A eternidade me assusta, o passar do tempo também. Sempre me pego a espreita, de vigia nos ponteiros do relógio. É um tic tac de aflição, ele gira, sem parar. Mesmo que eu tire suas energias, ele passa, ele passa, só porque tem que passar, e esta é sua única função. No mesmo passo, ele vai, sem voltar, sem olhar pra trás, incansável, destemido. Pensando bem, eu gostaria de ter um pouco de ponteiro de relógio.
Há em tudo o que fazemos
no nosso comportamento
nas nossas atitudes
um motivo, uma razão
mesmo que inconsciente
do que somos
do que queremos
do que evitamos
e do que encaramos.
Há em nós
toda uma particularidade
que pode ser vista em milhares de outros
ser parecida
mas é única em nós mesmos.
E quando se olha para si
é que se enxerga
e se encara
nosso verdadeiro ser no mundo.
E só então
é que decidimos
o que vai continuar
o que vai ficar
o que vai mudar
o que vai morrer
o que vai viver.
Mas enquanto esse impacto não acontece
a gente vai passando
a pele enrugando
e a vida se perdendo.
Que não seja tarde!
Que não morra o pensamento
nem o desejo
tão singular, tão perfeito
e tão esquecido, às vezes.