Nem sempre, porém, a ignorância imobiliza. Quando comandada pela intuição, pelo ideal e pela decisão de vencer, de conquistar, torna-se uma força a caminho da verdade ou da vitória. Se Vasco da Gama soubesse mais e sonhasse menos, teria recuado diante do cabo das Tormentas. Se Colombo fosse bom cosmógrafo não descobriria a América. E vale ainda lembrar de Saussure, o segundo homem a subir no Monte Branco, foi um sábio. O primeiro foi um pastor: Balmat. O que não invalida, é claro a ciência, nem desvaloriza o sábio.
Homem, estrela, água, nuvem, todos obedecem a mesma lei da harmonia universal. Sem diferença entre um acontecimento e uma estação, entre a natureza e o destino, entre a realidade e a abstração, entre o transitório e o eterno. Diante do infinito, tudo é zero, na unidade da sombra. E nessa unidade está o bem.
As cidades, assim como as florestas, têm seus antros nos quais se esconde tudo o que elas encerram de mais temeroso e perverso. Com a diferença de que, nas cidades, o que assim se esconde é feroz, imundo e pequeno, isto é, feio: nas florestas o que se esconde é feroz, selvagem e grande, quer dizer, belo. Covil por covil, o dos animais é preferível ao dos homens. As cavernas são melhores do que as espeluncas.