eu sou assim...
sei do tanto que devo ser
serei isto e é só o que tenho
nunca tive e nem nunca terei, tanto aquele sim que desejas
talvez
dentro em breve, brevemente na próxima reencarnação
este assim, deste jeito, sim
serei um certo alguém sim
como as noites urgentes, assim
bem assim da forma inexplorável deste sim ser assim.
O tempo que dura
pouquíssimo
eterno.
o tempo do parco
um espaço alegórico.
eternidade
do muito, muitíssimo tempo
usar este tão pouco tempo, só um pouco de tempo.
tempo do inimaginável.
Naquele exato instante, a única coisa que me restava era o silêncio. Queria compactuar minhas dores, expandindo meu senso crítico, pelas páginas do Talmude, mas o absurdo dialético, estampou sobre o que me restava de sanidade, aqueles sons grotescos de gostos amargos, que habitam minhas ruas, sedentas dos glóbulos arrancados na cidade surtatiana.
O tempo que dura
pouquíssimo
eterno.
o tempo do parco
um espaço alegórico.
eternidade.
tempo do muito, muitíssimo tempo
usar este tão pouco tempo, só um pouco de tempo.
o tempo do inimaginável.
Amanheço na madrugado do sol nascente
um gesto pálido de vida
o céu nublado, negro e mesmo assim
era um dia de vida quase que vivida
há um ipê
fora do tempo, de seu eixo, ainda vivo e florido
é a minha rua
vivo. neste mundo sombrio e rosa, ao sol que nasce
vivenciamos
viver para a vida
além da vida das folhas rosas
viver a vida para a vida
mariar
viver o verbo da vida
vivemos o olhar nublado
viverei, vivendo passariando a vida.
roberto auad
a arquitetura é minha
há um arquiteto para cada mente
mente a arquitetura ludicamente
minto nas curvas impossíveis do objeto
objeto e loucas tardes vertiginosas.
roberto auad
É um amor perdido de todas as ruas
escrito nos passeios sujos da vida
esquecido nos paralelepípedos
sugados pelos bueiros da paixão
amargurado, preso nas esquinas da desilusão
amor
um gesto de tresloucados
insanos
perdidos na imensidão do asfalto cotidiano.
Para que o silêncio
se ele é apenas um pobre inaudível
um espectador das batidas dos corações
um ser abstrato e sofrido das tristezas da respiração
para que
se o barulho da existência é seu eterno retorno
almas fugidias do pulsar ensurdecedor dos globulos
por veias, por vezes maculadas e solitárias.
queres saber da vida, não me perguntes
sou um corpo indigente, numa cova rasa, coberta de cal e terra úmida.
queres atinar do amor, não me indague
sou um mero espectador do sofrimento quotidiano, entre almas enclausuradas por este verbo.
queres saber da morte, não me interpele
sou um daqueles, que lhe tem lúdica, certeza demolidora, para cada corpo deste universo.
há um silêncio no ar
uma quietude avassaladora
tão inquietante, que as nuvens de temor extinguiram-se, deixando um azul celeste apavorante.
emitindo sons inaudíveis,ensurdecedores, congelando os corpos no concreto rarefeito, que se desfazia tacitamente na mudez dos corações um dia aflitos.
desapareceu toda cólera que o rubor do versos marginais declamados numa noite agoniante, acalentava os fluidos despejados por entre, súplicas e angustias, nunca revelados.
restou...
um certo gosto, insalubre e deletério no limiar da insanidade do humano que fomos.