Pular para o conteúdo

Frases de Vanessa Brunt

221 frases

Os mais vivos são os afogados. Os únicos que conseguem, realmente, respirar. (Vanessa Brunt)
No fim, tudo é poesia. Sol-te, fica. Parte, arte. Sala abandonada não está vazia. Liberdade não faz descarte. Toda morte faz algo viver. Toda força abraça o doer. Nada nunca realmente se vai. Só voa quem ninho não trai. Dar a volta por cima é saber voltar aos entornos. As cinzas…
Continuar lendo

No fim, tudo é poesia. Sol-te, fica. Parte, arte. Sala abandonada não está vazia. Liberdade não faz descarte. Toda morte faz algo viver. Toda força abraça o doer. Nada nunca realmente se vai. Só voa quem ninho não trai. Dar a volta por cima é saber voltar aos entornos. As cinzas explicam madeiras ou madeiras explicam as cinzas? Todo estudo merece retornos. Trânsito ou árvore? Razão ou emoção? Murchar ou brotar? Pra quê divisão? Na lateral, um ajuda o outro a florescer. Depender é também ser independente. No comercial, esqueceram de dizer. Crescer é também não seguir em frente. Entre ter tanto e ter (n)ão, só depende de viver sentindo. Olha por outra angulação? Tem mais um olho em estar r(indo). (Vanessa Brunt)

23 Chorando na calçada Com as mãos nos bolsos
Continuar lendo

23 Chorando na calçada Com as mãos nos bolsos Porque ainda busco O que procurar. Vivendo emperrada No meu calabouço Porque não há ninguém Salvo a nos salvar. Enxugando a cara quando passam perto Ela morreu em um incrível deserto Que diziam ser casa Para se encontrar. Engolindo velas pelo passo certo Apagando chamas pelo céu aberto Ela não sabe mais Como se queimar. Pomada, pomada E estão todos anestesiados Ninguém conversou Então Ninguém achou A cura para os mudos Cansados. Chegou a época de ouro Da caça ao maldito tesouro E o monte de luz veio Para nos cegar. Endurecendo de tanto sorrir E esquecendo que só vale O que, se for, Nos fará chorar. Chegou a fase do acerto Pedra que todos dizem lapidar: Mas ninguém tem coragem De trocar sangue para ver durar. Chegou a era do torto patrono Nem mesmo ela pôde escapar da acidez Ela quer tanto não errar Que quase não sabe mais tentar Aos 23. Estão todos desaparecidos De tão achados por si E dizem ser amor-próprio Sair cortando o que acudir. Distante do precisar Discurso de (des)querer E a independência veio nos isolar. Chegou a época da chuva Eles abriram guarda-chuvas (Ao meu redor) Muito velhos para crescer E acabam novos só para murchar. (Vanessa Brunt)

Esse negócio de dizer que o que vem fácil, vai fácil, é um gigantesco levantar de muros, é puro embaraço. Só ocorre assim para quem não rega depois de receber a horta, para quem viu a facilidade inicial de algo como aviso de não indispensabilidade da dedicação. Para ser fácil, de…
Continuar lendo

Esse negócio de dizer que o que vem fácil, vai fácil, é um gigantesco levantar de muros, é puro embaraço. Só ocorre assim para quem não rega depois de receber a horta, para quem viu a facilidade inicial de algo como aviso de não indispensabilidade da dedicação. Para ser fácil, de fato, é justamente o contrário requerido. O amor, só é amor, se construir fácil. A paixão, só é paixão, se voltar fácil. O talento, só é talento, se fluir fácil. O encanto, só é encanto, se nascer fácil. O prazer, só é prazer, se durar fácil. O fácil é o único tipo de pé que faz valer a caminhada nas pedras. O que pede demasiado ardor e vem com um apanhado de barreiras, só é tesouro se, no fundo, ou melhor, no caminho, desembaraçar fácil. Paciência somente para o que der paz e ciência.

(…) E, no fim, o íntegro se desculpa E o assassino faz vitória Porque dizem que liberdade é solidão
Continuar lendo

(…) E, no fim, o íntegro se desculpa E o assassino faz vitória Porque dizem que liberdade é solidão E cara de choro é vexatória. Força de dentro vira nada Esquecem que ela vem da maior fraqueza Mas eles dizem que faca nas costas É pura falta de destreza. Então, Desculpe-me, mas não posso ficar. Galileu foi louco Einstein foi burro E eu sou o drama desnecessário. Desculpe-me, mas não posso ficar. O traído é caçoado O traidor é aclamado E eu sou a culpa desse falsário. Desculpe-me Desculpe-me! Mas eu, realmente, não posso ficar! Eu ponho exclamação em todas as coisas Porque todo o resto, é banalizar. Desculpe-me Perdão! Eu não sei lidar com este mundo! Não posso ficar calma Porque tudo o que sei É ficar Fundo.

SANGUE NO RISCO Quem tem alma não tem calma.
Continuar lendo

SANGUE NO RISCO Quem tem alma não tem calma. Quem tem verdade não tem demora. Quem tem sentimento é cheio de trauma. Só o falso não se apavora. Quem tem paixão, não tem mais ou menos. Quem tem princípios não tem fim. Os com intensidade nunca estão plenos. Porque quem pa pel ou corta ou rim. (Vanessa Brunt)

ENDIVIDADOS Saio de casa Boleto na mão
Continuar lendo

ENDIVIDADOS Saio de casa Boleto na mão Princípios no bolso E mais um sentimento que preciso Desmanchar. Chego na ponte E mais uma sensação De que antes de ser Aqui É preciso provar. Só é livre quem não tem medo De cortar as próprias asas - Tento lembrar. E esqueço traumas na mesa, na mesa de quem entrar. E eles não aguentam Tantos papéis Preferem superfície limpa Sem nada real. E eles não aguentam Tantos viés Querem tanta solução Que acabam sem final. Medo de ser emocionalmente dependente E, no fim, estão sem emoção. Eu só queria ser E não ser mais um cliente Dos tantos empresários Desta geração. Faz tempo que eu queria escrever Uma carta à mão E te dizer que naquela tarde Eu guardei a afeição E meu bolso furou Porque é tudo uma guerra E pra não morrer Eu preciso digitar. Poderia ser menos intensa Porque você deve achar Que intensidade é exagero Mas se você pensa assim Eu vou. Nem vou exa-gerar. Não tenho mais paciência Pra quem só reproduz-irá Tenho oitocentos anos E boletos pra pagar. Queria ser menos tanto - Tento afirmar. Mas a verdade é que é mentira Porque meu bolso pesa Toda vez que tento ser menos Pra quem é mal-estar. E nem se eu fosse menos Menos visceral Daria pra caber nesta mansão Provincial. E, desculpe, não é nada com você É só que ela tem bagagem E prefere ser arte do que ser legal. E, desculpe, não é nada pra você É que ela se preocupa com a mensagem E não faz parte de filme banal. - Pode vir com ou sem açúcar ou sal. Arte se preocupa em fazer sentir e ser honesta e não em ser a tal. - Até porque pra quem ela não é a tal, é quem não sabe ler. Ela é poesia. E você? Dizem que o esperto É aquele que primeiro se amaria Mas pra ela O que mais se ama é aquele Que pelo outro tentaria. Tentaria, ao menos, não deixar de dizer. É tanto medo, tanto Que quem magoa é aplaudido Pelos que choram escondido E ninguém vê. Todos sim, Tantos sim, eu não. Ah, aqui não! Esqueceram de trancar a porta E eu não vou esperar. Porque os bons nunca aguardam Quem é bom não faz aguardar. Tantos ser, E meus são pra não lhe-imitar. Quem levanta o outro da queda Só se levanta junto Enquanto o outro souber Pra cima também pular. Às vezes entro no conflito E não sei também se estou fazendo o certo Mas sempre que choro por ter feito demais Sei que passei perto.