Foi um momento
Custei acreditar que
foi só um momento,
Esperei a eternidade.
Esperei, chorei,
esperei, não aconteceu.
Com você sonhei a eternidade,
o felizes para sempre.
Até um anel no Ibirapuera,
foi usado para pedir
que fossemos dois.
O anel você o tem,
meu pedido também.
Explica-me o "não".
Falaste sim,
Mas agiu com descaso?
Agora você chora,
O tempo passou,
O amor em alguma gaveta ficou.
E a chave você tem?
Sei também que essa perdeste.
Digo-lhe que outra mulher encontrou,
Cuidou, zelou e jurou.
Jurou a eternidade, e como dois
nos tornamos um.
Obrigado por me perder, pois só assim
a outra ganhou!
Ilda Baio
rua é para os encontros,
quem disse que era para os carros?
Vou pela rua de cima,
pois desejo ver a vozinha.
Vou na esperança e atento.
Na rua vejo muitos dos conhecidos.
Risos e apertos de mãos,
Virando a esquina, vejo-a no portão.
Vejo minha avó por adoção,
Sei que sou adotado,
mas sempre recebo seu abraço.
Cheiro de vó ela tem,
cabelo e pele também.
E não é só isso!
As histórias sempre vem.
Vem e leva-me, e eu vou.
Viajo sem dar um passo.
Sinto tudo daquele tempo,
Sonho quando estou ao seu lado.
Agradeço ao Bom Deus
por ser um neto abençoado.
Sou grato por ter Ilda Baio,
em meu coração estampado.
Feliz com a vida,
Que sempre planta flores
como a Dona Ilda perfumada e sagrada.
Quero um dia ser rua de encontro.
Ser o motivo de esperança e alegria.
Fazer das minhas memórias,
contos e reencontros,
de novos e anciões,
compartilhar sempre
para permanecer vivo.
Bêbado profissional
Você esgotou meu repertório
de palavras nas manhãs que eu as recitava.
Teve dias que foram difíceis o falar,
mas lembrava dos bons momentos,
e me inspirava.
Lembro-me do último dia.
quando minhas lágrimas
foram todas as palavras
que não se conteve em mim.
Sentei-me a prantos e cacos.
Homem chora, quando o amor se vai.
Chora o que nunca chorou,
Se perde nos buracos do coração,
Abre as garrafas de vodka,
e embreaga-se, esquece tudo.
Novo dia, dores antigas
garrafas novas, precipício a frente.
Volta, diz que foi um pesadelo.
Sombrio estou, não sei quem sou.
Me perdi, só nas bebidas me encontro.
Dizia que me amava,
se foi verdade, cadê os fatos?
Sei que errei, quando tudo lhe dei.
Fiz de você a única,
A única que encheu todo meu ser.
Morreria e mataria por ti,
Somente em teus braços
era eu vulnerável e por isso me despia.
Mas não pensei que a morte
você me daria.
Choro só na esquina,
largado e sujo, bêbado profissional.
Quando encontrar isso,
Serei apenas um póstumo.