Tu és terra, em ti lançarei as sementes para fecundares, tudo que sobre ti florescer será fruto do meu desejo e do teu querer aceitar em ti amadurecer e fazer germinar as sementes, tens o solo vitaminado e as raízes estão a perfurar e prontas para sugar os adubos e dar qualidade a seiva que alimenta o caule, os ramos e rebentos ricos com frutos saborosos. És tu mulher, terra dos meus sonhos como amigo e amante insaciável.
Fico pensando que sentí , mas fico com medo de ter pensado que sentí por estar a aprender que não se deve pensar mas fazer o que pensamos que pode ser, que pavor estou outra vez com medo por ter pensado o que sentí, é tudo pensamento. Vou morrer se pensar na vida, eu só faço porque vivo, a vida de cada um está dentro dum intervalo aberto, O que faço porque vivo está entre um momento e o outro momento e este instante não é pensado, é porque vivo e se chama sono que nos mata e leva-nos para outro momento, são etapas, interrupções na vida vivida. Estou novamente a pensar, pensaria em que se o sono não me interrompesse do momento anterior, não importa ficar ou não com medo, é tudo pensamento, importante é reduzir o tempo entre pensar e fazer.
O surfista queria ser feliz na onda do mar, ficou dias à fio esperando por uma boa onda, onda que cativa e põe as pranchas em delírio, até que o horizonte escureceu, o mar amargurou-se e uma onda gigante soltou-se do labirinto, bateu com a praia e não mais voltou; era o tisunami que rompeu com o surfista e o atirou contra as paredes matando o hábito do vem e vai das ondas do azul do mar.
A sua alma decorada por um jardim cheio de lindas flores, com flores jamais colhidas por almas sem dó. Porque até o inverno trás para o presente primaveras, com rosas cheias de amor e colorem o amor, com rosas vermelhas cheias de paixão e exalam paixão, no meio com rosas amarelas com a sua mágica sedução, e todas elas lideradas pela brandura de rosas brancas para que o coração sinta paz ao entregar-se a um novo amor.
É fogo que arde este sentimento que te devora, estás sentindo o mesmo que eu, estás a ser consumida, enquanto as cinzas estão quentes liberte-se, pondere os teus passos e mostre a pureza de amar nítida em cada gesto que dás, em cada piscar dos seus olhos e em cada movimento de ternura. Por ti compus poesia de encanto para iluminar o seu querer, acredite, não sou uma abelha que anda de flor a flor para um favo de mel, eu acoito-me no botão da flor escolhida para o bom cheiro das suas pétalas.
Para ti é tempo de calor, tempo de chuvas, os mares se abrem, os amores de verão mergulham e vão bem fundo, o mar se deixa penetrar, os olhares se perdem na imensidão do tempo e as paixões se cruzam lá onde o céu toca o mar e com ele o sol que se vai confundindo com a meia lua até o total mergulho deixando para trás a escuridão, não vá embora meu amor, permita-me que afunde mais uma vez como uma sonda no leito dessas águas.
Ela é um anjo em forma do céu, amar suas curvas, são ventos que me afagam, em sussurros submersos no espaço, no plano geo-estacionário, clamo, para ao meu resgate você vir, sem manto, sem água, você vir acolher-me numa sombrinha com as minhas feridas de graus diferentes na profundeza da alma, vem sem magoas, sem alardes, sem recordações, vamos construir os novos momentos que fazem nós dois.
Uma taça de tinto, uma mulher de decote da cor de tinto e uma reacção por instinto, o trato, dividimos o vinho em duas taças e de trago em trago, te trago para mim, as taças se beijam, nós como as taças nos damos um trato, com os beijos sem fim, o vinho e o amor, só imitamos as taças.
Sinto que está com a alma fria, o inverno daí não só gela a sua casa, as suas ruas, o seu corpo por fora, mas também o seu interior que apela sem parar por algo que assemelha-se ao verão e que trás os raios do sol para aquecer o seu corpo na sua plenitude. Esta coisa é o meu grande amor.
As férias do Natal passaram mas deixaram a sua alegria no rosto das pessoas, estão todas mais leves a caminhar, com a aparência mais renovada e um pouco mais positivas no que dizem e pensam, quando passam libertam calor que aquece, estão todos como eu ostentando muito amor no coração.
Na busca de um ano novo
Acordei com a casa a cheirar a padaria e pensei comigo próprio; És o decreto, haverá pão com fartura. Não tardou começou a soar o trus-trus-trús, feliz ano novo, o trús-trús, estamos a procura de emprego, o trús-trús, ajuda-me com algo para comer, trús-trús, a minha filha está sem nada para comer, a minha mulher abandonou-me e a sogra não quer saber da menina de dois anos e neste instante o bondoso coração da vizinha acolheu a menina enquanto mendigo. Fiquei sensibilizado, dei a volta a casa e o cheiro da padaria não tinha deixado pão, então percebí que por decreto não se muda estados e que é preciso que as pessoas se permitam aos seus desejos. Fechei a porta com o coração partido.
O solfejar de um general que ama fazer coisas perigosas: Navegar sobre um mar de tubarões, conduzir na contramão, ultrapar sobre a linha contínua e amarela e embriagar-se antes da partida com solfejo de geral nebulado com coisas perigosas entre os lábios semi abertos, gosta fazer coisas perigosas. Amor ardente com as suas misteriosas maravilhas de um perigo eminente.
Você fica triste, eu sei, sempre que desapareço. Alguns milhões dos bilhões são teus seguidores e eu como uma gota estou inserido no meio deles e demos o match e reconheceste-me, isso não é coincidência, é destino pregado pelo amor. Por isso não quero simplesmente molhar os pés, o amor é mar, mergulho.
Estou assim ultimamente, sensivel às coisas do coração e da alma. O vento fica soprando a minha cara, vento para formar laços, para abraçar, para reunir e amar como nos velhos tempos, todos juntos cheirosos à sabonete, centenas de famílias juntas e todos cantando durante o encontro da meia noite "missa do galo": É NATAL, É NATAL, o menino Deus nasceu... E tudo que aprisiona a quebrar-se deixando todo mundo livre, desejoso e a sonhar com enfeites do interior.
A ansiedade de te rever torna os meus dias pesados e a saudade faz-me desejar-te uma dose de mim mesmo para que os seus dias sejam leves e ambundantemente amorosos. Estaria a mentir se não desejar um encontro para me encheres de beijos e encurtar a distância que precisa ser transposto para o meu e teu bem.
O mundo conhece-te e todos os cantos também. Conheço o mundo que emprestou-te o seu panorama, aquelas serras repletas de neve que você mostrou-me e você escalou em patins as altitudes alpínicas e deslizaste como profissional. Não me esqueço as praias extasiadas do mundo e as roupas de banho que deixavam o teu belo corpo descoberto para o mar unir-te à lua e ao vento que transporta o seu amor ao meu mundo.
O meu amor é espontaneamente liberal, ninguém o força como se se tratasse de desejo de um general ou de um governante ou mesmo de um príncipe. Os generais sobreviventes de inúmeras carnificinas, deixando a podredão de lagoas de sangue não conquistam o coração do amor que não se deixa subjulgar.