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Frases de Sidney Silveira

1.356 frases

⁠"A saúde histórica de um país se mede por certa uniformidade de opiniões dos seus cidadãos, no decorrer do tempo. O pluralismo, em contrapartida, é o termômetro da perda decisiva de identidade, em qualquer comunidade humana; o triunfo da estupidez sobre o bom senso; a vitória da…
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⁠"A saúde histórica de um país se mede por certa uniformidade de opiniões dos seus cidadãos, no decorrer do tempo. O pluralismo, em contrapartida, é o termômetro da perda decisiva de identidade, em qualquer comunidade humana; o triunfo da estupidez sobre o bom senso; a vitória da Revolução sobre a História; o motor da multiplicação das leis e conseqüente agigantamento do Estado. Que civilização foi erguida sobre o pluralismo de gostos e de idéias? Nenhuma. Apaixonado pela pluralidade – que imagina ser fruto da liberdade de consciência dos indivíduos –, o homem embriagado pela mentalidade liberal não percebe que a tirania estatal, nalguma de suas infinitas formas, é o fim inexorável das idéias que defende".

⁠"A boa formação do caráter pressupõe que a vontade transite do mundo das imagens para o mundo das idéias, transcenda à imaginação e alcance a razão formal de ser das coisas. Caso contrário, a pessoa é derrotada por emoções que usurpam o lugar da inteligência e lhe desfiguram a…
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⁠"A boa formação do caráter pressupõe que a vontade transite do mundo das imagens para o mundo das idéias, transcenda à imaginação e alcance a razão formal de ser das coisas. Caso contrário, a pessoa é derrotada por emoções que usurpam o lugar da inteligência e lhe desfiguram a personalidade".

⁠"A consciência do caos adquire sentido maior quando para além do caos se vislumbra uma ordem superior – eterna, imutável. Em breves termos, as épocas caóticas da história humana só são superadas quando uma pequena parcela de homens contemplativos se mantém firme em sua adesão a…
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⁠"A consciência do caos adquire sentido maior quando para além do caos se vislumbra uma ordem superior – eterna, imutável. Em breves termos, as épocas caóticas da história humana só são superadas quando uma pequena parcela de homens contemplativos se mantém firme em sua adesão a princípios inegociáveis, sofrendo o peso das maldades, dos ultrajes, da desonra, da violência imperante, da tirania e nalguns casos da morte infamante. Os que, estando no caos, enxergam pouco ou nada dos problemas de sua própria época tendem a desesperar-se, cedo ou tarde. É da minoria sofredora por não negociar a verdade que uma sociedade depravada se abre à possibilidade de reerguer-se. Vivemos num período de imenso caos, e a sua cura – se isto estiver nos desígnios da Providência – não poderá vir da iniciativa de pessoas incapazes de ir às causas profundas das desgraças sociais. Não são os Neros e Calígulas, mas os Boécios e Agostinhos que têm o condão de trazer luzes para onde só há trevas políticas, morais, espirituais. O mal não se cura por si mesmo".

⁠"A lealdade é filha da veracidade. Quem não é veraz jamais conseguirá ser leal. Noutras palavras, alguém que não tenha a verdade como critério pode, no máximo, ser leal a uma causa — nunca a uma pessoa. Ocorre que essa lealdade a grupos em detrimento dos indivíduos objetivament…
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⁠"A lealdade é filha da veracidade. Quem não é veraz jamais conseguirá ser leal. Noutras palavras, alguém que não tenha a verdade como critério pode, no máximo, ser leal a uma causa — nunca a uma pessoa. Ocorre que essa lealdade a grupos em detrimento dos indivíduos objetivamente considerados é tão falsa quanto uma nota de três dólares, pois não se funda na amizade, que tende à perdurabilidade, e sim no interesse, que tende à inconstância. Em suma, não é lícito ser desleal nem mesmo para com os inimigos, pelo simples fato de que a deslealdade é balizada pela simulação de veracidade à qual chamamos hipocrisia. Sendo assim, ainda que o inimigo seja um "demônio", nenhuma justificativa há para jogar sujo com ele, pois quem assim procede acaba assemelhando-se ao que de pior tem o inimigo. O melhor é enfrentá-lo face a face, mas sem expedientes escusos, ou afastar-se levando n'alma o aprendizado possível. E aqui não confundamos estratagemas com vale-tudo maquiavélico: existem limites morais nas contendas, ultrapassados os quais é melhor perder que vencer. Sabemos disso desde Sócrates. Como a veracidade decorre da virtude cardeal da justiça, o homem leal, sendo verdadeiro, "a fortiori" precisa também ser minimamente justo. Mas não pode ser justo quem substitui as amizades reais por ações programáticas em prol de um suposto objetivo coletivo, pois o ato próprio da justiça é dar a cada um conforme os seus merecimentos, e não dobrar-se — numa espécie de "amém" cego — aos projetos de um grupo, qualquer que seja, e por presumivelmente bom que seja. Quem faz isso, cedo ou tarde, acaba por cometer perjúrio contra o próximo para demonstrar lealdade ao grupo. A pessoa que conjuga demasiada e artificialmente o "nós", acaba por desprezar o "eu" e o "tu", retirando das costas, por meio de justificativas mil, as responsabilidades pessoais para lançá-las sobre o primeiro bode expiatório que estiver à mão. Seja como for, apenas quem crê em Deus entende o alcance da proposição "não devemos ser desleais nem mesmo com os nossos inimigos", pois o pressuposto dela é o dever de lealdade para com Aquele de quem procedem todas as verdades. Ou isso, ou a trôpega e vertiginosa descida pelos degraus da demagogia. Ou isso, ou os acordos obscuros em vista de objetivos em geral funestos, como seja, por exemplo, o de destruir a honra alheia, direta ou indiretamente, ainda que buscando explicações sofisticadas para as mais vergonhosas ações. Umas vezes, ser leal é a conquista do homem em luta titânica contra as suas próprias fraquezas. Outras vezes, é dádiva do céu. Dádiva que, se ainda não recebemos, podemos e devemos pedir em súplice oração. Porque a genuína lealdade de um homem em relação ao seu próximo — seja amigo ou inimigo — é o prêmio da confiança em Deus".

⁠"A obstinacão do homem estúpido é cegueira; a do inteligente, maldade. A diferença entre ambos é a que existe entre o fraco e o malicioso: este último destruiu em sua própria alma as precondições psíquicas necessárias ao arrependimento; o outro, ainda não. Por isso, dizia Santia…
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⁠"A obstinacão do homem estúpido é cegueira; a do inteligente, maldade. A diferença entre ambos é a que existe entre o fraco e o malicioso: este último destruiu em sua própria alma as precondições psíquicas necessárias ao arrependimento; o outro, ainda não. Por isso, dizia Santiago Ramírez – filósofo e teólogo notável, maior estudioso da "analogia entis" no século XX – que a remissibilidade de quem se afunda na malícia é um milagre extraordinário. Assistir à obstinacão do malicioso é contemplar os mecanismos espirituais da perdição, que fazem desta vida um inferno e levam ao inferno na outra. A constância do santo é a de quem aceita a luz; a pertinácia do empedernido é a de quem a recusa. Em sentido estrito, o soberbo é o maior dos idiotas, pois, ao valorizar demasiado o que tem, perde o que de melhor poderia vir a ter".

⁠"Santa paciência não é supina estupidez. A paciência é a virtude moral auxiliar da virtude cardeal da fortaleza. Seu papel é o de manter o bem da razão no meio da tristeza e do sofrimento. Não erra, pois, quem imagina que o impaciente é ordinariamente derrotado pela tristeza.…
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⁠"Santa paciência não é supina estupidez. A paciência é a virtude moral auxiliar da virtude cardeal da fortaleza. Seu papel é o de manter o bem da razão no meio da tristeza e do sofrimento. Não erra, pois, quem imagina que o impaciente é ordinariamente derrotado pela tristeza. Uma pessoa exerce a paciência sobretudo com os que lhe são próximos: familiares, amigos e colegas de trabalho. Este sofrer virtuoso, que é a paciência, não implica fechar os olhos com relação a falhas mais ou menos graves de outrem. Afinal, paciência não é sinônimo de fraqueza nem de embotamento mental. Ser paciente não é estabelecer relações de permissividade com manipuladores, vigaristas e susceptíveis. Até os santos impõem limites aos pecadores quando estes exorbitam em matéria grave".

⁠"O demônio odeia com desprezo os que faz cair; e odeia com inveja os que resistem aos seus ataques. Isto porque é próprio do soberbo desprezar os fracos e invejar os fortes. Trata-se, pois, de duas modulações do ódio — facilmente identificáveis nas pessoas orgulhosas com que dep…
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⁠"O demônio odeia com desprezo os que faz cair; e odeia com inveja os que resistem aos seus ataques. Isto porque é próprio do soberbo desprezar os fracos e invejar os fortes. Trata-se, pois, de duas modulações do ódio — facilmente identificáveis nas pessoas orgulhosas com que deparamos ao longo da vida. O procedimento habitual do soberbo para com os fortes é a hipocrisia; para com os fracos, a tirania. Este é um estado de agonia perene, quer nas vitórias, quer nas derrotas. Quando o soberbo vence um confronto, perde porque a vitória não alivia a voragem que o consome espiritual e moralmente; quando perde, perde duas vezes porque a derrota humilha-o".