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Frases de Sidney Silveira

1.356 frases

⁠"A vida é breve, a arte é perdurável e Deus é eterno".
⁠"O genuíno idiota só consegue ter certezas coletivas. As suas verdades são de caráter numérico, razão pela qual sente-se psicologicamente confortável apenas no rebanho a que adere. O idiota sempre eleva a opinião da maioria ao plano das verdades intocáveis, daí ser pessoa inca…
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⁠"O genuíno idiota só consegue ter certezas coletivas. As suas verdades são de caráter numérico, razão pela qual sente-se psicologicamente confortável apenas no rebanho a que adere. O idiota sempre eleva a opinião da maioria ao plano das verdades intocáveis, daí ser pessoa incapaz de real diálogo e grandemente intolerante para com as objeções ou o convívio com os desiguais. Ele conduz qualquer discussão a uma infernal mistura de premissas e assuntos diversos, que reunidos compõem uma massa amorfa e avassaladora à qual é impossível responder detidamente. O idiota é o homem-massa que idolatra a si mesmo ao querer pasteurizar tudo e todos à sua imagem e semelhança. Qualquer certeza — por fundamentada que seja — proclamada por alguém de fora de seu grupo é tida pelo idiota como pretensão desmedida, a ser escarnecida de todas as formas. O espírito de grupo do idiota é a prova material de sua incapacidade de elevar-se ao nível das certezas teoréticas, fruto de reflexões continuadas e paciente estudo. Seu ódio à excelência costuma esconder-se por trás das bandeiras "democráticas" com que tem a sensação vertiginosa do heroísmo e da superioridade moral e intelectual sobre os adversários. Opinar contrariamente às evidências é prática comum do idiota, razão pela qual o melhor que uma pessoa de bom senso deve fazer é não prosseguir jamais na discussão com ele. Seria idiotice imperdoável. O idiota é a prova cabal do mistério que há entre o céu e a terra".

⁠"Os maus, não conhecendo retamente a si mesmos, não podem verdadeiramente amar-se, pois amam o que pensam ser [e não o que são]". SANTO TOMÁS DE AQUINO ("Suma Teológica", II-II, q. 25, art. 7)
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⁠"Os maus, não conhecendo retamente a si mesmos, não podem verdadeiramente amar-se, pois amam o que pensam ser [e não o que são]". SANTO TOMÁS DE AQUINO ("Suma Teológica", II-II, q. 25, art. 7) Algumas premissas e corolários estão implicados no que diz Santo Tomás nesta passagem: (1) há nos maus uma desordem no conhecer e no querer; (2) os maus – a saber, os que ordinariamente não têm reta intenção no agir – estão sempre enredados nalgum tipo de auto-engano, julgando ser o que não são; (3) aos maus está vedada a felicidade, pois ninguém pode ser feliz em desacordo com os dados da realidade; (4) os maus se fazem cegos ao mundo superior dos valores, pois orbitam em torno de conveniências e interesses medíocres, tópicos, autocentrados. Decerto todos nós carregamos zonas de sombra n'alma, no sentido de que nos conhecemos imperfeitamente. Porém o que está aqui em jogo é uma maldade mais decisiva, mais profunda que a do vulgo, um tipo de cegueira mental inviabilizador da pessoa humana. Como diz Garrigou-Lagrange, em seus solilóquios o egoísta elabora pensamentos errôneos a respeito de si mesmo e das demais pessoas, que o levam a uma trágica morte psíquica. Trata-se de um diálogo interior eivado de enganos e conducente à derrota existencial; daí podermos dizer que a tendência da maldade é retroalimentar-se, piorar com o tempo.** O trecho aludido da "Suma" vai além, quando o Aquinate frisa que, por sua vez, os bons, conhecendo-se veramente a si mesmos ("boni autem vere cognoscentes seipsos") alcançam a região de interioridade distintiva da nossa humana condição. São profundos, têm reais dilemas, procuram melhorar os critérios de suas ações e escolhas, etc. No decorrer da vida, o melhor que pode suceder a uma pessoa é ir alcançando aos poucos o estado habitual de veracidade, no qual pode contemplar a realidade com olhos de ver. Neste caso, o sujeito ama não o que pensa ser, mas o que é. Sem isto não há bondade possível. ------------ ** A maldade não é a caricatura dantesca que se costuma fazer dela. No homem, todo e qualquer distanciamento do amor implica distintos graus de maldade. P. S. Numa circunstância como a que me encontro, triturado de maneiras diversas, vejo quão abençoado é ver com clareza os meus próprios desvios ao longo da vida, percebendo quantas vezes não fui tão bom quanto devia ser. E mais: é razoável supor que, se voltasse atrás, provavelmente cometeria os mesmos erros, por fraqueza. O melhor, contudo, é saber que posso pedir a Deus a graça de vencer-me a mim mesmo".

⁠"O ódio da pessoa de boas maneiras é, de todos, não apenas o mais insidioso, mas também o mais resiliente. É o ódio do neurótico que, sob o velame da etiqueta, falseia a própria consciência e ganha terreno livre para destilar a sua peçonha sem culpa. Esse ódio abscôndito, alimen…
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⁠"O ódio da pessoa de boas maneiras é, de todos, não apenas o mais insidioso, mas também o mais resiliente. É o ódio do neurótico que, sob o velame da etiqueta, falseia a própria consciência e ganha terreno livre para destilar a sua peçonha sem culpa. Esse ódio abscôndito, alimentado na sombra e nela mantido por uma espécie de pudor maligno, ainda que se esconda nos meandros da cordialidade, da fala mansa, dos ditos chistosos, das respostas que de ensaiadas acabam por transformar-se em reflexos condicionados, escapole num ou noutro momento de descuido, mostra-se como o furúnculo que expele um pus fétido. Nenhum ódio consegue manter-se em segredo por tempo indeterminado, nem este. A coisa é muito simples: o ódio corrói todos os vernizes, e por que diabos não o faria com o da polidez simulada? Neste mundo que não se pode chamar de paraíso das retas intenções, nunca é demais uma pessoa manter as narinas treinadas para farejar o ódio que busca ocultar-se nos sorrisos, nos tapinhas nas costas, nos elogios".