Que a chuva venha em forma de bênçãos
regando os grãos que o seu coração plantou
trazendo a luz para iluminar os seus dias
e trilhando o caminho que o leve ao amor!
Que seja farta a tua mesa,
que a prosperidade esteja sempre em ti...
mas que nunca falte a sutileza
e a sabedoria para o bem do mal discernir...
Que seja intensa a tua forma de amar,
que o teu clamor seja um clarão de paz...
que se formem distantes os redemoinhos,
que o perdão seja um gesto costumaz!
O vinho que em ti derrama
lava os arrebatados sonhos
e embriaga os teus desejos!
O corpo absorve esses profanos pensamentos
sem tempo para a mordida na maçã...
O dia já amanheceu!
Descontraída estava a Mona,
toda lisa e sedutora,
insinuando sensações
com um sorriso abrasador...
Quis desbancar a Vênus,
como sua sucessora,
erotizando os versos pincelados pelo autor!
Já não tenho em mim
o gosto amargo da partida...
Sinto-me leve com a despedida,
pois não mais há motivo pra ficar!
Levo comigo o teu sorriso
numa marca de batom
e deixo pra ti o meu cheiro
que ficou no edredom...
Lembranças de uma noite
em que o dia não amanheceu,
porque o que brilhava estava em nós,
éramos o sol!
Não enchi a taça
com a bebida que você provou...
o seu vinho era seco;
o meu, ameno, tinto suave,
levemente degustado
sem a pressa que acaba uma festa,
quando a ressaca se transforma em dor!
Imersos em minh'alma
estarão sempre os meus versos,
com a fragilidade e ingenuidade de um beija-flor...
batendo as asas e colorindo sonhos
e acreditando sempre que a vida é amor!
Liberte-se de todas as amarras
e esqueça o amargo beijo que a vida lhe deu...
O seu equilíbrio reconduzirá os seus passos,
devolvendo-lhe a paz que um dia você perdeu!
As flores do meu jardim
já não são as mesmas...
Levaram delas o néctar sem pedir licença
e num ato de indecência,
plagiaram a fragrância que a natureza lhes deu!
Molha-me, oh chuva
e enxagua-me de quaisquer intempéries
que madrugaram em mim...
Esperarei o vento brando bater à minha porta
trazendo notícia de que foi só um dia
que amanheceu assim!
Meu grande poeta, talentosíssimo brasileiro...
as pedras que um dia se foram, continuam no caminho
iluminei-me com os teus versos, de janeiro a janeiro,
mas sem você me perco e me sinto tão sozinho!
O teu itinerário poético ainda me inspira,
os diamantes de Minas já não são tão "gerais"...
O nosso lábaro timidamente tremula
pois quem te viveu não esquece jamais!
E, de repente, você acha que tudo está perdido
que o destino é um desatino a te apunhalar...
que o teu momento herói, passou a ser bandido,
que passou a ser antigo o que ia se realizar!
Que o grande amor, já é dor na tua vida,
que o teu mundo começou a desabar,
que não existe mais a fé, nunca esquecida,
que já é ferida a cicatriz de um estagnar!
É quando surge uma luz...
E acalenta a tua alma te dando forças,
concedendo-te o direito de, novamente, ser feliz!
Os nossos corações foram ponteados
e cuidadosamente zelados por uma flor,
que a partir do seu desabrochar
testemunhou e com carinho apadrinhou
uma estória linda, que mesmo sem mais existir,
nunca acabou!
Pelas ruas divaguei meus sonhos,
procurando em cada rosto o brilho do teu olhar...
Semblantes lânguidos misturavam-se aos prantos,
não estava ali o que eu queria encontrar.
Não estava ali o teu sorriso
e a minha incerteza era só mais uma na multidão...
Em passos trôpegos e já de sobreaviso
voltei pra casa e entreguei-me à solidão!
Eu quero o colo da sabedoria,
quero paciência no dia a dia
e sempre alegria no caminhar...
Quero em mim as cores da decência,
o discernimento e a luz da coerência
e a paz na vida festejar!
Na voracidade do breu
um halo em luminosidade se apodera de ti...
Circunda o teu semblante e te faz tão minha,
sem parecer que um dia te perdí!
Você é a luz que nunca se apagará em mim!
Ouço o tanger melódico dos meus lúdicos sonhos
e sigo o canto do aboio que em meu peito mora...
sou a bruma leve, sem cortinas para a vida,
Sou o pontear que ondeia as cordas da viola!
O sol me 'alumia' em claves prateadas
e me cerca num mundo que é meu habitat...
Me envolvo em 'causos', frutos da minha cantoria
e ouço o canto do vento leve, só pra mim assoviar!
Roubaram o nosso "anil"
e nos deixaram "verdes": míseros morimbundos
somos filhos de uma "pátria armada"...
E o amarelo se fez luto:
em nome de um solo, outrora mãe, gentil!
Canção para Kal
Quando a luz do coração
Clareia o brilho de um olhar
É hora de sorrir para as estrelas
E sentir o que elas têm para falar...
É hora de viver o amor, é hora de sentir o amar
E juntos sentir o calor, que juntos sabemos dar.
Tão amena quanto a suavidade das flores
É a fragrância exalada de um corpo em calmaria
Até mesmo nas águas revoltas do mar de Maria...
No abraço das ondas desfrutamos segredos
Que só pertencem a nós, sob a meia-luz de um por do sol
Somos juntos o sal, a maresia, o amar de Maria.