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Frases de Sandro Sansão

103 frases

haicai Coisa de momento Fechar os olhos e sentir
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haicai Coisa de momento Fechar os olhos e sentir Caricias do vento

Duvida De repente Busquei as cores
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Duvida De repente Busquei as cores Vi que são muitas Assim como os amores Tantas que me casam Tantas e tantas Muitas são A cena se repete As cores aos montes Aparecem Fico na duvida Fico a pensar De repente Novamente Vejo-me aqui Igual a você Sem sair do lugar.

Questionamento Serei eu? Serás tu?
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Questionamento Serei eu? Serás tu? Serão eles? Quem será? Quem poderá saber? O certo ou errado Um novo amanhã Dorme menino, acorda homem! Sente o mundo Sente o caos Não sabe pra onde ir Não sabe o que fazer Não sabe Não sabe Nem que poema irá escrever Seremos nós? Sereis vós? Serão eles? Quem será? Quem poderá saber? Um dia quem sabe A humanidade se entender.

A Vida Entre o Quase e o Aconteceu Existe uma curiosidade sobre a vida que só percebemos quando olhamos para trás. Quando somos crianças, acreditamos que tudo é possível. O mundo parece pequeno diante da nossa imaginação. Um cabo de vassoura vira cavalo, uma caixa de papelão tr…
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A Vida Entre o Quase e o Aconteceu Existe uma curiosidade sobre a vida que só percebemos quando olhamos para trás. Quando somos crianças, acreditamos que tudo é possível. O mundo parece pequeno diante da nossa imaginação. Um cabo de vassoura vira cavalo, uma caixa de papelão transforma-se em castelo, e uma simples tarde de chuva é suficiente para criar aventuras que nem os adultos conseguem compreender. Nessa época, os sonhos não conhecem limites. Queremos ser astronautas, jogadores de futebol, cantores, heróis ou qualquer coisa que nos faça sentir especiais. O mais bonito é que acreditamos de verdade. Mas o tempo passa. E a infância, sem pedir licença, entrega lugar à adolescência. Talvez seja aí que os primeiros desencontros aconteçam. O espelho começa a mostrar alguém diferente. O coração passa a bater mais forte por motivos desconhecidos. Surge aquele amor impossível pela menina da escola, pelo rapaz da sala ao lado, por alguém que muitas vezes nem sabe da nossa existência. Passamos horas ensaiando palavras que nunca serão ditas. Criamos diálogos perfeitos que jamais acontecem. Vivemos encontros imaginários e colecionamos desencontros reais. Mas seguimos em frente. Porque a juventude tem essa estranha capacidade de transformar decepções em combustível. Então chega a fase em que acreditamos que já sabemos tudo. Escolhemos profissões. Fazemos planos. Desenhamos o futuro como quem traça uma estrada reta em um mapa. Só esquecemos de um detalhe. A vida raramente segue o mapa. Ela prefere os atalhos. As curvas. Os desvios inesperados. Muitos encontram o emprego dos sonhos. Outros descobrem que o emprego dos sonhos não era exatamente aquilo que imaginavam. Há quem encontre o amor cedo. Há quem espere anos por ele. Alguns constroem castelos. Outros precisam aprender a reconstruí-los depois que desabam. E assim vamos colecionando experiências. Os anos passam. Os encontros continuam acontecendo. Novos amigos surgem. Outros seguem caminhos diferentes. Algumas pessoas chegam para ficar. Outras apenas passam, deixando ensinamentos que só compreenderemos muito tempo depois. Também existem as frustrações. A promoção que não veio. O negócio que não deu certo. O namoro que terminou. O projeto que ficou pela metade. A oportunidade perdida por poucos segundos. São momentos difíceis. Porque ninguém cresce imaginando os "nãos" que ouvirá pelo caminho. Mas eles chegam. E quando chegam, doem. Porém existe algo curioso nas derrotas. Elas quase sempre ensinam aquilo que as vitórias nunca conseguem explicar. Então a vida continua. Casamos. Criamos filhos. Mudamos de cidade. Mudamos de opinião. Mudamos de sonhos. E, sem perceber, vamos mudando a nós mesmos. Chega uma fase em que passamos mais tempo lembrando do que planejando. As conversas ficam mais profundas. As prioridades mudam de lugar. Aquilo que parecia indispensável perde importância. E coisas simples passam a valer ouro. Um almoço em família. Uma ligação inesperada. Uma tarde tranquila. Um abraço sincero. Percebemos que a felicidade nunca esteve tão longe quanto imaginávamos. Ela apenas se escondia nos detalhes. Mesmo assim, a vida continua nos surpreendendo. Porque sempre existe algo por acontecer. Um novo amor. Um novo trabalho. Um novo projeto. Uma nova amizade. Uma nova chance. Talvez seja esse o grande segredo. A esperança. Ela é a única companheira que atravessa todas as fases da nossa existência. Está presente na criança que sonha. No adolescente que ama. No jovem que planeja. No adulto que trabalha. E também naquele que já viveu muito e continua acreditando que o amanhã pode ser melhor. A esperança não envelhece. Não se aposenta. Não desiste. Ela permanece sentada em algum canto do coração, esperando o momento certo para nos lembrar que ainda há páginas em branco para serem escritas. E talvez a vida seja exatamente isso. Uma sucessão de encontros e desencontros. De expectativas e frustrações. De planos que dão certo e de caminhos que precisam ser refeitos. Mas, acima de tudo, uma jornada onde a esperança nunca deixa de caminhar ao nosso lado. Porque enquanto houver esperança, sempre existirá um novo capítulo esperando para acontecer. Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

Crônica O Amor Que Muda de Endereço Existe uma verdade sobre pais e filhos que raramente é dita em voz alta.
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Crônica O Amor Que Muda de Endereço Existe uma verdade sobre pais e filhos que raramente é dita em voz alta. Eles se amam muito mais do que conseguem demonstrar. Talvez porque o amor familiar não seja feito apenas de abraços e palavras bonitas. Muitas vezes ele vem disfarçado de preocupação, de cobrança, de conselhos que ninguém pediu e até de discussões que parecem não ter fim. Quando somos crianças, enxergamos nossos pais como gigantes. Eles sabem tudo. Resolvem tudo. Protegem de tudo. Mas o tempo passa. E os gigantes começam a parecer pessoas comuns. Começamos a enxergar seus defeitos, suas limitações, seus erros e suas fraquezas. É justamente aí que surgem os conflitos. Os pais acreditam que os filhos ainda precisam de orientação. Os filhos acreditam que já sabem caminhar sozinhos. E entre uma opinião e outra, muitas palavras deixam de ser ditas. O pai que queria dizer "tenho orgulho de você" acaba perguntando apenas se o trabalho está indo bem. A mãe que desejava dizer "sinto sua falta" limita-se a perguntar se o filho está se alimentando direito. E os filhos, por sua vez, também escondem sentimentos. Querem agradecer. Querem reconhecer. Querem demonstrar carinho. Mas imaginam que ainda haverá tempo. E assim os anos passam. As conversas tornam-se mais curtas. Os encontros mais espaçados. As responsabilidades mais numerosas. A vida segue seu curso. Como sempre segue. Até que um dia acontece algo curioso. Os filhos tornam-se pais. E aquilo que antes parecia exagero começa a fazer sentido. As noites mal dormidas. As preocupações silenciosas. Os medos escondidos. Os conselhos insistentes. Tudo ganha uma nova interpretação. Pela primeira vez, eles conseguem enxergar o mundo pelos olhos de seus próprios pais. Mas a vida ainda guarda outra surpresa. Os netos. Ah, os netos... Eles chegam sem pedir licença e transformam novamente a dinâmica da família. É como se abrissem uma janela que permaneceu fechada durante anos. Aquele pai sério torna-se brincalhão. Aquela mãe exigente transforma-se em uma avó paciente. As regras ficam mais leves. As broncas mais raras. Os abraços mais demorados. E os filhos observam tudo isso em silêncio. Às vezes sorrindo. Às vezes refletindo. Às vezes sentindo uma pontada difícil de explicar. Porque não é inveja. Também não é mágoa. É apenas a percepção de que aquele carinho tão espontâneo talvez tenha existido dentro dos pais o tempo inteiro, mas não encontrou espaço para ser demonstrado daquela forma. Os avós, por sua vez, também mudaram. A experiência ensinou que o tempo corre depressa. Que as oportunidades não voltam. Que algumas palavras deveriam ter sido ditas. Que alguns abraços poderiam ter sido mais longos. E sem perceber, acabam oferecendo aos netos aquilo que a vida lhes ensinou tarde demais. Não porque amem mais os netos do que os filhos. Mas porque aprenderam a amar de maneira diferente. Os filhos observam. Sentem. Refletem. E, no íntimo, compreendem mais do que dizem. Porque a maturidade ensina algo importante: Nem todos os vazios serão preenchidos. Nem todas as explicações chegarão. Nem todos os pedidos de desculpa serão feitos. E está tudo bem. A vida não é uma novela. Não existem roteiristas escrevendo finais perfeitos. Não há música tocando ao fundo quando percebemos nossos erros. Não existe um capítulo seguinte para corrigir cada palavra mal colocada. A vida real é mais simples. E também mais dura. Ela é feita de pessoas imperfeitas tentando acertar. De pais que amam, mas nem sempre sabem demonstrar. De filhos que sentem, mas nem sempre sabem falar. De famílias que carregam cicatrizes e, ainda assim, continuam caminhando juntas. Podemos passar a vida inteira nos torturando pelo que faltou. Ou podemos compreender aquilo que existiu. Porque, apesar dos conflitos, dos desencontros e dos silêncios, o amor sempre esteve lá. Talvez escondido. Talvez desajeitado. Talvez tímido. Mas presente. E quando vemos nossos filhos correndo para os braços dos avós, percebemos uma das maiores lições da existência. O amor não desaparece. Ele apenas muda de forma. Muda de linguagem. Muda de endereço. E continua seguindo seu caminho através das gerações. Talvez não exatamente como gostaríamos. Mas exatamente como a vida permite. E, no final das contas, aprender a aceitar isso também é uma forma de amar. Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

Crônica O Significado do Amor em Sua Plenitude Existe uma palavra que a humanidade tenta explicar desde o começo dos tempos, mas que nunca cabe inteira dentro de nenhuma explicação.
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Crônica O Significado do Amor em Sua Plenitude Existe uma palavra que a humanidade tenta explicar desde o começo dos tempos, mas que nunca cabe inteira dentro de nenhuma explicação. Essa palavra é amor. Ele começa de forma simples, quase invisível, dentro de casa, no silêncio das pequenas atitudes. É o amor de pais para filhos, que se manifesta antes mesmo do primeiro olhar, quando já existe cuidado, espera e proteção. É o amor que não exige retorno, que acorda antes do sol, que se cansa sem desistir, que corrige mesmo com o coração apertado. Depois cresce. Vira o amor entre irmãos, que discute por coisas pequenas, mas que defende com a vida inteira se alguém de fora tentar ferir. Um amor imperfeito na forma, mas absoluto na raiz. Com o tempo, ele alcança os avós. E ali ele ganha outra textura. Mais leve. Mais paciente. Mais silencioso. O amor dos avós não tem pressa. Ele não educa com rigidez, mas com presença. Não cobra tanto, apenas acolhe. É como se o tempo, depois de tudo, finalmente aprendesse a ser gentil. O amor também se estende aos parentes, aos encontros de família, às mesas cheias de vozes misturadas, às histórias repetidas que nunca perdem valor, às risadas que parecem simples, mas carregam gerações inteiras dentro delas. Mas o amor humano, por mais bonito que seja, ainda é incompleto. Ele falha. Ele se cala quando deveria falar. Ele se afasta quando deveria ficar. Ele se perde em mal-entendidos e reencontros tardios. Por isso, talvez o amor mais profundo que se possa conhecer não seja o humano, mas aquele que o inspira. O amor de Deus. Um amor que não depende de merecimento. Um amor que não se esgota com erros. Um amor que não abandona. A Escritura sagrada descreve esse amor como algo que ultrapassa a lógica humana. Em 1 Coríntios 13:4-7, está escrito que o amor “é paciente, é bondoso, não inveja, não se vangloria, não se orgulha… tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Esse é o retrato de um amor que não se desfaz com o tempo, nem se desgasta com as imperfeições da vida. Em João 3:16, encontramos uma das declarações mais profundas já registradas: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” Ali, o amor deixa de ser apenas sentimento e se torna entrega. Se torna sacrifício. Se torna caminho. E talvez por isso o ser humano viva em busca constante de um amor assim. Não porque não ame. Mas porque sente que falta algo que complete o que é sentido aqui dentro. É por isso que o amor é tão desejado. Ele está nos sonhos, nas músicas, nas promessas, nas esperas, nas despedidas e nos reencontros. Está naquilo que foi dito e também no que nunca foi dito. Mas ainda assim sentido. Talvez o amor seja exatamente isso: aquilo que não cabe totalmente em palavras, mas insiste em ser vivido. E mesmo que a humanidade ainda esteja aprendendo a amar, existe algo que não pode ser ignorado. O amor continua tentando florescer. Nas famílias. Nas reconciliações. Nos gestos simples. Nas escolhas difíceis. E até nos silêncios que guardam sentimentos profundos. Talvez ele ainda seja pequeno no mundo. Mas nunca deixou de existir. E enquanto houver alguém capaz de perdoar, de cuidar, de esperar ou simplesmente permanecer, o amor continuará vivo. Porque o amor não é apenas o que sentimos. É aquilo que decidimos ser. E talvez, no fim, seja isso que nos aproxima de Deus: a tentativa constante de amar melhor do que ontem. E seguir acreditando que ainda vale a pena. Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

A Sala de Aula do Mundo Moderno Outro dia me peguei pensando em como a escola mudou. Não falo apenas das lousas digitais, dos computadores, dos aplicativos ou dos celulares que hoje parecem extensão das mãos dos alunos.
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A Sala de Aula do Mundo Moderno Outro dia me peguei pensando em como a escola mudou. Não falo apenas das lousas digitais, dos computadores, dos aplicativos ou dos celulares que hoje parecem extensão das mãos dos alunos. Falo das pessoas. Dos comportamentos. Das responsabilidades. E, principalmente, da forma como passamos a enxergar educação. Pertencente a uma geração que aprendeu que nem sempre a vida diria "sim", confesso que às vezes me sinto um turista perdido visitando o admirável mundo novo. Hoje tudo parece delicado. Tudo parece urgente. Tudo parece motivo para preocupação. Uma palavra mal colocada vira trauma. Uma crítica vira perseguição. Uma cobrança vira opressão. Um conselho vira ofensa. E o simples ato de contrariar alguém pode ser interpretado como um atentado contra a felicidade universal. Não estou dizendo que os problemas emocionais não existam. Eles existem. E merecem atenção, respeito e tratamento sério. Mas também me pergunto se, em alguns casos, não estamos transformando dificuldades normais da vida em diagnósticos automáticos. A tristeza virou doença. A frustração virou síndrome. A ansiedade virou identidade. E a responsabilidade, curiosamente, parece ter desaparecido da conversa. Muitos pais, sobrecarregados pelas próprias rotinas, acabam transferindo para a escola funções que antes pertenciam à família. Esperam que a escola eduque. Ensine limites. Corrija comportamentos. Resolva conflitos. Forme caráter. Desenvolva valores. Enquanto isso, o professor recebe mais uma missão para sua coleção já bastante extensa. Porque o professor moderno não é apenas professor. Ele é educador. Mediador. Conselheiro. Psicólogo informal. Assistente social improvisado. Pacificador de conflitos. Especialista em tecnologia. Preenchedor de relatórios. Participante de reuniões. Executor de projetos. E, quando sobra algum tempo, tenta ensinar a matéria. A escola de antigamente tinha seus defeitos. Muitos. Mas existia uma compreensão mais clara sobre papéis e responsabilidades. Hoje, frequentemente, o professor precisa justificar uma nota, uma advertência, uma cobrança e até mesmo uma orientação pedagógica. A autoridade tornou-se suspeita. A disciplina tornou-se questionável. E a exigência acadêmica muitas vezes parece competir com uma cultura que valoriza resultados rápidos sem esforço proporcional. O mais curioso é que aqueles que raramente entram numa sala de aula costumam ter opiniões muito firmes sobre o trabalho de quem está lá todos os dias. — Professor reclama demais. — Tem muitas férias. — Trabalha poucas horas. Quem diz isso normalmente vê apenas o horário da aula. Não vê as correções. Não vê os planejamentos. Não vê os relatórios. Não vê os cursos. Não vê as formações. Não vê as noites preparando atividades. Não vê os finais de semana organizando conteúdos. Não vê a exaustão silenciosa acumulada ao longo dos anos. E, principalmente, não vê o desgaste emocional. Porque ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento. Ensinar é lidar diariamente com expectativas, conflitos, desafios e realidades completamente diferentes. Há professores que chegam em casa carregando problemas que não cabem nos livros didáticos. Problemas de alunos. Problemas de famílias. Problemas do próprio sistema. Falando em sistema, este merece um capítulo especial. A cada ano surgem novas plataformas. Novos formulários. Novos procedimentos. Novas exigências. Novas metas. Novas estatísticas. Novos indicadores. Parece que tudo muda. Exceto aquilo que realmente deveria melhorar. E assim o professor segue. Preenchendo documentos. Participando de reuniões. Atualizando sistemas. Respondendo questionários. Enquanto tenta encontrar espaço para aquilo que deveria ser o centro de tudo: ensinar. O resultado é um profissional cada vez mais cansado. Mais pressionado. Mais responsabilizado. E, muitas vezes, menos valorizado. Ainda assim, algo impressionante acontece. Apesar de todas as dificuldades, milhares de professores continuam entrando em sala de aula todos os dias. Continuam acreditando. Continuam tentando. Continuam explicando pela décima vez o mesmo conteúdo. Continuam incentivando quem quer aprender. Continuam estendendo a mão para quem precisa. Continuam lutando contra a maré. Talvez porque saibam de uma verdade simples. Sem professores não existem médicos. Não existem engenheiros. Não existem advogados. Não existem cientistas. Não existem administradores. Não existem governantes. Não existe profissão alguma. Todas passam primeiro pela carteira de uma sala de aula. Por isso, quando alguém pergunta se ainda existe solução para a educação, respondo que sim. Mas ela não nascerá de um único decreto, de uma nova plataforma ou de mais um discurso otimista. Ela surgirá quando família, escola, sociedade e governo compreenderem que educar é uma responsabilidade compartilhada. Até lá, o professor continuará fazendo o que sempre fez. Entrará em sala. Respirará fundo. Abrirá o diário. Preparará a aula. E seguirá tentando iluminar caminhos. Mesmo quando o próprio caminho parecer cada vez mais escuro. Autor: Sandro Sansão da Silva Costa

Crônica Campeonato Nacional da Sobrevivência Se o brasileiro colocasse na política metade da paixão que coloca no futebol, talvez o Congresso tivesse comentarista esportivo, VAR e até torcida organizada fiscalizando votação.
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Crônica Campeonato Nacional da Sobrevivência Se o brasileiro colocasse na política metade da paixão que coloca no futebol, talvez o Congresso tivesse comentarista esportivo, VAR e até torcida organizada fiscalizando votação. Imagine a cena: — Foi pênalti ou não foi? — Não sei. Mas a reforma tributária passou sem ninguém perceber. Enquanto isso, milhões de especialistas em escalação discutem durante semanas se o lateral deveria jogar mais avançado, mas não sabem o nome do vereador que ajudaram a eleger. No futebol, o cidadão conhece a tabela de cor, a artilharia completa, os cartões recebidos, os confrontos históricos e até a previsão de chuva para o dia da partida. Já na própria carreira... — Como está seu plano para os próximos cinco anos? — Que plano? — O profissional. — Ah... achei que você estava falando do campeonato. E assim segue a vida. O brasileiro acorda cedo, enfrenta ônibus lotado, trânsito engarrafado, fila, burocracia, boleto, carnê, prestação, taxa, imposto e mais uma coleção de surpresas que parecem surgir diretamente da criatividade nacional. Trabalha de segunda a segunda para, no final do mês, descobrir que o salário entrou na conta apenas para fazer uma visita rápida. Mal chega e já vai embora. As contas fazem festa. O dinheiro nem participa. Mas seria injusto dizer que o povo vive apenas de sofrimento. O brasileiro possui uma habilidade rara: consegue fabricar felicidade com matéria-prima quase inexistente. Faz churrasco com pouco carvão. Faz festa com pouco dinheiro. Faz amizade na fila. Faz piada da própria desgraça. E quando a vida aperta, ainda encontra força para sorrir. Talvez seja por isso que os governantes gostem tanto de oferecer distrações. Afinal, um povo entretido reclama menos. Desde os tempos antigos existe uma fórmula famosa: pão e circo. Por aqui, às vezes falta o pão, mas o circo nunca atrasa. Quando não é futebol, é novela. Quando não é novela, é reality show. Quando não é reality show, aparece alguma polêmica da semana para ocupar a mente de todo mundo. Enquanto isso, os anos passam silenciosamente. Os cabelos embranquecem. Os sonhos envelhecem. As prestações se multiplicam. E a aposentadoria parece um personagem de ficção. Ainda assim, existe algo admirável nisso tudo. Mesmo carregando dificuldades que derrubariam muita gente, o brasileiro continua acreditando no amanhã. Continua ajudando o vizinho. Continua dividindo o pouco que tem. Continua encontrando beleza nas pequenas coisas. No café compartilhado. Na conversa da calçada. No gol marcado aos quarenta e cinco do segundo tempo. No abraço sincero. Na família reunida. Talvez a verdadeira riqueza nunca tenha estado nas contas bancárias. Talvez ela esteja justamente nessa capacidade extraordinária de sobreviver sem perder completamente a alegria. Mas confesso uma coisa. Se um dia o brasileiro resolver acompanhar sua educação, sua profissão e a política com a mesma paixão que acompanha uma final de campeonato, o mundo inteiro vai precisar rever seus conceitos. Porque aí deixaremos de disputar apenas a taça da sobrevivência. E passaremos a jogar a grande final do desenvolvimento. Até lá, seguimos em campo. Entre boletos e esperanças. Entre trabalho e sonhos. Entre migalhas e sorrisos. Porque desistir nunca foi o esporte favorito do brasileiro. Autor: Sandro Sansão da Silva Costa