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Frases de William Shakespeare

690 frases

Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões.
Qualquer um ensina a uma multidão o caminho do bem. Poucos conseguem que uma única dessas pessoas cumpra esse caminho na prática. Há sempre um abismo entre as palavras e os atos, entre o gesto e a graça que lhe faz brilhar.
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Qualquer um ensina a uma multidão o caminho do bem. Poucos conseguem que uma única dessas pessoas cumpra esse caminho na prática. Há sempre um abismo entre as palavras e os atos, entre o gesto e a graça que lhe faz brilhar. Palavra, palavra, palavras, estou farta de todas elas. A razão pode ter todas as regras e todas as leis, as mais claras e as mais distintas possíveis, para conter a paixão. Mas uma paixão ardente sempre saberá pular por cima dos limites e fazer a boca estourar em grito de desespero ou de alegria. Não há pensamento, por mais sábio, que freie a natureza. O instinto é a única verdade que existe. Toda vida é instinto, segurá-lo é morrer. Só há movimento e desejo, gesto e realização. Todo o resto são fagulhas e miragens, linguagem vazia, passatempo de quem não sabe nada da vida. O único objetivo da natureza é transbordar.

~ Soneto 23 ~ Como no palco o ator que é imperfeito Faz mal o seu papel só por temor,
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~ Soneto 23 ~ Como no palco o ator que é imperfeito Faz mal o seu papel só por temor, Ou quem, por ter repleto de ódio o peito Vê o coração quebrar-se num tremor, Em mim, por timidez, fica omitido O rito mais solene da paixão; E o meu amor eu vejo enfraquecido, Vergado pela própria dimensão. Seja meu livro então minha eloqüência, Arauto mudo do que diz meu peito, Que implora amor e busca recompensa Mais que a língua que mais o tenha feito. Saiba ler o que escreve o amor calado: Ouvir com os olhos é do amor o fado.

~ Soneto 92 ~ Faz teu pior pra mim te afastares, Enquanto eu viva tu és sempre meu,
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~ Soneto 92 ~ Faz teu pior pra mim te afastares, Enquanto eu viva tu és sempre meu, Não há mais vida se tu não ficares, Pois ela vive desse amor que é teu. Por que hei de temer grande traição Se tem fim minha vida com a menor; De vida abençoada eu sou, então, Por não estar preso ao teu cruel humor. Tua mente inconstante não me afeta, Minha vida é ligada à tua sorte; Como é feliz o fato que decreta Que sou feliz no amor, feliz na morte! Porém que graça escapa de temer? Podes ser falso e eu sequer saber.

Soneto 18 Se te comparo a um dia de verão És por certo mais belo e mais ameno
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Soneto 18 Se te comparo a um dia de verão És por certo mais belo e mais ameno O vento espalha as folhas pelo chão E o tempo do verão é bem pequeno. Às vezes brilha o Sol em demasia Outras vezes desmaia com frieza; O que é belo declina num só dia, Na terna mutação da natureza. Mas em ti o verão será eterno, E a beleza que tens não perderás; Nem chegarás da morte ao triste inverno: Nestas linhas com o tempo crescerás. E enquanto nesta terra houver um ser, Meus versos vivos te farão viver.

~ Soneto 53 ~ De que substância foste modelado, Se com mil vultos o teu vulto medes?
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~ Soneto 53 ~ De que substância foste modelado, Se com mil vultos o teu vulto medes? Tantas sombras difundes, enfeixado Num ser que as prende, e a todas sobre excedes; Adônis mesmo segue o teu modelo Em vã, esmaecida imitação; A face helênica onde pousa o belo Ganhou em ti maior coloração; A primavera é cópia desta forma, A plenitude és tu, em que consiste O ver que toda graça se transforma No teu reflexo em tudo quanto existe: Qualquer beleza externa te revela Que a alma fiel em ti acha mais bela.

Soneto 30 Quando à corte silente do pensar Eu convoco as lembranças do passado,
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Soneto 30 Quando à corte silente do pensar Eu convoco as lembranças do passado, Suspiro pelo que ontem fui buscar, Chorando o tempo já desperdiçado, Afogo olhar em lágrima, tão rara, Por amigos que a morte anoiteceu; Pranteio dor que o amor já superara, Deplorando o que desapareceu. Posso então lastimar o erro esquecido, E de tais penas recontar as sagas, Chorando o já chorado e já sofrido, Tornando a pagar contas todas pagas. Mas, amigo, se em ti penso um momento, Vão-se as perdas e acaba o sofrimento.

~ Soneto 29 ~ Quando, malquisto da fortuna e do homem, Comigo a sós lamento o meu estado,
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~ Soneto 29 ~ Quando, malquisto da fortuna e do homem, Comigo a sós lamento o meu estado, E lanço aos céus os ais que me consomem, E olhando para mim maldigo o fado; Vendo outro ser mais rico de esperança, Invejando seu porte e os seus amigos; Se invejo de um a arte, outro a bonança, Descontente dos sonhos mais antigos; Se, desprezado e cheio de amargura, Penso um momento em vós logo, feliz, Como a ave que abre as asas para a altura, Esqueço a lama que o meu ser maldiz: Pois tão doce é lembrar o que valeis Que está sorte eu não troco nem com reis.

~ Soneto 35 ~ Não chores mais o erro cometido; Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
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~ Soneto 35 ~ Não chores mais o erro cometido; Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho; O sol no eclipse é sol obscurecido; Na flor também o inseto faz seu ninho; Erram todos, eu mesmo errei já tanto, Que te sobram razões de compensar Com essas faltas minhas tudo quanto Não terás tu somente a resgatar; Os sentidos traíram-te, e meu senso De parte adversa é mais teu defensor, Se contra mim te escuso, e me convenço Na batalha do ódio com o amor: Vítima e cúmplice do criminoso, Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

Soneto XXIII Como o bisonho ator que, porque se arreceia, Do palco, sai daí, sem haver dito nada,
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Soneto XXIII Como o bisonho ator que, porque se arreceia, Do palco, sai daí, sem haver dito nada, Ou como quem, tendo a alma a estuar, de raiva cheia, Pelo excesso de força há de tê-la infirmada, Assim, pelo temor de te falar, esqueço O cerimonial que impõe do amor o rito, E a força do meu próprio amor perder pareço, Porque pesa demais seu poder irrestrito. Deixa os escritos meus, então, ser a eloquência Do meu íntimo peito, os mudos mensageiros Que, mais do que esta voz, mesmo acesa em veemência, Pleitearão para o amor prêmios alvissareiros. Ah! aprende a ler o que o silente amor escreve: Ouvir com o olhar é o dom que ao amor, só, se deve.