Essa perfeição que exalas
que invade as casas e as salas
os bairros e os quarteirões.
Denunciam uma alma abalada
da verdade, desgarrada,
presa no próprio porão.
Tua vida não é um teatro
não és perfeita, de fato...
quebra as grades de tua prisão.
A casa de nossos Avós,
ou a casa de nossos Pais,
sem eles perdem o encanto,
nem deviam existir mais.
Lá, morre-se todos os dias,
sem um minuto de paz.
Somos espectadores
Nem sempre privilegiados,
Espectadores da vida
E tudo que não é encenado.
Por vezes trocamos de lado
E viramos os diretores
Somos também malfeitores,
Quando as coisas dão errado.
O certo, o inquestionável,
É que não haverá outro ato
Nesse espetáculo da vida
Morre-se dentro do teatro.
É só isso...
Sem floreios
Sem duendes
Sem seres alado.
E só isso...
Um ir e vir
Um vir e partir
Um eterno esperar.
Uma imagem
Uma ficção
Uma crença
Um não.
É só isso.
Somos repletos de planos
verdades e desenganos
acertos e contradições.
Somos a imperfeição inquieta
a mente fecunda e aberta
certezas e frustrações.
Somos o alvo e o arqueiro
os medos e os receios
a eterna e infinita procura,
Somos o mal, somos a cura.
Somos nós, os criadores...
Das alegrias, das dores
Benesses e frustrações.
Somos luz na escuridão
A brisa, a calmaria
A tormenta e a prisão.
Somos o punhal, a adaga
A flecha e a espada
A cicatriz, o perdão.