre. Pode até hibernar. Pode recolher-se no silêncio, esconder-se atrás do orgulho ou perder-se no tempo. Às vezes parece distante, quase invisível, como se tivesse partido sem aviso. Mas o amor verdadeiro não desaparece. Ele espera. Ele amadurece. Ele resiste às e…
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O amor não morre. Pode até hibernar. Pode recolher-se no silêncio, esconder-se atrás do orgulho ou perder-se no tempo. Às vezes parece distante, quase invisível, como se tivesse partido sem aviso. Mas o amor verdadeiro não desaparece. Ele espera. Ele amadurece. Ele resiste às estações mais frias da vida. Pode adormecer… mas nunca deixa de existir. Porque o que é real não se apaga — apenas aprende a sobreviver.

Domingos Cupa - Escritor
O Primeiro Abrigo No seu ventre, estive no meu primeiro abrigo, Cheio de amor.
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O Primeiro Abrigo No seu ventre, estive no meu primeiro abrigo, Cheio de amor. No seu colo, fui consolado inúmeras vezes, E hoje, ainda encontro conforto nos nossos abraços. Ter o mesmo riso frouxo Foi, e continua sendo, imprescindível. Sem dúvida, sou abençoado por tê-la como mãe; Não conseguiria ter pedido a Deus uma melhor. Errei e erro muito, Mas busco ser um bom filho. Pois tudo o que eu fizer será, de fato, Apenas o mínimo.

Jefferson Freitas.
O tempo...🌿 O tempo é o mais silencioso dos escultores. Ele não pede licença, não avisa, não se detém. Apenas passa, e em sua passagem molda rostos, destinos e memórias. Ele não nos rouba — ele nos oferece. Oferece maturidade, cicatrizes que se transformam em sabedoria, e a ch…
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O tempo...🌿 O tempo é o mais silencioso dos escultores. Ele não pede licença, não avisa, não se detém. Apenas passa, e em sua passagem molda rostos, destinos e memórias. Ele não nos rouba — ele nos oferece. Oferece maturidade, cicatrizes que se transformam em sabedoria, e a chance de olhar para trás com gratidão. Cada linha no rosto é um poema escrito pela vida; cada olhar mais profundo é a assinatura da experiência. O ontem nos mostra a semente. O hoje revela a árvore. E o amanhã será a sombra que acolhe aqueles que virão depois de nós. O tempo não diminui, ele amplia. Não apaga, ele ilumina. Não prende, ele liberta. Que cada fase da vida seja digna de celebração, pois o tempo é o mestre que nos ensina que não importa quantos anos se passem, o essencial é continuar crescendo, aprendendo e se reinventando. “O tempo não é um inimigo que nos rouba a juventude, mas um mestre que nos oferece profundidade. Ele não leva embora quem fomos, apenas revela quem podemos ser.” Roberto Ikeda autor

Roberto Ikeda
[Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto] O fim, Chega para todos,
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[Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto] O fim, Chega para todos, Em sua totalidade. O mundo é deveras medíocre, Se não o fizermos extraordinário. Em cada contorno Um universo peculiar, A cada traçado, A obra-prima Se revelando. Eu não ousaria dizer O que você deve fazer Com a sua vida, Porque eu não admitiria Que você dissesse, O que eu devo fazer Com a minha. A vida vai ter Que me arrancar daqui, Eu não vou sair Por conta própria. Eles condenaram o mundo, Enquanto dormíamos Tranquilamente, Sonhando com um futuro, Em nossa ingenuidade Permanente, Esquecemos, Que para fazer planos É necessário um presente. Quando digo eles, Estou dizendo Nós. Constatando A estupidez Estampada na carne, Só há uma forma De viver neste mundo, E é discordando dele. Pois, O destino do poder é a ruína. Às vezes Queremos atribuir, Um sentido grandioso E extraordinário, A momentos Específicos da vida. Mas com o tempo, Percebemos, Que só os instantes Mais singelos, São sublimes. E que a simplicidade É o que há, De mais sofisticado No UNIVERSO. Assim sendo, Tudo Chega ao fim, Até mesmo A finalidade. E a Poesia começa, Quando o Poeta termina. (Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

Bruno Michel Ferraz Margoni
Imundos Cavalheiros e Senhores Trogloditas (Michel F.M.)
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Imundos Cavalheiros e Senhores Trogloditas (Michel F.M.) Decapitamos as folhagens Que perfumavam o calabouço, Cada centavo foi gasto Tentando ocultar o mau gosto. Em meio à introdução Do caos aparente, Restabelecemos a desordem vigente. Na cronologia mortuária eis, Um breve ensaio Sobre a sádica e sórdida supremacia. Os bípedes domaram quadrúpedes, Os símios subestimaram seus primos, O humanoide humanizou os homens, O homo sapiens colonizou seus vizinhos. Os egípcios superaram os nômades, Os Incas suplantaram os Maias, Ou seriam Astecas, enganando A banca, para fechar a trinca e povoar as praias. Tribos matando tribos, A maior herança das involuções, Matamos dentro das cavernas, Do parlamento às favelas, Nos palácios, nas mansões. Trucidamos a generosidade, Massacramos a misericórdia, Compreenda o fato que nos define, Exterminar é nossa maior vocação. Os gregos lograram troianos, Os romanos torturaram cristãos, Os romanos dominaram os gregos, Os cristãos perseguiram pagãos. Os franceses atacaram ingleses, Os ingleses revidaram de antemão, Escoceses, irlandeses, gauleses, Se engalfinhando por um reino Desunido, desnudo e sem pão. Fariseus, hereges, sodomitas. Pervertemos, desvirtuamos, Estatizamos, privatizamos, Adulteramos, destituímos, Terceirizamos, capitalizamos, Produzimos, consumimos, Apodrecemos, enterramos, Estupramos o globo, Com nosso glorioso estilo. Escravizamos nossos irmãos, Catequizamos nossos irmãos, Civilizamos nossos irmãos, Violentamos e aguardamos gratidão. Estamos exatamente onde não deveríamos, Tudo o que fizemos é errado, Somos erros incompreendidos. Nenhum de nós é culpado, Nenhum de nós será lembrado ou esquecido. Desleixados, baderneiros, perfeccionistas, Somos todos meros antagonistas, Vivendo, entre Imundos Cavalheiros E Senhores Trogloditas. Somos meros antagonistas, Somos todos perfeccionistas. [Linha (Tênue) Rompida - Esplêndida Face Magnífica]

Bruno Michel Ferraz Margoni
A síntese de O Cristo Nu pode ser entendida como uma narrativa poética que aproxima a figura de Cristo da realidade cotidiana e social contemporânea. Síntese O poema apresenta Cristo despindo-se da glória divina para caminhar entre os homens, tornando-se humano e próximo dos ma…
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A síntese de O Cristo Nu pode ser entendida como uma narrativa poética que aproxima a figura de Cristo da realidade cotidiana e social contemporânea. Síntese O poema apresenta Cristo despindo-se da glória divina para caminhar entre os homens, tornando-se humano e próximo dos marginalizados. Ele é visto nos trabalhadores comuns, nos diaristas, catadores, ambulantes e nos que carregam cruzes invisíveis. O texto denuncia as injustiças sociais, comparando o sofrimento moderno às imagens bíblicas da Paixão: boletos como chicotes, preços como lanças, mercado como calvário. As “trinta moedas de pratas” simbolizam a corrupção e a ganância que ainda vendem destinos e silenciam vidas. Cristo chora junto aos Lázaros de hoje — os pobres, os esquecidos, os que dormem sob marquises e disputam restos. Ao mesmo tempo, o poema afirma que não virá salvador externo: cada pessoa é chamada a ser “seu próprio Cristo”, a assumir compaixão, esperança e resistência. A ressurreição é apresentada como experiência diária, nos gestos simples e na sobrevivência diante da violência. O legado do Cristo nu é a força da humanidade que, mesmo abatida, renasce todos os dias. Em resumo, O Cristo Nu é um manifesto poético que une espiritualidade, crítica social e filosofia existencial, mostrando que o divino se revela no humano e que a redenção se dá na luta cotidiana pela dignidade e pela esperança. ⁠O Cristo Nu I – Abertura e cotidiano Olhai, olhai os pássaros em seus voos misteriosos, Olhai as flores em seu desabrochar livre. Vede os lírios nos verdes campos: se vestem tão belos e trazem os aromas pela manhã, espalhando perfumes pelo ar. Portanto, eu aqui, ao olhar com clareza, avisto: quão formosos são, assim como a alma dos que labutam suas lutas diárias. Pois, se a alma brilha sob o peso do fardo, o homem exala em si a rara fragrância da nobreza — o aroma sagrado de quem constrói o mundo. E quando o Verbo habitou entre nós, revelou-se: Ele, o filho do carpinteiro, moldou como artífice a madeira e os pregos que o sistema, um dia, usaria contra Ele. Assim como o construtor de hoje, que ergue o prédio onde jamais terá morada, Ele se ajusta agora em meio a rostos cansados, a operários e à multidão das ruas. São os cristos diários, batendo ponto em fábricas e escritórios, sob as luzes das lanchonetes e o óleo das mecânicas. Cristos na diarista, nos postos, no catador de lixo, no vendedor de água e nos trens com seus ambulantes. Almas de mão de obra erguidas para construir presentes e futuros, nos alojamentos distantes e no suor do asfalto. Eis o corpo: o vigor entregue às máquinas e aos balcões. Eis o sangue: o fluido que move a economia do cansaço. O sagrado se transmuta no suor das batalhas, onde cada gota de lágrima é o vinho de uma nova aliança com a vida. A simplicidade resiste ao ego insano. Resta um Cristo nu, de braços abertos, folheando páginas do tempo e da história. Moedas ainda compram vidas; esperança ainda se esconde nos cantos da alma. II – O Cristo que desceu patamares Um Cristo que desceu patamares: primeiro, despiu-se de sua glória celestial e caminhou entre os homens; depois, desceu da cruz para mostrar o caminho — não de forma divina, mas humana — o caminho da compaixão, da esperança, da expiação que se revela no cotidiano. III – O Cristo chora Periférico caminha pelas ruas, a compartilhar o pão vivo da esperança com os largados nos corredores de hospitais, com os espremidos nos ônibus e trens das manhãs de segunda-feira. São os Lázaros de agora: os que dormem sob marquises, disputam restos com ratos nas ruas, caminham como almas perdidas, envoltos em sua dura realidade ambígua, carregando cruzes sem nome, à espera de um milagre que não vem. Seu Getsemani é o travesseiro nas noites traiçoeiras. O traidor que o vende por trinta moedas é a cegueira diante do enredo criado. Sua Via Crucis é feita de congestionamentos, lotações e filas intermináveis. Um Cristo que não sorri, não reclama; guarda uma vaga esperança de dias melhores, mesmo desajeitado na cruz. Uma cruz herdada, uma cruz que nasceu com ele. Sem saber, grita ao Pai: “Perdoe, eles não sabem o que fazem.” Num desses dias, o Cristo calou-se e começou a chorar, não pelo amigo Lázaro, mas pelo leite azedo que puseram à mesa. Ali, não teve o bom vinho; fizeram do leite, coalhada. A esponja de vinagre veio em forma de luz cortada pelo dinheiro que faltou. Houve quem, como o centurião, agarrando-se ao seu manto escarlate, surtou; mas aqui, o manto é a pele no sol a sol, e o escarlate é o suor e o sangue deixado. Houve um certo Cirineu que se juntou para arrastar o madeiro, simpatizando com seu choro e sua dor. IV – As moedas de pratas Trinta moedas de pratas ainda vendem destinos, ainda compram silêncios, ainda pesam na balança da injustiça. São vendidas por um sistema caótico, num banquete de ganância, prepotência e luxúrias, onde vidas se tornam mercadorias e esperanças se desfazem em pó. V – O Cristo político-social Eu vi meu Cristo sorrir quando chegaram com pão e leite frescos, e no mesmo instante soou algo estranho na TV: falavam dos dois ladrões — o capitalismo à direita, o socialismo à esquerda. E surgia o terceiro, chamado Barrabás: um mecanismo chamado governo, eloquente e audaz, prometendo o céu já que o paraíso não tinha dado certo. O pão nosso é a labuta do cotidiano, o templo se ergue no seio da família, e o sagrado é a força motriz de quem tece dias melhores. Meu Cristo Nu habita em cada alma que expia sua existência em dias tempestivos; pois o sagrado não ocupa palácios majestosos, nem habita catedrais de pedra, vindo Ele de uma manjedoura para brilhar na resiliência de quem não se dobra ao fardo e na resistência de quem sustenta o mundo com as próprias mãos. O cálice deste Cristo é o sistema corrompido, entre ternos, carros de luxo e vida boa. O chicote que o açoita são os boletos diários e impostos extravagantes. As carnes continuam rasgadas, sem esforço, pelo braço forte da indiferença. VI – O Cristo interior A lança transpassada é o anúncio na alta dos preços, e o mercado é o calvário. Não virá salvador algum para fazer o que só você pode fazer. Tu és o teu próprio Cristo. O Divino já disse: “Vós sois deuses.” E, por isso, como pequenos cristos, somos levados — dia após dia — cativos, como ovelhas ao matadouro, como cordeiros mudos ao abate. VII – Paixão e ressurreição cotidiana A Paixão de Cristo são os regalos dos passeios; o piquenique no parque da esquina, o vão das coisas ditas nos olhares cheios de ternura, nos momentos simples. A ressurreição é o mote diário, equilíbrio entre estar vivo ou morto nas trevas da violência. Num domingo qualquer verei o Cristo descansar. O dia é dele. E sagrou-se senhor do seu dia. Um dia tranquilo, movido a cheiro de mirra e aloés: a fragrância final de quem, enfim, cumpriu sua jornada. Todos os dias nascem novos cristos. E quando eu me for, matarão esses novos cristos que vieram à terra. Só não matarão o legado do Cristo nu. Nossa ressurreição é diária dentro deste ciclo. Autor: Israel Soler

Israel Soler
As fases reais da vida humana neste mundo: a casa que se constrói, a pequena família que cresce, a disposição para trabalhar da manhã à noite. No fim, deixaremos tudo para trás. O que realmente se torna a busca definitiva na vida é para onde vamos. A vida é como um sopro de um v…
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As fases reais da vida humana neste mundo: a casa que se constrói, a pequena família que cresce, a disposição para trabalhar da manhã à noite. No fim, deixaremos tudo para trás. O que realmente se torna a busca definitiva na vida é para onde vamos. A vida é como um sopro de um vento, que chega derrubando folhas das árvores e desarrumando os cabelos, e sem avisar vai embora, deixando apenas os vestígios de sua passagem.

Isaias Ribeiro
A literatura brasileira pode ser entendida como uma tentativa contínua de construção de identidade nacional, mas não de modo linear ou estável. Desde suas origens, ela se constitui como um campo de reflexão sobre o próprio país, suas fraturas históricas, suas influências externas…
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A literatura brasileira pode ser entendida como uma tentativa contínua de construção de identidade nacional, mas não de modo linear ou estável. Desde suas origens, ela se constitui como um campo de reflexão sobre o próprio país, suas fraturas históricas, suas influências externas e suas tensões internas. Mais do que um reflexo passivo da nação, a literatura brasileira participa ativamente da elaboração simbólica do Brasil, questionando e reconstruindo constantemente aquilo que se entende por identidade nacional. Essa instabilidade pode ser percebida ao longo da evolução de seus autores. Machado de Assis, por exemplo, não apresenta uma obra linear. Seus primeiros romances ainda dialogam com o romantismo, enquanto sua fase realista introduz a ironia como uma forma de leitura do mundo e do ser humano. A ironia machadiana não é apenas um recurso estilístico, mas revela uma visão ontológica: o ser humano é contraditório, autoconsciente e frequentemente incapaz de compreender a si mesmo plenamente. No entanto, em sua fase final, como em Esaú e Jacó, essa ironia se suaviza, indicando que a própria visão de mundo do autor se transforma ao longo da vida. Machado, portanto, encarna uma consciência literária em movimento, que evolui e se reconfigura. Em Clarice Lispector, a literatura deixa de ser apenas narrativa de acontecimentos e passa a se concentrar nos estados do ser. Sua linguagem pode tanto revelar quanto dissolver o sujeito. A epifania clariceana, recorrente em sua obra, é um momento de revelação que simultaneamente desestabiliza a identidade do personagem. Em A Hora da Estrela, por exemplo, a linguagem se apresenta mais linear, enquanto em outras obras se torna mais hermética e introspectiva. Em todos os casos, porém, há uma tensão contínua entre revelar o sujeito e desorganizá-lo, indicando que a identidade nunca é plenamente fixa. Essa dimensão ontológica também se manifesta em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. O sertão, ali, é simultaneamente geografia e metafísica. Embora a narrativa se construa a partir de histórias de jagunços, essas histórias funcionam como pano de fundo para reflexões mais profundas sobre Deus, o diabo, o amor e a própria realidade. O sertão rosiano representa um estado existencial no qual o ser humano questiona constantemente o sentido de sua existência. A linguagem regionalista, elaborada e inventiva, não limita o alcance da obra; ao contrário, serve como veículo para questões universais e ontológicas. Na poesia de Carlos Drummond de Andrade, o “eu” frequentemente se apresenta deslocado. Esse sentimento de inadequação é simultaneamente psicológico, social e metafísico. Ao afirmar que não será o poeta de um mundo caduco, Drummond revela tanto sua leitura crítica da sociedade quanto sua própria percepção existencial do mundo. O deslocamento não é apenas individual, mas também histórico e ontológico, refletindo a dificuldade de encontrar um lugar estável em uma realidade em transformação. O modernismo brasileiro, por sua vez, buscou romper com a tradição europeia, mas também se constituiu a partir dela. Influenciado pelas vanguardas europeias — como o cubismo, o futurismo e o expressionismo —, o modernismo brasileiro não pode ser considerado totalmente revolucionário. Ele representou, antes, uma reconfiguração cultural que reposicionou o Brasil dentro de um cenário internacional. Embora tenha introduzido novas formas de expressão e valorizado elementos nacionais, manteve diálogo constante com modelos estrangeiros, revelando a complexidade da construção de uma identidade cultural autônoma. Lima Barreto exemplifica a fusão entre literatura e política. Sua obra é simultaneamente um ato literário e um ato político. Ao desconstruir visões ufanistas do Brasil e expor desigualdades sociais profundas, ele revela um país distante da imagem idealizada. Sua escrita, crítica e amarga, continua atual justamente por evidenciar problemas estruturais que persistem. A literatura, nesse caso, torna-se instrumento de lucidez social e histórica. Na poesia de Cecília Meireles, a temporalidade assume caráter ao mesmo tempo nostálgico e metafísico. Seus versos frequentemente refletem sobre a passagem do tempo e a transitoriedade da vida, construindo uma nostalgia que não se limita à memória pessoal, mas se expande para uma reflexão existencial sobre o destino humano. O tempo, em sua poesia, é consciência da impermanência. A questão da identidade nacional atravessa toda a literatura brasileira. Durante muito tempo, a produção literária refletiu fortemente influências europeias. Apenas ao longo do século XX, especialmente após o modernismo e nas décadas seguintes, é possível perceber a consolidação de uma identidade literária mais autônoma. Ainda assim, essa identidade permanece instável, construída em diálogo constante com referências externas e internas. A literatura brasileira não define uma identidade fixa; antes, revela a dificuldade de estabelecê-la de forma definitiva. Por fim, a relação entre forma estética e verdade social é central na tradição literária brasileira. Em obras como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a linguagem seca e direta corresponde ao conteúdo narrado, criando uma unidade entre forma e temática. A estética não suaviza a realidade, mas a traduz e a intensifica. Quando forma e conteúdo caminham juntos, a literatura alcança maior potência expressiva e crítica. Assim, a literatura brasileira pode ser compreendida como um espaço simbólico em que a identidade nacional é continuamente construída, questionada e reformulada. Ela não oferece respostas definitivas, mas evidencia a complexidade de um país cuja identidade permanece em permanente elaboração.

Monalisa Ogliari
Eu ainda te amo Nao como que procura sua presença no escuro
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Eu ainda te amo Nao como que procura sua presença no escuro Mas com sentimento profundo Eu te amo quem olha seus olhos E busco sua alma que me atravessa Com calma, sem pressa Perdemos as palavras Perdemos o abraço terno Que eu oferecia sem cálculo E sua palavras cada vez mais curtas E nada fluidas anunciam Que o nosso amor não te mobiliza E eu te pinto com tinta preta Uma imagem de luto Onde estão as juras de amizade eterna? Nada mais resta. Estou sozinha em silêncio No despontar do anoitecer E minha casa é meu refúgio Um solo impenetrável Onde reflito minha existência humana. Eu me basto, mas meus lábios São vazios sem os seus Eu quero introspecção Silêncio que se entente Você quer expansão Viva social E em meio a muitos Eu me sinto habitante De outro ecossistemas Estamas separados por anseios de vida E nada espero de ti A não seus olhos que me observam E a distância de nossos lábios Eu te amarei na memória Você procura ação Eu anseio vida privada Isso nao me faz mais pobre Eu converso comigo Você conversa com o público Eu não deixei de te amar Amo na distância E seus olhos olham os meus E nosso boca se tocam em silêncio E à distancia Sei que nunca seremos indiferentes E na noite de hoje Sonho com diferenças serenizadas E o encontro de nossos lábios Mostras que somos todos iguais E nos encontramos em nossos corpo E saberemos que fomos amados Apesar do mundo Apesar de nós dois O amor quer pele O amor não quer razão Unidos pelo desejo inconsciente De sermos um Em um mundo caótico O meu amor está aqui Entre desejo e ponderação Olhe-me, simples mulher caseira. E te abraçarei profundamente E te curarei da razão. Eu não sou palco Eu não sou plateia Eu sou o amor puro Que sua alma reconhece. Ainda que você negue. O amor é abstração E nada espera, O amor não é humano. É um pedaço de divina Na esfera terrestre. Eu te amarei sem nada esperar. Ao dormir eu lembrarei dos seu olhos. Seguirei em frente como que carrega O segredo do universo.

Monalisa Ogliari