O que defender diante do seu juízo final...
O que julgar diante de todas as provas...
O que provar se tudo já foi dito de todas as formas...
O que adianta formas se tudo já foi consumido...
O que consumar se não somos juízes...
Consuma-me...
Que seja com mordidas rasgadas ou lambidas de olhares contidos...
Venha-me como crepusculo dormente em cores e descortina a minha alvorada insone...
Escancara a boca infernal das labaredas dos mil sois, reconditos de todos os meus paraísos...
E crepitarei bem alto até que todos os meus demonios adormeçam...
Mas consuma-me...
Até a última foligem calada dos meus ais...
Ah...como faltam muitas vezes tantas coisas que palavras não traduziriam...o afundar do barco de papel sem mastro...ao fundo ele sucumbe, levando consigo, aquelas ditas...que nunca foram ditas...canto...todas as vezes que me entristeço ou me alegro...algumas palavras que alguem disse...tudo que eu não soube dizer...
"uma alma que desliza
como envelope pela porta"
Assim estou eu...aqui sentanda te lendo e pensando, onde te direi que estou deslisando por baixo da porta?
[Fragmentos de Vanias Lopes]
"E Se..."
Algumas vezes realmente fossemos todos os infernos e nenhum deles? Um limiar apenas onde:
"bajulavam-se deuses sem fim,
alguns carnais, outros invenções,
do esforço se falava,
queriam os homens alguma paz,
como se depois da morte,
uma luz revelasse sossego,
perdão da morte, sono talvez."
[Poeta O Transversal]
Ausentei-me de mim!
Assim fazem...
Aqueles que não sabem sentir dor...
Os covardes alheiam-se e mascaram-se nas frestas da indiferença...
Assim, eu ausentei-me de mim!
Sem coragem de fitar nos olhos da minha fraqueza...
Fiz-me imortal...
Encontro de retinas em fagulhas...
Espreita certa que abrem fogo nos vales corporais...
São gestuais de um bailado que vai deixando a trilha...
Sobre a palha seca de ninhos que não se querem mais vazios...
E quando se dá o toque...
Ao longe percebe-se seu sinal...
Onde há fumaça...
Há fogo!
A tristeza às vezes se faz correnteza
Na curva do rio
Encontramos a vida voraz com a boca escancarada a espreita...
Preste a nos engolir
recolhemos então o que nos resta de coragem e travamos com ela a grande batalha
matar ou morrer de fome...
Eu...gaguejo..emudeço...quero gritar bem alto até que o som das minhas palavras calcem esse mar de sentimentos...que ele se transforme em endurecidas placas e então, possa eu...apenas refletir no calor do sol, sob o raio da lua...na reluzencia das estrelas...o que fui, o que sou..pura poeira de Amor!
De que valeria a dor da morte, senão à transformação? A cada passo morremos o que fomos e arregalamos um recem nascido olhar ao que queremos ser...
Um choro forte, um sorriso aberto...assim orvalhamos os solos fertilizando-os com poesia...uns plantinhas fraquinhas com seus caules tenros, em meio aos frondosos troncos, que nos protegem e nos permite resistentes e crescer fortes..
Que me venhas...
Descansa o teu cansaço no meu cais...
Lavarei o sal que te prende com a doçura dos meus sorrisos...
Secando tuas dores com as brisas da minha paz...
Que me venhas...
Assim como o vento forte, que lufa as velas dessa nau, que já não necessita de ancora... Adentrar as noites insones e juntos navegar...
Pois, já sabemos que somos como areia na beira do mar...
Caso, um de nós naufragar...