Não é que antigamente as coisas fossem mais fáceis, o fato é que o passado já foi superado, suportado e por essa razão temos essa ilusória sensação de que, "ah como era bom aquele tempo"
O passado não nos desafia mais, por isso nutrimos essa simpatia por ele. Já o presente dói agora, como ferida que de tão aberta parece que nunca vai sarar. Mas sara!
No fim das contas não importa quantas festas você esteve, quantos amigos julgou ter...
O saldo final é aquilo que se fez consigo mesmo, o quanto esteve em paz, o quão leve manteve seu coração, as tantas vezes que controlou seus instintos danosos, outras tantas que perdoou e se melhorou.
Não se conta o que vale a pena por quantidade, mas sim pela intensidade que nos modifica!
O fato de estarmos vivos nos coloca, a todos, em situação de insatisfação. É esse quase de tudo, esse pouco de nada, essas certezas volúveis e essas ideias perturbadoras que nos mantém enérgicos em movimento, nessa busca constante do que não se sabe bem o que.
Nem sempre um sorriso é permitido, tão pouco as lagrimas de todo é proibido.
Existem dias que valem uma vida de descoberta, já noutros basta sobreviver.
E de pouco em tudo, de nada em restos, do medo em grandeza se fazem historias que, sabidas em contar se tornam memoráveis àqueles que apenas ouvem.
E a vida se completa entre Josés e Marias que negam para si o obvio que ignoramos.
A verdade não pertence ao homem, não há verdade onde habita tanta estupidez. Quem não conhece a si não sabe de ninguém.
Fomos todos dotados de três grandes pilares:
*A inteligência que nos permite pensar, construir ideias, projetos, cálculos sejam eles embasados em razão ou sonhos.
*A força motora que nos impulsiona ao mais, ao grande, ao crescer, mover, seguir.
*E o amor que de todo é o mais simples, subjetivo e invisível e que veio para provar a força do frágil, o estupendo do inexplicável e por fim, colocarmo-nos no devido lugar e inegável condição de que, nada SOMOS!
Não importa quantas línguas se domine, nem quantas graduações se possua. Tão pouco técnicas sofisticadas de, seja lá o que for, que haja sobre a terra...certas sensações nos reduzem a uma vulnerabilidade de meninos. Daqueles bem tolos e crus.
Talvez seja uma maneira sádica ou "divertida" da vida de nos dizer que nunca estaremos suficientemente prontos.
Lamento o ser humano ter "evoluído" tanto ao longo dos anos.
Penso que o simples cabia melhor.
O pouco sustentava mais.
O menos era mais aproveitado. E não havia esse desperdício de um tudo.
As conversas eram mais longas e os assuntos mais leves.
Os problemas acabavam com um abraço.
E um sorriso já valia como pedido de perdão.
O bem prevalecia. E o mal não era motivo de orgulho.
As crianças, assim o eram até mais tarde. E os adultos não tardavam a amadurecer.
E a vida? A vida cheirava à tardes de chuva leve, seguidas de sol.
Nos momentos felizes "aproveitamos da vida" e devemos nos abastecer de energia.
Para que assim, em momentos difíceis a vida possa "se aproveitar de nós", exigindo que sejamos fortes em energia e força. Em retribuição a ciclos onde a história do mundo se faz.
É uma troca justa e saudável. E para ambas a gratidão é válida. E o aprendizado fundamental.
Chega o tempo em que encontramos o eixo. Aquilo, aquele ou aquela que nos faz sentir a felicidade em seu modo mais perene.
E de então, não importa o quão florida seja nossa episódica, nada mais nos faz vibrar. Porque de todo, não somos mais quem fomos antes, e velhas cascas não encaixam mais.
Traçamos muitos caminhos divididos em ciclos e tempos diferentes no decorrer da vida.
Somos privilegiados ao conhecer almas que, junto a nós, fazem a vida florescer melhor.
Mas, a todos é destinado um reencontro. E feliz daquele que em outros olhos reconhece a sua própria essência brilhando em outro corpo.
A alma só sossega com a verdade.
Devíamos ter aulas de perdão desde o jardim de infância.
Essa sim seria uma grande matéria de cunho intelectual que faria de nós, seres humanos, muito mais úteis, capazes e felizes.
Perdoar não é um ato de bondade e sim de inteligência!
Carregar fardos é para os burros!