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Frases de William Contraponto

258 frases

A Perda Sagrada À margem do Nilo, onde o rio silencia, o amor, enfim, encontra seu fim.
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A Perda Sagrada À margem do Nilo, onde o rio silencia, o amor, enfim, encontra seu fim. Nos olhos de Antínoo, Adriano via não só o belo, mas o divino a brilhar assim. Não era o poder da coroa que cativava, mas a entrega de um amor profundo, onde palavras se tornam o que se guarda, em gestos, e nos silêncios do mundo. Antínoo, mais que carne, era chama acesa, um amor que, no peito, Adriano cultivava. Era beleza que, em sua natureza, não se apagava, mas na dor se renovava. A perda, enfim, se fez sagrada, como o fogo que nunca se apaga no altar. E o imperador, com alma enlutada, fez da dor sua reverência ao amar. Ergueu-lhe templos, moldou sua imagem, mas a pedra, sem vida, não compreende o toque. Nenhuma forma retém, em sua viagem, o amor que persiste, mais do que qualquer rochedo ou bloqueio. Antínoo, tu não és só o ausente, mas o amor que transcende a morte e o mar. Em cada memória, és eternamente presente, a perda sagrada que nunca deixará de brilhar. William Contraponto

Aqueles que Pensam Demais Wlliam Contraponto Pensar demais é sombra que não passa,
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Aqueles que Pensam Demais Wlliam Contraponto Pensar demais é sombra que não passa, é lume estranho à festa da clareza. Enquanto o riso dança e a pressa abraça, a mente arde — silêncio com firmeza. Vêm cheios de perguntas que não dormem, incômodas, sem resposta na mão. Enquanto outros seguem formas e normas, eles andam nas bordas da contradição. Não suportam o raso das conversas, nem o teatro fácil de parecer. Cada silêncio guarda o que não dispersa, cada gesto recusa pertencer. Chamam de frio o que é só cuidado, de orgulho o que é só dor contida. Mas é só o peso de ter enxergado frestas demais na mesma vida. E quando vão, não vão por desprezo — mas por cansaço de ser farol. Viram demais, queimaram em segredo, preferem o escuro ao falso sol. Pensar demais é sombra que não passa. É uma busca quieta, rara e imensa. Num mundo ansioso que ri e disfarça, pensar demais é forma de presença.

⁠A TUA DOR Ninguém sente a tua dor, Ninguém jamais sentiu,
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⁠A TUA DOR Ninguém sente a tua dor, Ninguém jamais sentiu, Ninguém sabe como doeu, Em quais sentidos a dor mexeu. Ninguém tem a mesma cicatriz, A exata noção do que viveste, A cicatrização do teu ferimento, Ninguém tem a medida, ninguém é você. Então, eles - quem quer que sejam - Não entendem, não merecem, Ser levados em conta, Nas suas opiniões superficiais. Desconectadas do contexto único, Das tuas experiências, Ninguém é você, Ninguém jamais será. William Contraponto

Há Outras Flores ⁠Sempre haverá outra flor no caminho Talvez até sem tanto espinho
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Há Outras Flores ⁠Sempre haverá outra flor no caminho Talvez até sem tanto espinho Uma que não nos faça sangrar E seja bálsamo para as dores suavizar. Nem tudo foi como sonhamos Ou mesmo segue do jeito que experimentamos O que foi pode não mais retornar, É provável que não volte a se manifestar. Mas, vejamos: como ainda tem estrada E quantas são as nossas possibilidades De que a cada nova parada Surjam flores das mais belas variedades. Mesmo com as marcas do que foi passado Seguirmos é o sentido para ter o coração curado Sendo pelas pétalas que foram conquistadas Ou pelas próprias, na jornada, acrisoladas. William Contraponto

Um Canto na Aurora ⁠Um relâmpago no céu noturno Ilumina o caminho inseguro,
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Um Canto na Aurora ⁠Um relâmpago no céu noturno Ilumina o caminho inseguro, Sob o tempo mais soturno O pensamento teme o futuro. A espera é pela manhã chegar Para que tal apresente algum alívio, A esperança está na tempestade cessar E seguir sem nenhum sonívio. O deleterio recôndito dispensado Já não pode aludir e contagiar, O pássaro da aurora despertado Fez seu canto para o céu clarificar. Todo pretérito acuou-se na soleira Em resultado do interlúdio ambientado, No tempo corrente não é coleira Apesar de arquivo a ser consultado. No lume abastecido de percepção Uma presença é reconhecida, É o pássaro auroral na recepção Que canta dando boas vindas. William Contraponto

⁠As Correntes e os Espelhos O tempo, esse algoz de passos contados, forja caminhos que nunca escolhi.
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⁠As Correntes e os Espelhos O tempo, esse algoz de passos contados, forja caminhos que nunca escolhi. Cada pedra, um destino imposto, cada sombra, um "sim" travestido de "não". Dizem que sou livre, mas onde está a chave? Dizem que escolhi, mas quem desenhou o mapa? Vejo meu reflexo em espelhos distorcidos, um eu que não sou, mas que esperam que seja. A verdade se curva ao peso das mãos que escrevem histórias de marionetes mudas. O que é real? O que é delírio? Se tudo que vejo foi posto aqui. Mas há rachaduras nestas paredes de ferro, há frestas onde a luz se atreve a entrar. Se a mentira se veste de promessa, a dúvida se veste de revolução. Que se rompam as correntes dos dogmas alheios, que os espelhos quebrem sua farsa de vidro. Se o destino é um trilho sem escolhas, seremos o trem que descarrilha. William Contraponto

Cativeiro Disfarçado Não foi no grito que me perdeste, foi no sussurro que me calou.
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Cativeiro Disfarçado Não foi no grito que me perdeste, foi no sussurro que me calou. Não foi na ausência que me mataste, foi na presença que me estreitou. Ergueste paredes com minhas palavras, e nelas pregaste o retrato do “nós”. Mas no reflexo, vi que eu era sombra apagada da minha própria voz. Chamaste cela de cuidado, corrente de abraço, vigília de amor. E eu, que confundia toque com abrigo, quase aprendi a chamar prisão de lar. Até que a porta se abriu, e percebi que liberdade era o único nome que o amor verdadeiro sabia me dar.

A Realidade em Agonia No leito sujo das manchetes jaz, sangrando lenta sob olhar de ferro.
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A Realidade em Agonia No leito sujo das manchetes jaz, sangrando lenta sob olhar de ferro. Cada voz que se ergue, certezas traz, mas planta no peito o mais fundo erro As câmeras rondam com fome e luz, tecendo o drama que o lucro incendeia. A ferida exposta não mais seduz, apenas se dobra ao corte que ateia. Mãos a disputam como quem devora, e a moldam conforme a própria vontade. O que era verdade já se vai embora, sob máscaras frias de autoridade. Respira fraco, num fio de ar, e os gritos se erguem por cima do leito. Ninguém quer curar, apenas moldar, o rosto que serve ao discurso eleito. E quando o silêncio enfim a tomar, haverá discursos sobre sua sorte. Mas o peso do falso irá lhe selar, como um véu que sufoca o horizonte.

⁠ O Império da Mentira William Contraponto
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⁠ O Império da Mentira William Contraponto O sangue traça o marco da inglória, Não há justificativa no terror gratuito. A mentira inaugura uma fase decisória, Com seu império, grito e bomba dá o veredito. O medo ergue o altar do comandante, Que vende paz com pólvora na mão. Se o inimigo é vago e mutante, Cabe ao discurso moldar a razão. A história curva-se ao protocolo, Entre sanções, promessas e punhais. E a verdade, enclausurada no solo, Silencia sob escombros imorais. Cria-se o monstro em tela e manchete, Edita-se a fúria com precisão. A máquina mente, projeta e repete — E a guerra ganha nova encenação. Com mapas falsos e dardos verbais, Assina pactos, escolhe a invasão. E enquanto lucros fluem dos canais, O povo sangra sem explicação. Em salas frias, o jogo é traçado: Quem morre, quem lucra, quem irá cair. E a potência, ao engano viciada, Segue a história que insiste em mentir.

O Homem na Porta William Contraponto O homem na porta observa
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O Homem na Porta William Contraponto O homem na porta observa E tira suas previsões, Entre uma e outra reserva Vê o que há em ambas situações. O homem na porta hesita, Mas não cessa de esperar, Pois cada cena palpita Com algo a revelar. Vê passarem os enganos Com vestes de solução, E os que fingem há muitos anos Ser donos da direção. Escuta o rumor da rua Com olhos de dentro e fora, Como quem encara a nua Verdade que se devora. Vê que a luz também confunde Quando insiste em dominar, E que o claro só responde Se o olhar souber mirar.