Quem sou eu agora, se já não me esperas em nosso sonho?
Quem serei eu após despertar?
Frio na espera, um vazio na espinha
Estou entregue ao vento,
sussurrando tua ausência,
Fim do dia e continuo só.
O banco está gelado e temo,
tremo abrir os olhos e ver.
Sentir o banco vazio.
é que tudo isso é muito novo pra mim. dividir medos. dividir soluções pros meus medos. eu nunca fiz isso. quando alguma coisa tá errada eu arrumo um jeito de conviver com isso sem atrapalhar ninguém. mas daí chega você e quer consertar o que tá errado. isso é lindo, mas eu tenho medo de não saber lidar com as coisas do jeito que elas são. fora da realidade que eu criei.
Deve ter explicação científica, meu medo. Deve ser patológico. Acho que minhas células pensam "Ah, ela tá ficando feliz. Adrenalina, dose 7. Pode ser tudo uma ilusão, guarda o sosrriso." Eu obedeço. Abaixo a cabeça e concordo. Por que alguém pensaria só em mim? As amigas dele já devem ter cansado dos pedidos de casamento bem humorados. Ele deve fazer isso sempre. Bobinha, você.
Tô com mais vontade de música. Tô com mais vontade de ficar acordada até tarde. Só porque não sou eu que busco assunto durantes as conversas. Você tem medo de me perder. Ninguém nunca teve medo de me perder. Eu sempre corria atrás de assunto, desesperada. E sempre desistiram de mim. Eu nunca deixo mesmo claro o que eu tô sentindo. E fica parecendo que eu não sinto. Mas é incrivelmente triste quando desistem do meu mistério.
Bate uma insegurança...
No primeiro dia de aula
No primeiro encontro
No primeiro abraço
No primeiro "eu te amo"
No último Adeus.
Bate uma insegurança...
O sonho que me desperta
O chinelo virado pra baixo
Aquela discussão mal-resolvida
O tudo deixado para depois
Bate uma insegurança...
Pensar em quem a gente ama
Pensar naquela conversa séria
Pensar no que pode ser e no
que nunca será
Bate uma insegurança...
Não saber o amanhã
Não saber se é correspondido
Não saber se faz sentido
Não saber já acabou.
Atrás dessas grades deve ter um mundo novo, só esperando que eu saia para ser descoberto. Novas pessoas esperando por novos tempos. Novas vidas esperando por novos ares. Só esperando.
Eu também espero. Espero um dia sair de casa e ter a certeza de que vou voltar. Ter certeza
de que mais uma criança no mundo não é sinal de preocupação e sim de alegria. Eu queria poder
ter certezas.
Ela se arrisca num impulso mais alto, segura com força as correntes enferrujadas e fecha os olhos enquanto o vento gelado paralisa seu rosto.
Cada vez que consegue esvaziar seus pensamentos, ele volta, sorrindo. Era tudo o que ela não precisava, tudo o que ela se esforçava para esquecer.
Talvez se ela arrumasse uma distração mais potente do que a música no último volume, que funcionasse melhor que um banho quente; talvez ele sumisse de vez.
Ou talvez ele voltasse mais forte.
Eu tenho sono e já não posso mais dormir. Eu tenho ânsia, não consigo mais comer. Eu tenho medo e já não quero mais.
Meus pés perderam a função básica de equilibrar meu corpo na minha existência. Não diria que a culpa é física porque fui em quem sobrecarreguei minha mente e me tornei incapaz de responder sobriamente por um "tudo bem?". Isso pesa. É pesado saber que não está nada bem.
Eu percebo no espelho que meu sorriso não chega aos olhos. Eu posso enganar a todos, posso até me enganar. Mas é de noite que eu me revelo como sou: sozinha.
Não precisa se preocupar. É dentro de mim. É o modo que eu aprendi a lidar com a confusão que é a minha cabeça. Meu cérebro funciona mais evidente que meu coração. Eu racionalizo tudo. A razão me mata, mas me persegue. E eu não incomodo ninguém sendo assim. Eu simplesmente me resolvo e dou o resultado. Você nunca vai precisar ficar sabendo de todo o trabalho que eu tive pra chegar nesse resultado.
Eu queria mudar meu país. Queria que o vestibular fosse justo, que o imposto fosse bem utilizado, que os políticos parassem de fingir que não roubam e que a população parasse de fingir que não sabe. Na verdade eu queria mesmo tudo aquilo que eu vejo nos livros de história, daquela época em que existiam pessoas corajosas. Queria sair nas ruas com centenas de estudantes e exigir tudo isso de quem foi eleito com esperanças de uma vida melhor. Queria que a saúde e a educação estivessem ao alcance de todos, que pessoas parassem de se espremer em favelas porcas e tivessem casas de alvenaria, que ninguém precisasse ter uma fome maior do que aquela básica entre o almoço e o jantar.
O tempo é contado em dias, meses, anos. A vida é contada em dores, flores, amores.
Se você decide parar de contar para ter uma preocupação a menos, alguém vem e conta por você. E te conta o quanto você vive, te cobrando viver mais. Então você vive mais e paga por isso. Paga pra comer, respirar, morrer e mal vê a vida passar.
O mundo me prefere com dois braços e duas pernas, mas não sei mais ser humana. Sorrir cansa. Chorar cansa. Mas o que mais cansa é procurar desesperadamanete um intermediário e esquecer que o mundo é mais que aparências.
Eu sou volúvel. Grande surpresa. Mas ser volúvel também cansa. Porque ninguém leva a sério alguém que passa a semana chorando pra ficar bem na semana seguinte. Como se fosse preciso ser feliz pra sempre ou triste pra sempre pra ser alguma coisa de verdade.
Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincera. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.
Procurei passar por tudo,
Uma coisa de cada vez
O passado, o presente,
O futuro que assim se fez
Em real, nada vivi
Um inventário construi
De lembranças criadas
de emoções imaginadas
Eu escrevo porque eu gosto, porque às vezes me dá vontade e se eu não esticar meus dedos, não consigo dormir. Não é pra ninguém, é pra mim. É só pra colocar em palavras o que acontece, pra tornar tudo real. Quem sabe rabiscando de grafite algumas folhas de papel, eu me assegure que tudo foi mais que um sonho bom interrompido na melhor parte.