"O que somos? Não passamos do reflexo de nós nos outros.
Somos a imagem que passamos, os sinais que emitimos,
as impressões que deixamos, os desejos que despertamos
e as sensações causamos”.
Não sirva poesia a quem prefere baboseiras;
Não ofereça flores a quem só repara a secura dos galhos;
Não desperdice atenção com quem não tem capacidadede de acolher sua mão,
Pois sensibilidade nem sempre é para quem queremos.
Pai... Afasta de mim esse cálice, Pai!
Afasta de mim esse cálice de fel disfarçado de mel.
Pai... Afasta de mim essa tentação,
Pois minha carne é fraca e sou bobo de coração.
À minha volta
Talvez eu tenha passado muito tempo olhando à distância, sonhando com o horizonte e tenha me esquecido de observar os milagres que ocorriam ao meu redor e as pequenas grandes maravilhas que me cercavam.
Quando voltei os olhos para meu redor, descobri que olhar para os pequenos não me apequena, não atrofia minha visão, nem anestesia minha sensibilidade.
Desde então, descobri o valor dos detalhes e que são eles que tornam o universo maravilhoso e que fazem a vida valer a pena.
A Era do medo
Vivemos, com certeza na era do medo apesar de tanto desenvolvimento e tanto conhecimento.
Temos medo do outro, temos medo de nós e do que se esconde no nosso íntimo.
Vasculhamos os detalhes da matéria, os confins do universo, estudamos o passado, tentamos predizer o futuro, mas relutamos em desvendar os mistérios da nossa alma e o que carregamos no coração.
Temos medo do futuro e nunca estamos seguros para caminhar no escuro.
Temos medo dos vizinhos, dos desconhecidos, de pisar na rua, de nos abrir ao mundo e de revelar nossas fraquezas.
Temos medo de amar e estamos perdendo o costume de sermos amados. Temos medo de dar valor aos outros e não sermos valorizados. Temos medo de nos doar e não termos o mesmo retorno. Preferimos a angústia de nos fazermos de fortes enquanto intimamente trememos de medo.
Hoje em dia estamos rodeados de informações, sabemos sobre tudo, mas aprendemos pouco. Temos mais conhecimento e menos sabedoria.
Quanto mais descobrimos sobre o universo que nos cerca e sobre o futuro que nos espera, mais medo temos. O conhecimento não nos traz segurança e confiança.
Quanto mais conquistamos, mais evoluímos tecnologicamente, mais nos perdemos de nós mesmos e se enfraquecem os elos que nos mantém humanos. Perdemos nossa inocência e nos aproximamos das cismas que nos levam à insegurança e ao pavor.
Em menos de um século perdemos muitos valores que se construíram em toda a existência da humanidade.
Parece que passamos muito tempo dissociados do nosso íntimo. Urge a hora de voltarmos para casa e redescobrirmos a humanidade que perdemos.