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Frases de Vinicius de Moraes

356 frases

A minha namorada é tão bonita, tem olhos como besourinhos do céu Tem olhos como estrelinhas que estão sempre balbuciando aos passarinhos... É tão bonita! tem um cabelo fino, um corpo de menino e um andar pequenino
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A minha namorada é tão bonita, tem olhos como besourinhos do céu Tem olhos como estrelinhas que estão sempre balbuciando aos passarinhos... É tão bonita! tem um cabelo fino, um corpo de menino e um andar pequenino E é a minha namorada... vai e vem como uma patativa, de repente morre de amor Tem fala de S e dá a impressão que está entrando por uma nuvem adentro... Meu Deus, eu queria brincar com ela, fazer comidinha, jogar nai-ou-nentes Rir e num átimo dar um beijo nela e sair correndo E ficar de longe espiando-lhe a zanga, meio vexado, meio sem saber o que faça... A minha namorada é muito culta, sabe aritmética, geografia, história, contraponto E se eu lhe perguntar qual a cor mais bonita ela não dirá que é a roxa porém brique. Ela faz coleção de cactos, acorda cedo vai para o trabalho E nunca se esquece que é a menininha do poeta. Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer ir à Europa? ela diz: Quero se mamãe for! Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer casar comigo? ela diz... – não, ela não acredita. É doce! gosta muito de mim e sabe dizer sem lágrimas: Vou sentir tantas saudades quando você for... É uma nossa senhorazinha, é uma cigana, é uma coisa Que me faz chorar na rua, dançar no quarto, ter vontade de me matar e de ser presidente da república. É boba, ela! tudo faz, tudo sabe, é linda, ó anjo de Domremy! Dêem-lhe uma espada, constrói um reino; dêem-lhe uma agulha, faz um crochê Dêem-lhe um teclado, faz uma aurora, dêem-lhe razão, faz uma briga...! E do pobre ser que Deus lhe deu, eu, filho pródigo, poeta cheio de erros Ela fez um eterno perdido...

Quem pagará o enterro e as flores Se eu me morrer de amores? Quem, dentre amigos, tão amigo
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Quem pagará o enterro e as flores Se eu me morrer de amores? Quem, dentre amigos, tão amigo Para estar no caixão comigo? Quem, em meio ao funeral Dirá de mim: — Nunca fez mal... Quem, bêbado, chorará em voz alta De não me ter trazido nada? Quem virá despetalar pétalas No meu túmulo de poeta?

O POETA A vida do poeta tem um ritmo diferente É um contínuo de dor angustiante.
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O POETA A vida do poeta tem um ritmo diferente É um contínuo de dor angustiante. O poeta é um destinado do sofrimento Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza E sua alma é uma parcela do infinito distante O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende. Ele é o eterno errante dos caminhos Que vai, pisando a terra e olhando o céu Preso pelos extremos intangíveis Clareando como um raio de sol a paisagem da vida...

Deixa secar no meu rosto Esse pranto de amor que a presença desatou Deixa passar o desgosto
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Deixa secar no meu rosto Esse pranto de amor que a presença desatou Deixa passar o desgosto Esse gosto da ausência que me restou Eu tinha feito da saudade A minha amiga mais constante E ela a cada instante Me pedia pra esperar E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto Tão sozinho no meu canto Tendo apenas o meu canto pra cantar Por isso deixa que o meu pensamento Ainda lembre um momento a saudade que eu vivi A tua imagem fiel Que hoje volta ao meu lado E que eu sinto que perdi.

Elegia lírica Um dia, tendo ouvido bruscamente o apelo da amiga desconhecida Pus-me a descer contente pela estrada branca do sul
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Elegia lírica Um dia, tendo ouvido bruscamente o apelo da amiga desconhecida Pus-me a descer contente pela estrada branca do sul E em vão eram tristes os rios e torvas as águas Nos vales havia mais poesia que em mil anos. Eu devia ser como o filósofo errante à imagem da Vida O riso me levava nas asas vertiginosas das andorinhas E em vão eram tristes os rios e torvas as águas Sobre o horizonte em fogo cavalos vermelhos pastavam. Por todos os lados flores, não flores ardentes, mas outras flores Singelas, que se poderiam chamar de outros nomes que não os seus Flores como borboletas prisioneiras, algumas pequenas e pobrezinhas Que lá aos vossos pés riam-se como orfãozinhas despertadas. Que misericórdia sem termo vinha se abatendo sobre mim! Meus braços se fizeram longos para afagar os seios das montanhas Minhas mãos se tornaram leves para reconduzir o animalzinho transviado Meus dedos ficaram suaves para afagar a pétala murcha. E acima de tudo me abençoava o anjo do amor sonhado... Seus olhos eram puros e mutáveis como profundezas de lago Ela era como uma nuvem branca num céu de tarde Triste, mas tão real e evocativa como uma pintura. Cheguei a querê-la em lágrimas, como uma criança Vendo-a dançar ainda quente de sol nas gazes frias da chuva E a correr para ela, quantas vezes me descobri confuso Diante de fontes nuas que me prendiam e me abraçavam... Meu desejo era bom e meu amor fiel Versos que outrora fiz vinham-me sorrir à boca... Oh, doçura! que colméia és de tanta abelha Em meu peito a derramares mel tão puro! E vi surgirem as luzes brancas da cidade Que me chamavam; e fui... Cheguei feliz Abri a porta... ela me olhou e perguntou meu nome: Era uma criança, tinha olhos exaltados, parecia me esperar. * A minha namorada é tão bonita, tem olhos como besourinhos do céu Tem olhos como estrelinhas que estão sempre balbuciando aos passarinhos... É tão bonita! tem um cabelo fino, um corpo de menino e um andar pequenino E é a minha namorada... vai e vem como uma patativa, de repente morre de amor Tem fala de S e dá a impressão que está entrando por uma nuvem adentro... Meu Deus, eu queria brincar com ela, fazer comidinha, jogar nai-ou-nentes Rir e num átimo dar um beijo nela e sair correndo E ficar de longe espiando-lhe a zanga, meio vexado, meio sem saber o que faça... A minha namorada é muito culta, sabe aritmética, geografia, história, contraponto E se eu lhe perguntar qual a cor mais bonita ela não dirá que é a roxa porém brique. Ela faz coleção de cactos, acorda cedo vai para o trabalho E nunca se esquece que é a menininha do poeta. Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer ir à Europa? ela diz: Quero se mamãe for! Se eu lhe perguntar: Meu anjo, quer casar comigo? ela diz... – não, ela não acredita. É doce! gosta muito de mim e sabe dizer sem lágrimas: Vou sentir tantas saudades quando você for... É uma nossa senhorazinha, é uma cigana, é uma coisa Que me faz chorar na rua, dançar no quarto, ter vontade de me matar e de ser presidente da república. É boba, ela! tudo faz, tudo sabe, é linda, ó anjo de Domremy! Dêem-lhe uma espada, constrói um reino; dêem-lhe uma agulha, faz um crochê Dêem-lhe um teclado, faz uma aurora, dêem-lhe razão, faz uma briga...! E do pobre ser que Deus lhe deu, eu, filho pródigo, poeta cheio de erros Ela fez um eterno perdido... "Meu benzinho adorado minha triste irmãzinha eu te peço por tudo o que há de mais sagrado que você me escreva uma cartinha sim dizendo como é que você vai que eu não sei eu ando tão zaranza por causa do teu abandono eu choro e um dia pego tomo um porre danado que você vai ver e aí nunca mais mesmo que você me quer e sabe o que eu faço eu vou-me embora para sempre e nunca mas vejo esse rosto lindo que eu adoro porque você é toda a minha vida e eu só escrevo por tua causa ingrata e só trabalho para casar com você quando a gente puder porque agora tudo está tão difícil mas melhora não se afobe e tenha confiança em mim que te quero acima do próprio Deus que me perdoe eu dizer isso mais é sincero porque ele sabe que ontem pensei todo o dia em você e acabei chorando no rádio por causa daquele estudo de Chopin que você tocou antes de eu ir-me embora e imagina só que estou fazendo uma história para você muito bonita e quando chega de noite eu fico tão triste que até dá pena e tenho vontade de ir correndo te ver e beijo o ar feito bobo com uma coisa no coração que já fui até no médico mas ele disse que é nervoso e me falou que eu sou emotivo e eu peguei ri na cara dele e ele ficou uma fera que a medicina dele não sabe que o meu bem está longe melhor para ele eu só queria te ver uma meia hora eu pedia tanto que você acabava ficando enfim adeus que já estou até cansado de tanta saudade e tem gente aqui perto e fica feio eu chorar na frente deles eu não posso adeus meu rouxinol me diz boa-noite e dorme pensando neste que te adora e se puder pensa o menos possível no teu amigo para você não se entristecer muito que só mereces felicidade do teu definitivo e sempre amigo..." Tudo é expressão. Neste momento, não importa o que eu te diga Voa de mim como uma incontensão de alma ou como um afago. Minhas tristezas, minhas alegrias Meus desejos são teus, toma, leva-os contigo! És branca, muito branca E eu sou quase eterno para o teu carinho. Não quero dizer nem que te adoro Nem que tanto me esqueço de ti Quero dizer-te em outras palavras todos os votos de amor jamais sonhados Alóvena, ebaente Puríssima, feita para morrer... "Ó Crucificado estou Na ânsia deste amor Que o pranto me transporta sobre o mar Pelas cordas desta lira Todo o meu ser delira Na alma da viola a soluçar!" Bordões, primas Falam mais que rimas. É estranho Sinto que ainda estou longe de tudo Que talvez fosse cantar um blues Yes! Mas O maior medo é que não me ouças Que estejas deitada sonhando comigo Vendo o vento soprar o avental da tua janela Ou na aurora boreal de uma igreja escutando se erguer o sol de Deus. Mas tudo é expressão! Insisto nesse ponto, senhores jurados O meu amor diz frases temíveis: Angústia mística Teorema poético Cultura grega dos passeios no parque... No fundo o que eu quero é que ninguém me entenda Para eu poder te amar tragicamente!

O verbo no infinito Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer
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O verbo no infinito Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então sorrir E então sorrir para poder chorar. E crescer, e saber, e ser, e haver E perder, e sofrer, e ter horror De ser e amar, e se sentir maldito E esquecer tudo ao vir um novo amor E viver esse amor até morrer E ir conjugar o verbo no infinito...

Mas, se ela voltar, se ela voltar Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar
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Mas, se ela voltar, se ela voltar Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei na sua boca Dentro dos meus braços Os abraços hão de ser milhões de abraços Apertado assim, colado assim, calado assim Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim Não quero mais esse negócio de você viver assim Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

Samba em prelúdio Eu sem você Não tenho porquê
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Samba em prelúdio Eu sem você Não tenho porquê Porque sem você Não sei nem chorar Sou chama sem luz Jardim sem luar Luar sem amor Amor sem se dar Eu sem você Sou só desamor Um barco sem mar Um campo sem flor Tristeza que vai Tristeza que vem Sem você, meu amor, eu não sou ninguém Ah, que saudade Que vontade de ver renascer nossa vida Volta, querida Os meus braços precisam dos teus Teus abraços precisam dos meus Estou tão sozinho Tenho os olhos cansados de olhar para o além Vem ver a vida Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Soneto da mulher inútil De tanta graça e de leveza tanta Que quando sobre mim, como a teu jeito
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Soneto da mulher inútil De tanta graça e de leveza tanta Que quando sobre mim, como a teu jeito Eu tão de leve sinto-te no peito Que o meu próprio suspiro te levanta. Tu, contra quem me esbato liquefeito Rocha branca! brancura que me espanta Brancos seios azuis, nívea garganta Branco pássaro fiel com que me deito. Mulher inútil, quando nas noturnas Celebrações, náufrago em teus delírios Tenho-te toda, branca, envolta em brumas. São teus seios tão tristes como urnas São teus braços tão finos como lírios É teu corpo tão leve como plumas.

Vire essa folha do livro e se esqueça de mim Finja que o amor acabou e se esqueça de mim Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
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Vire essa folha do livro e se esqueça de mim Finja que o amor acabou e se esqueça de mim Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz E que ter medo de amar não faz ninguém feliz Agora vá sua vida como você quer Porém, não se surpreenda se uma outra mulher Nascer de mim, como do deserto uma flor E compreender que o ciúme é o perfume do amor