BILHETE PARA A MALDADE
A quem devo amar se já não tenho mais coração.
A quem devo amar se roubaram de mim o amor e a paixão.
Já não tenho ninguém para dá esperança ao meu dia.
Não é que até as lágrimas roubaram de mim
(nossa que mundo cruel).
Peço para a maldade que tenha piedade.
Deixe-me ao menos a morte para consolar minha solidão.
SETEMBRO (PARABÉNS)
Meu nome é setembro
Permita bater na sua porta.
Trazer boas novas
para me alegrar com você.
Meu nome é setembro
Sorria! Sorria! Sorria!
Cheguei para comemorar
dizer o quanto é sublime
a tua companhia.
Meu nome é setembro
Presentes, flores e amor…
CADÊ O ZÉ?
O Zé não tem café
não tem pão
não tem arroz
não tem feijão
não tem dinheiro
não tem família.
Quem cuida do Zé? Ninguém.
Cadê tu Zé?
Zé cadê tu?
Ah! Minha gente,
o Zé não responde
porque morreu de fome
nos cantos da cidade.
PEDIDO INTERIOR
Queria ter o dom da poesia.
Queria ser capaz de fazer
uma linda poesia.
Falta-me inspiração.
Talvez esteje rude;
Sem paixão.
Talvez esteje rude;
Sem amor.
Por favor, coração meu...
Não me faça sofrer ainda mais!
Deixe-me ao menos o prazer
de fazer poesias.
(Série bilhetes de Raquel, em 07/03/02)