Pare de dizer que não é bonita, menina.
Sua beleza está além do que reflete no espelho.
Está na hora de parar de dizer que não é feliz.
Sua felicidade não é seu estado de espírito.
Basta de dizer que não tem charme.
Seu charme está naquilo que me provoca mordidinha nos lábios.
E não me diga mais que é uma garota tímida.
Timidez é algo que se evapora no calor provocado entre quatro paredes.
Talvez eu goste sim de ser aplaudida.
Então...
Me aplauda interiormente quando meu toque te estremecer...
Me aplauda mentalmente quando eu conseguir mexer com sua cabeça.
Me aplauda bem devasso quando meus gemidos arrepiarem seu corpo.
Me aplauda com o olhar quando a ternura dos meus olhos penetrarem os seus.
Me aplauda com os lábios quando os meus sussurrarem aos teus ouvidos.
Me aplauda com as mãos quando minhas mãos te levarem à loucura!
Me aplauda com o coração quando o que sair do meu tiver o poder de tocar o seu!!!
Sou menina pequena, mas não pequena e insegura.
Sou segura dos meus atos.
Sou segura dos meus amores.
Sou segura dos meus sonhos.
Sou segura em minhas palavras.
Sou segura do que escrevo e até do que apago.
Mas, me pego insegura quando trata-se de segurança, pois o que fazia de mim um ser seguro era o tempo em que seguramente eu me perdia na segurança dos seus fortes braços.
Na ausência de um rio, faço de ti meu oceano.
Na ausência de um verso, faço de ti o meu poema.
Na ausência de uma nota, faço de ti minha canção.
Não havendo oceano, poema ou canção eu mergulho em ti, decoro-te e posso te entoar.
Ou mesmo só havendo uma gota, uma palavra ou uma letra, o resto eu crio. Pois sua simples respiração me faz juntar tudo o que parece ser nada e recriar, te recriar, me recriar.
Seu jeito difícil me faz te desejar ainda mais.
Seu jeito tímido e vergonhoso me encanta!
Olhar seu sorriso, seus lábios e suas mãos me despertam pensamentos devassos, que fazem meu corpo queimar e ao mesmo tempo arrepiar.
Ah! Se você pudesse ouvir meu silêncio, ao certo você ouviria meu corpo te chamando.
Chega uma hora em que a gente se cansa, se silencia...
E vê que é hora de se rever.
E vê que é hora de olhar pra dentro de si.
É hora de se decidir se vale mesmo a pena o fato de se dar.
É hora de botar tudo na balança...
Não pra saber o que é mais pesado ou mais leve, mas pra se equilibrar e saber viver de maneira leve independente do que a gente leve...
Deixei em suas mãos um lápis e um papel com nossa história escrita.
Quero que você a releia até o fim...
Aliás, ela não teve fim ainda. Mas, está em suas mãos.
Ao reler nossa história tente revivê-la, e a partir do que você ler, crie uma continuidade, pois eu só deixei reticências.
Se não puder continuar, pontue com o ponto final, mas se você não puder fazê-lo, devolva meu lápis e me dê um papel em branco.
Não para o rascunho.
Pra eu recomeçar!!!
Esvaziar o baú do passado, tirar o pó do que restou.
Livrar-me das bagagens com o peso de um nada.
Remontar tudo.
Recomeçar!!!
Partir do zero rumo a uma nova e infinita jornada...
O que seus lábios dizem de você?
Falam de sua essência?
De sua excelência?
De sua inocência?
Seus lábios mostram o quê a seu respeito?
Mostram sua inteligência?
Sua decadência?
Sua impotência?
O que seus lábios transmitem?
Eles transmitem clareza?
Nobreza?
Tristeza?
O que seus lábios refletem?
Refletem uma pintura na tela?
uma fala singela?
Ou apenas uma boca bela?
Seus lábios são a porta do seu interior íntegro!
Use-os com a excelência da sabedoria e da exatidão.
Caso contrário, serão apenas um sino sem o badalo, um violão sem as cordas, um relógio sem ponteiros, uma flauta sem o sopro, ou meramente qualquer outro instrumento sem alguém que lhe toque e lhe dê vida...
E que seus lábios fechados não calem sua voz interior e que abertos não façam nada além de emitir a sonoridade única e exclusiva daquilo que revele você!
Me perdi nos teus olhos e me encontrei na ternura do seu olhar.
Me perdi nos teus lábios e me encontrei no sussurro da sua voz.
Me perdi em seus devaneios e me encontrei em nossos encantos.
Me perdi em seus cabelos e me encontrei despenteada.
Me perdi toda em você.
Perdi você!!!
E depois disso, em mais nada me encontrei...
Bom seria se tudo fosse como no tempo em que éramos crianças, tempo em que o choro cessava com um simples "engole esse choro, menina".
Ah, quem me dera isso agora!
Era tão mais fácil quando um simples "chora não, vem brincar" interrompia o soluço...
Mas, a vida não é bem assim.
O tempo passa... a gente cresce. Tudo se modifica! Tudo se solidifica.Tudo se desfaz!
E hoje, tudo que quero é poder dizer à mim mesma : "não sonhe essa noite" e não sonhar... e sentir nisso pelo menos o sabor do "engole esse choro, menina" e
acordar com a sensação de soluço interrompido.
Porque aqui dentro, como adulta eu me devoro, e como inocente busco pela paz que outrora naquele colo encontrei...
Peguei você sussurrando a canção que compus.
E no espelho, à meia luz você se produz.
Seu batom vermelho intensamente me seduz.
E mesmo sem saber, em mim você se introduz.
Meu lado santo à nada se reduz.
A mulher devassa em mim se reluz.
Seu jeitinho de menina me conduz.
Suas pernas tremem com o efeito do que lhe propus.
Em minha mente um filme se reproduz.
Vem sussurrar no meu ouvido. Vem?
Produza-se!
Seduza-me!
Introduza-se!
Que eu me reduza aos seus pés e como a lua eu me reluza!
Conduza-me.
Achegue-se menina!
E mostre-me essas pernas trêmulas de garota tímida.
Reproduza-se como um filme sempre que eu quiser lhe assistir...
Seja minha. Seja sempre minha inspiração para aquela hora mais sacana.
Seja sempre minha inspiração também para a hora do Amor!!!