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Frases de Rosa Berg

346 frases

CONTRADIÇÃO Amanheci sem previsão de tempo Sem reticências.
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CONTRADIÇÃO Amanheci sem previsão de tempo Sem reticências. Não gosto das reticências. Reticências é o inacabado O avesso O avulso O suplício O impulso O incauto O desengonçado O indefinido. É malandra coleira insônia prisão sinal quebrado Prefiro vírgulas e ponto final Reticências são libertinas Desordeiras Conspiração Desarrumam a imaginação São pausas do sim e do não Reticências são faltas de coragem vestidas pela gala da omissão.

DESABAFO Sentimentos mornos, alma gelada.
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DESABAFO Sentimentos mornos, alma gelada. Brisa lavando, no rosto, o passado quase apagado. Distâncias internas sem rumo, sem pernas. Pele sem perfume, poros sem arrepios. Choro sem vela. Vazio profundo. De sobra, apenas o olhar em busca de conexão com o mundo

PULSAÇÃO Pulsa, desenfreado, o sentimento, que resiste a tempestade,
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PULSAÇÃO Pulsa, desenfreado, o sentimento, que resiste a tempestade, que rouba o momento, que faz sentir culpa, que vira tormento. Pulsa, desenfreada, a paixão, que nasce desprovida de razão, que cresce com sofreguidão, que se faz fonte de inspiração, que desnuda a verdade do coração. Pulsa, desenfreado, o sonho, que camufla a realidade dos dias, que acorda ao sol do meio-dia, que se sustenta em promessas, que a liberdade, aos anseios, sentencia. Pulsa, desenfreada, a coragem, que revela a guerra da inquietação, que racionaliza qualquer emoção, que se agita, chora e grita, que pede socorro para o amor que palpita. Pulsa, desenfreado, o coração, que se convulsiona no sentimento da paixão, que se perde no sonho da inspiração, que acorda no leito da inquietação, que se socorre onde o amor habita.

ALMA ERRANTE Vai-se o tempo, vão-se as horas,
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ALMA ERRANTE Vai-se o tempo, vão-se as horas, vai alma bebada embora. Voa alma, voa sentimentos, voa loucuras e tempestades de agora. São torpedos os passos da alma. São triste os tempos e as lembranças de outrora. São incompreensíveis as saudades perdidas. São dores as lembranças sentidas. Não faz mal se não exitem palavras. Se inexistem respostas para minhas perguntas tortas. Nem sei mais o que sei, o que fui, o que foi o que sou, no que se fizeram as nossas almas, da importância da vida, da importância da história escrita em nossas vidas. Só sei da sua importância pra mim. Da sua falta na minha alma Do vazio dos meus dias. Mas não me importa. Preciso aceitar a derrota. Preciso mudar a rota Preciso voltar a viver

A VIDA EM DOBRADURAS 2 O dia vira noite;
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A VIDA EM DOBRADURAS 2 O dia vira noite; a noite vira dia e eu me viro como posso. 8. Não habite em meu sono, preciso dormir em paz 9. Neuroses e esquisitisses perambulam pelas lacunas existenciais sem testemunhas. 10. Em dados momentos, até Deus duvida de mim Quem sou eu para não duvidar. 11. Entre o se e o não não faço escolha. Corro na contramão só para depois marcar o xis 12. O escuro é puro o medo não O medo mora no escuro. Na escuridão, calafrios, palpitação suores na mão. Ela , no escuro, chora solidão acompanhada. 13. Desbota a blusa no varal exposta ao sol Também desbotam as cores de algumas fotografias e até algumas palavras desbotam Ao anoitecer, desbota o dia.

A VIDA EM DOBRADURAS 1. Embrulho em papel miúdo
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A VIDA EM DOBRADURAS 1. Embrulho em papel miúdo o que perdura: lembranças plurais momentos únicos. 2. O sol me sustenta mastigo as horas do dia a noite me engole em pensamentos. Escrevo poesia. 3. Moras em minhas rasuras sem vestes sem censura o gosto de sua língua já não é mais vontade é fissura 4. Do meu outro lado meu calado meu pecado 5. Em meus pés a bola e o chute pra fora! 6. Se xingo é porque a palavra é solta pela farpa espetada a tapa

FARPAS Passeio pelos meus perigos. Perdi o juízo. Doeu-me o siso. Invalidei o certo. A fortaleza quebrou-se. Esfacelou-se. A ilusão mutiplicou-se em migalhas. Esmigalhou-se. Veracidades derramaram-se pelo chão, imersas nos fragmentos das sobras das personagens desconectas. É mui…
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FARPAS Passeio pelos meus perigos. Perdi o juízo. Doeu-me o siso. Invalidei o certo. A fortaleza quebrou-se. Esfacelou-se. A ilusão mutiplicou-se em migalhas. Esmigalhou-se. Veracidades derramaram-se pelo chão, imersas nos fragmentos das sobras das personagens desconectas. É muita gente ardendo dentro de mim. E eu, uma só. Inúmeras caricaturas. Excesso de criaturas. Todas efervescentes.Indigentes. Suplicantes. Todas sufocantes. Todas fora do tom. Todas passionais. Todas raras. Todas no espelho. Todas à minha cara. Todas me são caras. Todas caras. Todas minhas.

PARINDO A DOR TÁ TUDO DOENDO O dia
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PARINDO A DOR TÁ TUDO DOENDO O dia As horas A vida TÁ TUDO A ausência A saudade O ócio A música do rádio TUDO DOENDO O silencio O trovão O poema O barulho do salto do sapato O perfume DOENDO A lágrima A culpa A desculpa A maçaneta quebrada A opinião TUDO O cabelo molhado A cara lavada A alma extraviada A fala entre os dentes TÁ A falta de limite A invasão A voz estridente A opinião DOENDO A comida sem sal O suco sem açúcar A leitura do jornal TÁ TUDO DOENDO Doendo tá tudo Doendo tá Tudo doendo Tudo tá.

ENTRE MINHAS ASPAS O silêncio escala entre minhas aspas.
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ENTRE MINHAS ASPAS O silêncio escala entre minhas aspas. No meu eu, embala o desconforto itálico das vozes interiores que não se calam em mim. Na frequencia, sem sequencia, das emoções o que sou e o que quero se confundem. E assim, muitas vezes, nesse meu interno labirinto, o silêncio é, por certo, um grito do que sinto.

POEMA MACABRO A morte é cáustica,
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POEMA MACABRO A morte é cáustica, claustro, fóbica. É claustro e fóbica. Singularmente,claustrofóbica. A morte é silêncio O silêncio é ouro O ouro é pó O pó é ético A morte é silêncio, ouro pó e ética. ´ Causticamente, poética!

FUGA Sentimentos livres Dentro dos livros
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FUGA Sentimentos livres Dentro dos livros Em cima de trovas Embrulhados em poemas Sem escolha de temas. Palavras nos espaços Torturas torturam Lembranças lambem beiços Corpo conspira Hora da fuga Alma de asas Coração decola

COLISÃO De repente... tudo se rebela.
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COLISÃO De repente... tudo se rebela. O tom da voz. O canto grave. A tinta da aquarela. O frio do estribilho. O som da pausa. O fio da navalha. No meio do corte... palavras cirúrgias. O veneno. O antídoto. As “palavras sujas”, na saliva salgada, que escorrem e ardem pela boca ensanguentada.