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Frases de Rosário Bissueque

147 frases

⁠Visto que a democracia é uma construção, onde estão as mãos responsáveis pelo alicerce?
⁠O CROCODILO E O MACACO O Crocodilo, com a boca cheia de dentes afiados, pediu ao Macaco: Junta-te a mim no rio. Juntos podemos controlar a água Macaco, olhando com desconfiança, respondeu: Com a tua boca tão aberta, parece que queres mais a água do que a amizade.
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⁠O CROCODILO E O MACACO O Crocodilo, com a boca cheia de dentes afiados, pediu ao Macaco: Junta-te a mim no rio. Juntos podemos controlar a água Macaco, olhando com desconfiança, respondeu: Com a tua boca tão aberta, parece que queres mais a água do que a amizade. O Crocodilo, sorrindo maliciosamente, tentou persuadi-lo, mas o Macaco, esperto, afastou-se. Eu não temo a água, mas temerei sempre a tua natureza, disse o Macaco. A lição ficou clara: nunca se deve confiar em quem tem a natureza de devorar.

⁠ Hoje é Dia do Livro. Aquele objecto cheio de letras que muita gente só compra para decorar a estante ou posar para fotos com ar inteligente. É também o Dia dos Direitos Autorais, que serve para lembrar que copiar o trabalho dos outros sem dar crédito não é criatividade, é preg…
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⁠ Hoje é Dia do Livro. Aquele objecto cheio de letras que muita gente só compra para decorar a estante ou posar para fotos com ar inteligente. É também o Dia dos Direitos Autorais, que serve para lembrar que copiar o trabalho dos outros sem dar crédito não é criatividade, é preguiça. Mas pronto, neste dia todos fingem que amam livros e respeitam autores. Amanhã? Voltamos às citações mal feitas e aos textos roubados. Rosário Bissueque "Que a poesia continue a ser um meio de libertação"

⁠A ORQUESTRA DO INÚTIL Às vezes, tento querer escrever o que esta sociedade pretende dizer, mas logo descobro que ela mesma já se perdeu na vontade de enunciar-se. Não há verbo que a represente, nem sujeito que se assuma. Há, sim, um murmúrio colectivo, um desejo de parecer pens…
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⁠A ORQUESTRA DO INÚTIL Às vezes, tento querer escrever o que esta sociedade pretende dizer, mas logo descobro que ela mesma já se perdeu na vontade de enunciar-se. Não há verbo que a represente, nem sujeito que se assuma. Há, sim, um murmúrio colectivo, um desejo de parecer pensamento. E escrever o que a sociedade quer dizer é como tentar traduzir o silêncio de um homem que aplaude porque os outros já o fazem. É tentar dar nome ao abismo quando o abismo, educadamente, nos pede um autógrafo. E depois só contamos. Contamos quantas horas restam até o próximo. Há quem, por ofício ou desvario, destile notas como se o tempo coubesse inteiro numa só melodia. E fá-lo com tamanha urgência que o silêncio. E depois morre afogado na enxurrada de compassos. E assim, entre a batida e o aplauso comprado, ergue-se o trono de um Rei, não por virtude mas por volume, não por arte mas por frequência. É nobre, sim, o timbre. E há talento disso ninguém duvida, mas até o ouro, quando em demasia, perde o espanto e vira moeda. E a sociedade de ouvidos embotados, aplaude por reflexo. Confunde constância com génio, e quantidade com legado. Ora, família, o excesso também é uma forma de desperdício.

⁠QUEM ME OLHA HOJE Quem me olha hoje não vê o que Namarroi fez. Namarroi é um espelho partido. Mas calma aí, estrangeiro — aqui também há progresso. Entendeu?
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⁠QUEM ME OLHA HOJE Quem me olha hoje não vê o que Namarroi fez. Namarroi é um espelho partido. Mas calma aí, estrangeiro — aqui também há progresso. Entendeu? Uma antena nova; Mais uma estrada bem cavada; Uma estação de rádio sem emissão; Duas selfies ao lado do tribunal; E um lindo discurso de quem nunca cozinhou numa panela de barro. E daí? Daí tive mais ensinamentos: ensinaram-me a ter orgulho da terra. Só faltou uma coisa — não me avisaram que o orgulho também dói, e que até o silêncio protesta. Mas não, meus amigos, Namarroi não nos deve nada. Mas devia-se a si mesma.

⁠ AÍNDA BEM QUE NÃO SOMOS TODOS Você já imaginou se todos fôssemos apenas turistas?
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⁠ AÍNDA BEM QUE NÃO SOMOS TODOS Você já imaginou se todos fôssemos apenas turistas? Só escolheríamos mostrar as partes boas, as paisagens perfeitas, os sorrisos fáceis. Não falaríamos do mendigo que, pela fome, é agredido no mercado por tentar levar um pedaço de carne. Esconderíamos as estradas mal feitas, que não chegam onde deveriam, e as doenças que os hospitais não conseguem curar, apesar dos esforços. Focaríamos nas praças brilhantes e nos monumentos grandiosos, mas jamais mostraríamos as sombras, os cantos esquecidos, as lutas diárias de quem vive nas margens. Ainda bem que não somos todos. Porque como turistas, deixaria de ser nossa missão contar a verdade crua, de expor as feridas da sociedade. Mas é justamente dessas feridas que vem o real aprendizado, a verdadeira transformação. Somos todos, no fundo, mais do que turistas. Somos habitantes, parte de um todo que precisa enxergar além do óbvio, compreender a dor para poder mudar.