Setembrisse
Há em mim uma agonia abrandada
Um ar indecente, instigante, polêmico
Um cheiro de álamo com ar excêntrico
Quando chega setembro voo aflorada
Pelas alvoradas me repagino matutina
Feito um pássaro da manhã mais libertina
Eu me reapaixono por minha pessoa
Me sinto gaivota sobre o mar que avoa
Então eu me setembro em setembrisse
Feito as águas arroladas em crispadura
Igual Hilda Hilst libertada em amavisse
Me beijo aspirante primaveral
Velejo flutuante além do meu portal
Me oceano e me faço vergéis frutíferos
Me amo tanto em jardins paradisíacos...
Nos desejos é onde libero mea-culpa
Dissicuto minha alma sem culpa d’utopia
Em setembro me primavero liberta
Relembro os ciclos me reitero poeta
Me reciclo em finura me rabisco poesia
Amor e loucura a setembrisse me planta
Ah!... Setembro floreiro que de flor me amanta...
Deixe ler teu signo tatuado na lua
Tua boca de falua nauta
Teu sabor de vinho tinto
Teus olhos de argonauta
Deixe ver no teu olhar terreno
de romanceiro boêmio
Sob o sereno da madrugada
As vaga do mar...
Deixe-me ancorar
Em teu porto marinheiro
E acordar com as marés.
Que o amor nos ENLEVE
porque Amor é encantamento
e a vida é crua e BREVE
Que o vento leve o que te faz sofrer
e te livre de apoquentamento
Que o amor EMBEVEÇA
para que o destino seja legível
todo sonho mesmo intangível
seja possível de acontecer
Que o amor nos EMBALE
deixe que o tempo por si fale
que a língua sabida SILENCIE
para que a vida lida
seja linda e aprecie
qual uma rima remime o anverso
seja sempre o elemento PRINCIPAL
Que o amor nos SUBLIME
ao espargir seja ATEMPORAL
para sempre unir em POESIA
e saber esse é o FEITIÇO
a melhor FILOSOFIA
por isso
UNA ALMA Amor dá SUPREMACIA.
Beijos de Poesia
Olhar a vida despida
de alguma fantasia tecida
em trama de nós
Carecemos de viver
e sonhar para prosseguir
Atravessar nosso vale de lágrimas, dispersar os dramas
E saber os Sóis...
Quais girassóis florir abridos sorridentes.
Ao alvorar
Quando o sol já nascido
Vem me ver de fantasia despido
Traz consigo um litro e meio de poesia
Um favo de mel e um pedaço de pão
Traz tua boca de veraneio
E o coração cheio de amor.
Corruíra no alecrim
Suspiro com teu cântico sem fim...
Com teu refrão passarinho
Sussurrante dá à brisa o frescor...
Deliro ver-te recitar ao vento
Enche meu pensamento de amor.
Assumida autora...
Sonhadora dos alvorares
Aspirante a passarinho voejador
Que pousam nos pessegueiros e tantos pomares.
Bichos de penas favorecidos com seus plumares e cantares em plumados de amor.
Incomunicável
Feitas as almas ermitãs
Desassociadas e vãs
Numa sociedade alternativa
Mais um fator associativo
Nada muda nessa operação
Onde está o amor...
De quem é mesmo esse coração?
Digo que amo-me
Para não dizer-te
Amo-te então...