#TANTO...
Calei-me por ti...
Sem poder, sem querer, calei-me...
Perdi-me no mundo...
Em silêncio segui...
De olhos tristes e cansados...
Por tanto por ti chorar...
O grito em meu peito...
Por tanta incompreensão...
Tu me fizeste sufocar...
De ti o tanto que recebi...
Foi mais mal do que bem...
No muito que recebi...
Pouco fui feliz também...
Mas sobrevivi...
Diante de tudo que experimentei e senti...
À sarjeta, ao lôdo que me jogaste...
Tal qual bela flor renasci...
Pode não ser fácil...
Interpretar o amor...
Meu coração é frágil...
Amigo...
De ti vou para bem longe...
Você não sabe...
O que é sentir tamanha dor...
O meu coração que um dia tiveste...
Agora segue por outros ventos...
Foste apenas uma ilusão...
Em algum momento...
Passou...
Sandro Paschoal Nogueira
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#CONSERVATÓRIA
Sei muito bem do que esse sonho fala...
Quando a moça da cidade...
Veste-se de prata...
E pelas ruas vai seguindo formosa...
Fazendo a todos esquecer do balanço das horas...
As estrelas audaciosas...
Põe-se mais à brilhar...
As miríades fazem festa para lhe acompanhar...
Pouco importa estarem distante ou próximas...
Aos amantes, só amar...
E o menino, cheio da lembrança...
Também a segue pelas ruas...
A magia está no ar...
Um lampião aceso...
A cadeira se faz vaga...
Uma porta que bate...
E o vento assovia...
Põe-se a cantarolar...
A beleza que está guardada...
Que de todos se escondeu...
Também vem à rua...
Perfumando o sonho meu...
Minha alma então viaja...
E volta para o mesmo lugar...
Na velocidade do pensamento...
Sob esse magnífico luar...
Isso é Conservatória...
A Vila das Ruas Sonoras...
Um pedacinho do céu...
Um cantinho meu e todo seu...
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta
#QUEM?
Quem quebrou a minha taça?
Quem derramou o meu vinho?
Quem arrancou minhas flores e as lançou no caminho?
Quem para mim mentiu?
Quem me prometeu a felicidade?
Quem me devolveu o meu amor com tamanha crueldade?
Quem rasgou os meus lençóis de linho?
Será que foi com alguém que por mim não teve carinho?
Quem nunca chorou só à noite?
Em puro desalento...
Quem nunca gritou ao vento,
Expurgando o sofrimento?
Quem nunca nas trevas se escondeu?
Quem nunca pediu que tivesse fim sua vergonha?
Quem nunca se surpreendeu com situação tão medonha?
Quem nunca quis a tudo esquecer?
Quem nunca até mesmo já desejou morrer?
Quando lágrimas tão pesadas...
No coração a rolar tão quentes...
E na face a escorrer?
Quem já sentiu um olhar tão gelado.
Deixando mudo seu espírito...
E o coração descompassado quase em luto?
Oh melancolia...
Profunda tristeza de garras frias...
Por que me calo diante de tanto pecado?
Que me deixa tão desassossegado...
Sandro Paschoal Nogueira
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#AS #PEDRAS #DA #MINHA #VIDA
Ajuntei todas as pedras que vieram sobre mim...
Com algumas construí castelos...
Torres e muralhas...
Com outras...
Depois de um tempo...
Abandonei-as por aí...
Minha vida cresceu entre as pedras...
Pelas estradas que segui...
De meus sonhos...
Nunca desisti...
Entre elas plantei flores...
As reguei com muitas lágrimas...
E por tanto que vivi...
Também tive muitos amores...
Aprendi muitos segredos...
Entre tais, uns da vida...
As pedras também sonham...
Imóveis e caídas...
As mãos que me atiraram pedras...
Para todos eu sorri...
As pedras acabaram...
E mais forte fiquei e estou bem aqui...
O vento conta minha história...
As estrelas testemunham...
E hoje por onde passo...
Sobre as pedras vou seguindo...
Bem sei eu...
Que à vida vou mais amando...
E com ela tendo mais cuidados.
Sandro Paschoal Nogueira
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#MANACÁ
O agora escorre pelos dedos...
O ontem já se fez eternidade...
Junto ao meu manacá...
Lembrando minha tenra idade...
Agora, em desespero urgente e sem destino...
No tempo que urge...
Ponho-me a recordar...
Se em meus delírios...
A tristeza vir me visitar...
No perfume da bela flor...
Irei me banhar...
Assim sendo...
Lembrarei...
Quando a saudade apertar...
Que todos os meus sonhos me conduziram e conduzem...
Ao desejo de eternamente lhe amar...
Ouso ser atrevido...
Dispo-me da pele em que existo...
E em tudo que sou e sinto...
Abrirei meu coração como uma flor...
De singelas e variadas cores...
Lhe darei o meu amor...
Sandro Paschoal Nogueira
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#PEDRA
A verdade vale a vida...
Livre do jugo da mentira...
Despido de ilusões e vaidades...
Não pode dar amor...
Quem nunca amou...
Como fogo que queima sem arder...
Ainda que o medo costure...
Minha vontade de viver...
E que de repente aconteça...
O que sonho e minha alma deseja...
Ninguém nunca sabe o tempo...
Que não o gastemos com lamentos...
Mas com esperança forte e vívida...
Para sentirmos em plenitude ...
Toda a essência da vida...
Amor...
Aqui me dou...
Em tudo que desejo e invento...
Só quero seu merecer...
Contra a pedra...
Que o tempo me transformou...
Sandrinho Chic Chic
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#SAPATOS #DOURADOS
Deixe ir as roupas que não servem...
As roupas remendadas...
Os sapatos apertados...
Os móveis quebrados...
Deixe ir as promessas não cumpridas...
As juras mentirosas...
As palavras repetidas...
Deixe ir o que tira o prazer das noites...
A angústia da rotina de novos dias...
O que atrapalha seu caminhar...
A amizade oca...
A palavra mal dita...
Que mata lentamente nossas fantasias...
Deixe ir os que lhe perseguem...
Aqueles de falsos sorrisos...
Os invejosos...
Falsos amigos...
Deixe-os ir...
Deixe ir as lembranças que machucam...
Deixe ir as histórias de tropeços...
Calce sapatos dourados...
E faça na vida...
Um novo recomeço...
Sandrinho Chic Chic
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#ALMA #TORTA
Quantas gente que ri...
Cuja única vontade é parecer venturosa...
Sendo que muitas possuem...
Apenas uma alma torta...
Ser, já não lhe basta...
O que quer ser e não é...
Através de boca escancarada...
Sorrindo na cólera que disfarça...
Onde a dor mora...
Sua "felicidade" pouco me importa...
Se pudesse ver a si esse espírito que chora...
Que seus sorrisos nada me dizem...
Embora a muitos enganem...
Com sua chaga maldita...
Próprio se devora...
Sempre o cerrado engodo...
De querer parecer belo aos outros...
Bem deves saber...
Se não sabe logo aprenda...
Tudo o que se faz...
Tem retorno...
Sandrinho Chic Chic
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#MINHA #ESTRADA
Creio nos anjos que andam pelo mundo...
Creio num céu futuro...
Creio que os inocentes tem pressa em voar...
E eu aqui, cá comigo...
O hei de fazer senão sonhar?
Indago de mim se eu próprio tenho paixão...
E o que há assim no mundo que responda minha indagação?
Um palavra soprada...
Um flor na sarjeta abandonada
Um supremo silêncio...
Nas ruas obscuras e esquecidas...
Cujos espinhos e sangue dão o rumo à minha vida...
Insondável ilusão...
Felicidade cujo crime espero...
Estranha ansiedade que em mim circula...
Sabe-me o sol...
Testemunha-me a lua...
Alongando minha estrada...
Que nem sequer começou...
Só sei que nesse destino...
Vou atrás do que não sei...
Sonhando...
Um dia de cada vez...
Sandrinho Chic Chic
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#CATIVO
Então, meu destino...
Por fecundo amor à lua...
E o vento vem e tal qual me assombra...
Diante dos deuses profanos...
Sigo em falso desdém...
Sem náuseas e no cio...
A pretexto do frio...
Aflição dos aflitos...
No peito silêncio...
Cessa a alma o grito...
Coisas vãs que o mundo adora...
Começa o instinto...
Não acho o bem que me satisfaça...
Juro pelos céus a fé mais pura...
E a boca, com prazer, em lascívia murmura...
Os olhos requebram...
Então prometo o mais fiel carinho...
Esquento o sangue...
Irriço os pêlos...
E o coração deixa de ser gelo...
A frouxidão no amor é uma ofensa...
Sei disso...
E é esta a diferença...
Eu choro...
Eu me desespero...
Clamo e tremo...
Eu ardo...
Eu gemo...
Quando me entrego...
Tê-me cativo...
Sandrinho Chic Chic
Caminhos de um poeta
#AGUARDO
Na solidão em que sonho contigo...
Saudades dos belos dias...
Sigo agora o meu peito a doer...
Só pelos seus olhos...
Eu posso viver...
Ao menos resta ao sonhador o consolo...
De suas mãos dentro das minhas...
Suspiros, arroubos de nossa paixão...
É doce amar como os anjos...
Se aqui fomos amantes...
Seremos uma única alma no céu...
Se um dia tiveres saudades...
Sabes que desde já estou aqui...
Aguardo noite a noite a lua triste...
Aguardo você em mim...
No amor basta uma noite para fazer de um homem um deus...
Sandrinho Chic Chic
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#NATAL
As estrelas falam para aqueles que se preparam para ouvi-las...
Há rumores por toda parte...
Onde está o Messias ?
Numa gruta...
No bojo de um navio...
Num presépio...
Num presídio...
Na tapera...
Na favela...
No prédio que amanhã será demolido...
O Messias está...
Junto aos enfermos...
Aos desvalidos...
Aos que perderam os sentidos...
Junto aos abandonados...
Apascentando corações cansados...
Estenda sua mão...
Alcance os aflitos...
Veja quantos sofrem com súplicas no olhar...
Para falar do Natal...
Não existem segredos...
Basta olhar para dentro de nós mesmos.
Sandrinho Chic Chic
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#ALTURAS
Vagueia o poeta em sonhos...
Fita o céu, em reflexos, das mais variantes cores...
Lá onde os violoes choram...
Louvando a vida e os muitos amores...
Se um sonho se ergue...
Outro sonho cai...
E nesse eterno vai e vem...
O tempo passa e vai...
Desgraçado do poeta pobre...
Cujo em vida o túmulo o cobre...
Não amou...
Não foi amado...
Pela vida passou...
Ignorou e foi ignorado...
Em redoma ilusória...
Fechou-se em falsa glória...
E agora que o amor se foi...
Ninguém há de contar sua história...
O luar no céu se apagou...
As estrelas todas tombaram...
A terra abriu sua garganta...
E o poeta foi engolido...
E agora aqui, no que lhe digo...
Esse vazio medonho me espreita...
O poeta que um dia também sonhou...
Agora jaz na sarjeta...
Estrela d'Alva...
Imaculada e pura...
Faz-me novamente sonhar...
Erga-me às alturas...
Sandrinho Chic Chic
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#SONHOS
Abro a minha janela...
E olho o infinito céu suspirando...
E peço licença para poder sonhar...
Sonhar em que eu tudo possa ser...
E com meus desejos assim sonhando...
Assim quero viver...
Quero me vestir de estrelas...
Nas alturas, entre às nuvens, poder me esconder...
E seguirei tecendo meus sonhos...
Um mistério a resolver...
Que a vida tenha mais cores...
Que seja uma tranquila fonte...
Onde a mentira não perdura...
E a verdade sendo límpida e bem tranquila...
Sem receios, sem pudores...
Não nos machuque por às vezes ser tão dura...
Quero pegar os raios de sol...
E onde reina a escuridão eu o plantar...
E fazer a esperança estender suas asas...
Assim como sonho...
Que você também possa sonhar...
Não me importo em saber...
Quantas guerras terei que vencer...
E, assim, que seja lá como for...
Quero ver sempre triunfar o amor...
Que a felicidade seja bem doce...
E apareça para todos aqueles que choram...
Que o futuro seja mais brilhante...
Só vivemos uma vez...
Só temos uma chance...
A ilusão quando se desfaz...
Dói no coração de quem sonhou demais...
A vida é tão curta...
Precioso diamante...
E o belo um dia também morre...
E sonhando como sonho agora...
Alcançaremos a eternidade...
Sandrinho Chic Chic
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#A #DAMA #PRATEADA
Em minha rua, ao anoitecer...
Há tal melancolia...
Que desperta em mim o desejo de sofrer...
Sentado à mesa em um bar devasso...
Lhe contemplo dama prateada...
Nas vertigens do vinho que me encontro...
Perco-me em qualquer abraço...
Nessa Babel em que sobrevivo...
Cantando os amores...
Escondendo os conflitos...
Em tudo o que sinto...
Sinto-me cada vez mais perdido...
Ergo o meu coração aos céus...
E lhe olho suspirando...
Não mais me reconheço...
Sou total abandono...
Tantos se foram...
E tão poucos chegaram...
Atrás de meu pálido sorriso me escondo...
Disfarçando meu embaraço...
Se fosse, por acaso, por ti contemplado...
Apenas um desejo eu queria...
Em poder mudar minha sorte...
Ter aqui ao meu lado...
Os muitos que amei...
E por quem muito fui amado...
Mas o tempo é ingrato...
E lentamente se esvai...
Amanhã já não mais estarás no céu...
E eu aqui continuarei com meus ais...
Sandrinho Chic Chic
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#ESQUINAS
São tantas as esquinas...
Mas vai ser é só isso...
Bater a porta e sair por aí...
Se perder querendo encontrar-se...
Deixar-se possuir...
Um coração a ser entregue...
Para quem não quer...
Um sorriso...
Parar de enganar-me...
Quantas esquinas eu ainda vou precisar dobrar?
A noite está fria...
Esquinas e cantos de minha alma...vazia...
Miserável vida a quem devo meus tormentos...
E em sonhos...
Esperança ainda vive...
Deixando meus rastros de solidão...
Fechei os olhos, diante do medo...
Fui me deixando, sombra...
Meu coração teima em dizer: te amo...
Sigo no proibido...
O ridículo também deve ser vivido...
Abro um sorriso para o tempo...
Insistente em passar...
Só eu sei...
Imagino o que será...
Sigo...
Nas esquinas, nos bares... nas ruas...
Tendo a lua a me acompanhar...
Sandro Nogueira
Caminhos de um poeta
#QUEM ?
Quem me deu asas para sonhar?
Quem olhou em meus olhos e me apontou a direção do céu?
Aos astros me ensinou a olhar?
Quem me deu o mundo e as suas ilusões mortas?
Me pegou pela mão e junto a mim caminhou...
Corremos em verdes prados e na esquina me ensinou a decepção?
Quem roubou meus beijos?
Encheu-me de desejos?
Brincou com meus sentimentos?
Jogou-me ao esquecimento?
Dizendo me amar?
Quem me envolveu e não sabendo o que sentia agora também não sabe o que sou?
Quem muito me mentiu e causo-me tamanha dor?
Quem foi que me fez entregar-me de corpo, alma, coração aberto?
Me ensinou os caminhos do amor...
E agora...que tudo acabou...
O pouco que me resta...
O pouco sou...
Tenho fome, tenho sede do infinito...
E escondendo o meu grito...
Descobrindo a esperança, Descortinando a mentira...
Não sei por onde ando e nem para onde vou...
Sandro Paschoal Nogueira
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No dia de #Santa #Bárbara uma homenagem a ...
#OYÁ
Eloyá obá xirê obá salerojá, Eloyá!
Arrancado a ferro e fogo...
Na poeira fui ao chão...
Em meu peito o grito de quem vive...
Eparrei... OYÁ...
Me dê sua mão...
Liberdade perdida...
Na alma muitas feridas...
Implorei e fui ouvido...
E o vento soprou...
Um búfalo cruzou os prados...
Soprou forte um vento diferente..
Um corisco riscou o céu...
Fechei os olhos para ver...
A grande guerreira OYÁ...
Veio tirar meu sofrer...
É preciso coragem para lutar...
OYÁ é vento que espalha...
OYÁ é vento que junta...
Cuida de mim em meus descaminhos...
OYÁ chegou...
Sandro Paschoal Nogueira
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#VIVER
Viver...
E celebrar a vida...
De corpo e alma...
De forma desejada e querida...
Cercado de flores...
Sem máscaras de cêras...
De muitos amores...
Sem cercas...
Nos sonhos ser um errante...
Abrir suas asas...
Alçar aos céus...
Intensamente...
Viver mais simples...
E de forma ardente...
Amante exemplar...
Sendo feliz somente...
Desde a aurora que enlaça...
À noite que abraça...
Porquanto, bem se satisfaça...
Simplesmente viver...
Sandro Paschoal Nogueira
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#OLHOS
Minha alma procura-me...
Sou do tamanho de que me vejo...
Uma vida que é vivida...
Outra no erguer das asas a sonhar...
Quanto mais compreendo...
Menos me sinto compreendido...
Em tudo que aspiro e sinto...
Permaneço em silêncio apenas a olhar...
Vejo uma infinidade de mistério...
A vida passa...
Passa e não fica...
Nada deixa...
Não irá regressar...
E eu a ela ligado...
Sobre a terra...
Debaixo do céu...
Inquietação profunda...
Faz abrigo em meu peito...
De muitas coisas, desejos...
Encostado às esquinas...
Aos olhos com que sonho olhando...
Dos encantos pensamentos...
Sigo ao vento vivendo...
Sandro Paschoal Nogueira
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#DESVALIDO
Os pés sujos...
A alma triste...
Se há esperança...
Onde está?
No gole da cachaça...
Na bagana fumada...
Nos tempos de criança...
Na alma cansada...
As roupas são um trapo...
Encardidas, mal cheirosas...
Na pele enrugada...
A face da desesperança...
Será que é amado?
Ou somente suportado?
Por alguém tão igual...
Por alguém desigual...
Deixa acontecer...
Ponto final...
O vento traz as palavras...
Tamanha humilhação...
Brilho nos olhos perdidos...
Alguém lhe tem consideração?
Não é ninguém...
Para morrer basta estar vivo...
Para alguém...
Talvez faça falta...
Mas nessa noite malfadada...
Acalenta suas esperanças...
Na marvada cana...
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta
#TRILHA
Ao longe ouço a harmonia do violão magoado...
Enquanto o céu chora suas estrelas...
Contigo ao meu lado...
O destino fia a noite...
A taça transborda...
Loucos, sacudimos nossa alma...
São esses os mistérios da terra...
Que nos chama...
Traz o vento um longínquo perfume...
Inebriando nossa imaginação...
Relembrando-me os tempos de menino...
Cheio de pureza o coração...
Tempos idos...
Lembranças louras...
Nesse instante o passado em mim suspira...
Meu espírito estremece de alegria...
E seguimos juntos durante a noite...
Nossa trilha...
Sandro Paschoal Nogueira
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.
#PLATÔNICO
O meu amor é o meu maior segredo...
Que perdido foi bem cedo...
Pelo olhar do mundo foi devassado...
Hoje só me resta o medo...
Minha alma agora se consome...
Amando menos do que parece...
E fatigado ando...
Com um buraco no peito...
Minhas lágrimas juntam-se às minhas preces...
Como quisesse livre ser...
Ruas, vielas, nuvens percorro...
Sonhando com você...
Quando o sol morre...
Aos céus eu alço...
Junto as miríades caminho...
E solitário me encontro...
De olhar vago...
Espírito perdido...
Da luz do amor fui privado...
Meu coração que sofre separado...
Por não lhe ter aqui ao meu lado...
Sandro Paschoal Nogueira
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#DESABITADO
Prazeres acomodados...
Gostos passados...
Amanhã já não vê...
É mofado o desejo...
Vive por viver...
De esperança em esperança...
Ansiando mudanças...
O brilho foi apagando...
Hoje já não sonha...
Não sabe mais o que fazer...
Quando a vida passa...
Lentamente se escassa...
E logo a maior vontade...
Morre...
Ferida que dói...
Que a alma corrói...
Andar solitário entre gente...
Acostumando, nem sente...
Achando-se diferente...
Nem percebe estar doente...
Um não sei o quê...
Sem saber porquê...
Então se esconde...
Mudando o ser...
Do mal ficam as mágoas e as lembranças...
Do bem, só a saudade...
O tempo sobre os ombros fica pesado...
Sofre sem perceber...
Enfim...
Converte em choro o canto...
O lamento é seu hino...
Há muito está morta a criança...
Sua luz apagou...
Seu sorriso e lágrimas secaram...
Plantou terrível destino...
Em si já não pode descansar...
O que lhe resta...
Ninguém pode explicar...
Sandro Paschoal Nogueira
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