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Frases de Rob Kenede Santos de Jesus

131 frases

Certa vez Certa vez não houve o toque. Certa vez não houve o silêncio.
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Certa vez Certa vez não houve o toque. Certa vez não houve o silêncio. Certa vez não houve a lágrima. Certa vez não houve o devir. O que houve A imensidão do não vivido. A quimera desejada. A beleza esperada. A pureza do olhar. Na vastidão do silêncio, As memórias, Os desejos, O real. Outrora, Vividos, sentidos. Remoídos, Por vezes, mansidão. Escuridão. No fim, A luz, O túnel, O trem, EU. Encontro-me, Abraço-me, Sinto-me, Olho-me, E percebo O quão infinito sou. O quão incrível fui. O quão ainda posso ser. Do quão, o quão ainda será. Será? Não. Quanto ao sim... Ah, eu espero! Paciência, eu tenho. Espero florescer. Espero ser. Ser.

A lembrança veio à tona, a lembrança do presente do futuro não vivido. O futuro foi postergado mais uma vez. A lembrança veio através da incontinência emocional, do incontrolável desejo ora preso. Não consigo dizer quais sensações emergiram juntas com essa lembrança. No momento,…
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A lembrança veio à tona, a lembrança do presente do futuro não vivido. O futuro foi postergado mais uma vez. A lembrança veio através da incontinência emocional, do incontrolável desejo ora preso. Não consigo dizer quais sensações emergiram juntas com essa lembrança. No momento, apenas sinto. Permito-me sentir essa indecifrável emoção que não sei qual é. Na lágrima fina e tenra, jorra consigo àquilo que não pude digerir, mas que preciso expelir, seja de qual forma for. Lacrimejar está sendo uma boa alternativa, eu até escreveria, mas por palavras seria insuficiente para pôr tudo que está engasgado e preso aqui no esconderijo onde ninguém pode alcançar. O que me fascina é que somente eu consigo alcançar o universo que sou. Na caminhada me perco em meio às tantas sensações que perpassam o meu ser. Sigo caminhando e, junto, a minha incontinência emocional me acompanha. Batemos continência para as vivências que ocasionaram tais lembranças, são elas que nos dão o norte para uma vida melhor nessa breve passagem por aqui. Cada lágrima, uma sensação; cada sensação, um turbilhão de lembranças; e cada lembrança, um sentimento indescritível.

Talvez eu precisasse escrever, talvez não. A difícil façanha de descrever o nada, o tudo, o eu. Navegando neste emaranhado de palavras advindas de um lugar que não se pode ver, mas se pode sentir. Tornar o abstrato em algo concreto é uma tarefa que requer muita habilidade, diria…
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Talvez eu precisasse escrever, talvez não. A difícil façanha de descrever o nada, o tudo, o eu. Navegando neste emaranhado de palavras advindas de um lugar que não se pode ver, mas se pode sentir. Tornar o abstrato em algo concreto é uma tarefa que requer muita habilidade, diria que um pouco de maestria. A difícil arte do viver, do que é viver, de dar vida àquilo que apenas habita em seus pensamentos, em seus sentimentos. Outrora, tenho pensado sobre o que seria esse abstrato que tanto almejo tornar concreto. Não sei! Talvez não tenho uma resposta concreta para dizer. Não consigo nomear. E o fato de não conseguir nomear tal grandeza de sensações, de sentimentos, de vazios, de vácuos, de confusões... me faz uma pessoa capaz de ver a vida com os olhos que abarcam a utopia do que é viver. Mas, ainda não compreendo muito bem sobre a arte da vida, sou muito jovem ainda para ter essa tal de maturidade a ponto de compreendê-la! Talvez a maturidade nunca chegue. E se chegar, um sábio me tornarei, talvez já sou, mas não ouso arriscar em falar sobre essa sabedoria que jaz, creio que é uma responsabilidade a mais para se carregar e, eu não quero. Andei pensando, corri pensando, nadei pensando, viajei pensando, naveguei pensando... mergulhei! Mergulhei de cabeça! Fui à procura do tão utópico e sonhado abstrato; nessa parte, leia-se com expressão de estupefação, um neologismo, até! Será se viver não seria um neologismo a cada instante? A façanha caminhada à deriva no mundo do abstrato, à procura das tão temidas sensações que compõem os vácuos da vida, as lacunas impreenchíveis e, que, possivelmente, nunca serão! É preciso que o vácuo exista e se faça presente, para, só assim, você se reinventar e preenchê-lo sempre que desejar e da forma que achar plausível para sua breve existência de vivências e experiências. Nesta parte, é difícil falar do abstrato, pois o mesmo soa como algo indizível, e ressoa em você como algo intocável, pois as vivências são únicas e abstratas, ao seu modo. Aqui, cabe a mim dizer que o abstrato tem forma, tem vida, tem nome e sobrenome e, apesar de ter nome, não consigo nomeá-lo, por mais que eu queira. Será se esse nome não seria a junção de tudo aquilo que compõe o vazio? Aqui, você pode ler em tom de espanto com um misto de dúvida. Te dou a autorização para navegar no abstrato que paira em você. Continuo te autorizando a refletir sobre o quão imenso e vazio são os abstratos que te compõem. Ledo engano! Cá entre nós, da minha parte, você não precisa de autorização nenhuma. A única pessoa que, realmente, precisa te autorizar, é você mesma. Comecei escrevendo dizendo que precisava escrever. Escrevi, escrevi, escrevi... no final, ainda não consegui nomear o abstrato que habita em mim e que reflete em você. Talvez eu nunca conseguirei fazer tal descrição. Acho que a maior façanha é essa: tentar viver aquilo que não se pode prever.

Depois de um dia exausto, cheguei em casa, tomei um banho de água quente; quando me despi - junto com as roupas - tirei todos os aprioris, os preconceitos, os estigmas, ali estava eu, genuinamente. Aos poucos, a água quente foi bailando em meu corpo, escorrendo, com ela, iam as i…
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Depois de um dia exausto, cheguei em casa, tomei um banho de água quente; quando me despi - junto com as roupas - tirei todos os aprioris, os preconceitos, os estigmas, ali estava eu, genuinamente. Aos poucos, a água quente foi bailando em meu corpo, escorrendo, com ela, iam as impurezas, um pouco de mim, senti-me energizado. Por um momento pude sentir a pureza de está ali sendo eu em uma das mais lindas demonstrações de autenticidade: a nudez, do corpo, da alma. A pureza invadiu um espaço em mim. Nesse encontro de energias, de uma alma fria com uma água quente, houve a fusão de duas forças. Houve um equilíbrio. Chega o momento tênue de fazer as pazes comigo mesmo depois de um dia longo que me roubara. Dessa pureza que agora me encontro, consigo destilar o que ainda não sei nomear. Mas sei que quero sentir. Só sentir.

Quando eu entro em contato com as minhas emoções, afetos e sentimentos, fica mais fácil para eu compreender o outro, para tocar o mundo do outro com delicadeza. É como se, aos poucos, a seara fosse inundando intempestivamente o meu peito cheio de sentimentos soterrados, e que sem…
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Quando eu entro em contato com as minhas emoções, afetos e sentimentos, fica mais fácil para eu compreender o outro, para tocar o mundo do outro com delicadeza. É como se, aos poucos, a seara fosse inundando intempestivamente o meu peito cheio de sentimentos soterrados, e que sempre estiveram ali. Quando me permito, deixo transbordar o melhor que há em mim, eu posso ser o que genuinamente sou: um ser humano. Sou feito de afetos e emoções, por vezes, emudeço e silencio-os, mas não por muito tempo. Eles gritam! e, vêm sorrateiramente bradando em meu peito o desejo de voar. De criar conexões. De abrir janelas. De pular muros. De viver intensamente cada emoção. O frio gélido que muito se demonstra, vai se transformando numa labareda cada vez mais quente e presente, diria que afetuosa. Quando entro em contato comigo, me permito viver, me permito sentir, me permito tocar-me para além da imaginação. É coisa de louco! E é dessa loucura que precisamos para nos tornarmos mais humanos: ser congruente com as nossas emoções!

⁠Certo tempo, em outra estação, para os grãos de areia que acompanharam a evolução e a passagem da tempestade de areia no deserto – o eu lírico – andara sem destino nestas terras áridas. A tempestade de areia passou e a estação mudou. As miragens deste deserto me fez lembrar o ja…
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⁠Certo tempo, em outra estação, para os grãos de areia que acompanharam a evolução e a passagem da tempestade de areia no deserto – o eu lírico – andara sem destino nestas terras áridas. A tempestade de areia passou e a estação mudou. As miragens deste deserto me fez lembrar o jardim que eu cultivava, da flor que, por um momento, pensei que fosse a minha rosa, mas, era um girassol que eu regava. Neste jardim de belas flores tinha uma abelha rainha pousada em um girassol a espera do seu tão sonhado zangão, ela estava sentindo o aroma que borrifava em seu rosto através do néctar. Pousei bem entusiasta no girassol, bailando para mostrar os meus talentos de zangão para a pequena abelha rainha. No fim, os nossos pólens não se conectaram, estávamos em estações diferentes, ainda não era tempo de colheita. Talvez esta não conexão viesse para dá mais vida ao zangão, mais momentos para voar. Desse amor, só se troca pólen uma única vez com a abelha rainha, depois disso, somos ceifados para outra estação, morremos. Como zangão, imagino que tive a oportunidade de me reinventar e bater asas para um novo jardim, de ser ceifado em um momento em que a conexão de pólens ocorrerá de forma plena e intensa com o néctar da vida. A estação não chegou, porém tudo mudou quando o zangão voou.

⁠Hoje, a vida me fez um convite. Sinceramente, não esperava! Me pegou de surpresa. Ainda estou tentando digerir os pensamentos que ecoaram em minha mente só em imaginar como será a realização daquilo que me convidaram a fazer. Fui convidado para ser jardineiro, adubar a terra que…
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⁠Hoje, a vida me fez um convite. Sinceramente, não esperava! Me pegou de surpresa. Ainda estou tentando digerir os pensamentos que ecoaram em minha mente só em imaginar como será a realização daquilo que me convidaram a fazer. Fui convidado para ser jardineiro, adubar a terra que carrega consigo uma surpresa diferente em cada pétala que brota. Esse encontro aconteceu num belo jardim cheio de flores. Seria até redundância da minha parte em falar que esse jardim tem flores, porém, apesar de existir flores, cada uma carrega consigo outro jardim. E foi este jardim que fui convidado a conhecer que, por algum momento, ervas daninha tentaram destruir. Avistei várias flores, algumas em botão, outras irradiantes para o astro rei, algumas precisavam ser cuidadas, irrigadas, adubadas, colocadas para receber a luz do sol... Amei vê o florescer de cada uma: dos lírios às orquídeas, das rosas aos cravos, do girassol ao dente-de-leão. Elas estavam nas sombras da vida, mas quando as coloquei na luz da esperança, puderam exalar sua verdadeira beleza. Ao entardecer, me via entre as pétalas de cada flor e me deparo com as suas essências, seus pólens, as suas estruturas. Só então me dei conta que o convite inicial era para o cultivo do jardim que há em mim. Agora percebo o quão florido és e que posso cultivar e colher qualquer flor que eu desejar. Das flores que cultivo, transbordo de pétalas as veredas deste lindo e imenso jardim que faço morada. O encontro aconteceu num jardim, através de uma flor pude perceber. O encontro aconteceu em mim, através do meu eu pude florescer.

⁠Flertar com o erro é algo viciante, ele nos deixa mais experientes e nos tornamos mais maduros. Por vezes, o erro costuma bater na mesma tecla, até parece algo cíclico. Há quem diga que se pode escrever – aqui leia-se errar – certo em linhas tortas, o torto ou o erro se torna pr…
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⁠Flertar com o erro é algo viciante, ele nos deixa mais experientes e nos tornamos mais maduros. Por vezes, o erro costuma bater na mesma tecla, até parece algo cíclico. Há quem diga que se pode escrever – aqui leia-se errar – certo em linhas tortas, o torto ou o erro se torna prazeroso, de certa forma. O que me intriga nesta caminhada é a marca indelével que a caneta é capaz de fazer ou quem sabe a intensidade que eu coloco ao escrever, ao rabiscar, ao desenhar. O papel a qual tanto escrevo é sensível para tantas tentativas de erro e acerto. A tinta indelével com força de expressão, de tanto focar em uma única situação, acaba por perfurar a penumbra daquilo que um dia foi forte. Perfuram-se os papeis! Um buraco se abre e me dá acesso para outra dimensão. Será se ali estaria o lugar o qual eu poderia flertar com o acerto? Este buraco negro que me consumiu ferozmente está me mostrando que aqui o vácuo da intensidade é bem melhor quando é escrito com emoção. Nesta outra dimensão todos os meus erros tornam-se, automaticamente, em acertos. A dimensão do jogo da intensidade prevalece nesse emaranhado de flertes escondidos atrás do desenho feito com a tinta indelével da minha força de vontade de viver o acerto que um dia julguei que era um erro. O que seria dessa dimensão sem os tão sonhados erros que nos fazem melhores a cada linha que pintamos do lado de cá? A resposta está no erro que não pintei ainda.

⁠Hoje, ao acordar e me olhar no espelho, me deparei com algo inusitado. Fiquei ali imóvel por alguns segundos e extasiado tentando digerir aquela sensação que perpassou a minha existência. Estive de frente com o meu primeiro fio de cabelo branco. Aquela imagem no espelho ficou cr…
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⁠Hoje, ao acordar e me olhar no espelho, me deparei com algo inusitado. Fiquei ali imóvel por alguns segundos e extasiado tentando digerir aquela sensação que perpassou a minha existência. Estive de frente com o meu primeiro fio de cabelo branco. Aquela imagem no espelho ficou cravada em minha memória. Comecei a imaginar o que este simples cabelo branco representou para mim naquele instante, dei voltas ao mundo só de pensar nessa mudança repentina. Esse fio de cabelo branco representou um marco para mim em tenra idade, ele conseguiu dividir a minha idade biológica. É como se tivesse dividido a minha vida em dois tempos: a.C. (antes do cabelo branco) e d.C. (depois do cabelo branco)! O cabelo preto que tanto me acompanhou, que tanto me deu a jovialidade de ser, que tanto me mostrou que o bom da vida era viver a juventude com aquela cabeleira de fios pretos, agora, ele se mostra repentinamente de outra forma: um branco platinado reluzente. Esse fio de cabelo branco também carrega a minha história, e veio para mostrar que não há mais tempo para brincar de viver, que é hora de encarar a vida como ela é, de ter atitude. Ele sussurra em meu couro cabeludo e diz que a maturidade chegou. Essa transformação marca um tempo em que o cabelo branco representa a sabedoria, a maturidade e a velhice de uma pessoa com grandes histórias para contar. Agora carrego as minhas belas madeixas com alguns fios de cabelo branco. Estou gostando deste novo estilo que a vida me proporcionou. Quem diria que eu seria contemplado com essa obra prima da natureza. O seu cabelo branco tem história, alguém já parou para ouvi-la?

Hoje, sorrateiramente, venho escrever sobre algo que nos inquieta, da dor iminente que nos assola e nos isola em uma bolha. Falar do luto, automaticamente, nos remete a perdas e as suas formas de morrer. Não estamos preparados para quando isso chegar a acontecer, talvez nunca est…
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Hoje, sorrateiramente, venho escrever sobre algo que nos inquieta, da dor iminente que nos assola e nos isola em uma bolha. Falar do luto, automaticamente, nos remete a perdas e as suas formas de morrer. Não estamos preparados para quando isso chegar a acontecer, talvez nunca estejamos. Do luto que falo agora, prevejo, renego, não aceito, mas acolho inevitavelmente como aquele que acolhe um sorriso. Neste momento, brindo com a morte que chega de mansinho e, amigavelmente, ecoa da sua boca que ainda não é o tempo. Enquanto o tempo não chega... bailamos! brindamos! proseamos! flertamos! Flertar com a morte é saber o quão insignificante é essa passagem por aqui, principalmente se você não tiver vivido tudo àquilo que você sempre quis ou pensou. A cada brinde, a cada drink: um salve! salve salve! A morte, este momento obscuro que sempre atormentou e assolou a humanidade, também nos traz boas novas. Tim, tim! Dessa vez o brinde foi à morte concreta, de fato. O que dizer dela... aqui se findou uma etapa, a outra que se inicia não ouso falar, pois seria enorme audácia da minha parte, até. Tim, tim! Dessa vez o brinde foi à morte simbólica, perfeito! Todos os dias morremos em algo para que possamos renascer e viver àquilo que desejamos. Talvez a morte simbólica nos permeie durante toda a existência e, brindamos dia após dia sem percebermos. Tim, tim! Este brinde é para a morte que está acontecendo neste exato momento em você. O que tens matado e, por conseguinte, deixou viver logo após? O que está nascendo em você, viverá ou morrerá? Ou será apenas mais uma morte inevitável nesta vasta imensidão do que é viver? Viver é um constante morrer infinito. Cá entre nós... que texto fúnebre que me deu vida! Uma lágrima de esperança escapou dos meus olhos e começo a pensar: e se não morrermos diariamente, que sentido terá a vida? Um brinde àquilo que renasceu!

POEMA – PRECORDIALGIA NUMA QUARENTENA Hoje, eu só queria falar da dor, da dor que enlaça o meu peito nesse momento de confinamento. Sei que está sendo difícil, já senti vontade de chorar, até. Talvez esse seja um momento de encontro comigo mesmo. Quanto tempo que não tive mais e…
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POEMA – PRECORDIALGIA NUMA QUARENTENA Hoje, eu só queria falar da dor, da dor que enlaça o meu peito nesse momento de confinamento. Sei que está sendo difícil, já senti vontade de chorar, até. Talvez esse seja um momento de encontro comigo mesmo. Quanto tempo que não tive mais esse contato, esse encontro, talvez a dor surge em meio a essa dificuldade de me encontrar e de conectar-me a mim mesmo no dia-a-dia. Nesse momento, talvez um acalento singelo pudesse apaziguar essa dor tão devastadora que urge em meu peito. A precordialgia me invade! Nesse nome, percebo o quanto o preço da dor dói em mim, o quanto eu permito ela doer em mim. Qual o preço da dor? Qual o preço da cor? Não sei! Mas, sei que estou pagando o preço por guardar tudo em mim, esses sentimentos guardados se transformaram em dor no meu peito, essa dor que me sufoca, que me tira o fôlego, parece que estou morrendo, que tem algo me corroendo por dentro. Fico pensando e imagino que o preço da cor está naquilo que eu não faço ou gostaria de fazer. Até colorir isso tudo, essa dor que está aqui dentro, levarei uma quarentena. Talvez esse momento seja para isso: para transformar a dor em cor, para refletir se vale a pena cultivar essa dor, para transformar a escuridão em luz, para colorir em aquarela a algia que surgiu quando eu entrei em contato comigo mesmo. A dor tem preço, e desse preço eu quero levar o valor da cor. Ao fim da tão dolorosa quarentena, virei um pintor de mim mesmo: a dor virou cor!

⁠CARTA AO JOVEM QUE QUER CRESCER Quando somos jovens, pensamos em inúmeras situações ou sonhos que queremos alcançar na vida adulta. Muitas são as angústias que vivenciamos e sentimos. Aos poucos, começamos a entender o funcionar do bailar da vida, mas só começamos mesmo... nunc…
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⁠CARTA AO JOVEM QUE QUER CRESCER Quando somos jovens, pensamos em inúmeras situações ou sonhos que queremos alcançar na vida adulta. Muitas são as angústias que vivenciamos e sentimos. Aos poucos, começamos a entender o funcionar do bailar da vida, mas só começamos mesmo... nunca entenderemos em sua essência. Quando somos jovens, somos aventureiros. Desafiamos a morte, pensamos que nunca iremos morrer. Muitas são as aventuras e audácias desafiando a vida. Aos poucos, vamos morrendo e não nos damos conta... e, morrendo, renascemos para viver. Quando somos jovens, queremos ter tudo, temos todo o tempo do mundo. Muitas são as vontades e os desejos a serem realizados. Aos poucos, vamos nos deleitando nos presentes e oportunidades que a vida nos dar. Presenteamo-nos, dia após dia. Quando somos jovens, queremos ser adultos. E sendo adultos, mesmo assim ainda somos jovens. Muitas são as realizações e histórias para contar. Aos poucos, vamos percebemos que não há mais tempo a perder e não há mais tempo para brincar de viver. Quando somos jovens, queremos viver e adultecer. E, vivendo... mesmo adultecendo, ainda, somos jovens!

⁠Em uma conversa pra lá de produtiva, numa sexta que mais parecia um sábado, eis que surgem altas analogias em meio às palavras que mais pareciam versos em forma de diálogo. Mesa de bar também é poesia, é prosa, é metáfora. E que endossa, à medida que as inspirações veem e que…
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⁠Em uma conversa pra lá de produtiva, numa sexta que mais parecia um sábado, eis que surgem altas analogias em meio às palavras que mais pareciam versos em forma de diálogo. Mesa de bar também é poesia, é prosa, é metáfora. E que endossa, à medida que as inspirações veem e que vão também. Papo vai, papo vem... Me pego falando sobre o amor e como fiz referência dele na teologia. Diria que no amor de Cristo, para ser mais exato. Jesus disse que eis que está a porta e bate, se a pessoa abrir a porta, Ele entrará e ceará com a pessoa. Fiquei pensando que algo semelhante ocorre com o amor. Afinal, Deus é amor, e o maior mandamento é o amor. Em meio a este pensamento, fiquei pensando que o amor não entrará em nossas vidas se a porta estiver fechada. O amor é um convite, é dádiva, é presente, é algo que se apresenta para conosco quando estamos dispostos a abrir a porta e deixá-lo entrar. Se o amor não chegou ainda, pode ser que a porta esteja fechada. Se o amor não chegou ainda, pode ser que a casa não esteja arrumada. Se o amor não chegou ainda, pode ser que o destinatário ainda não seja você. Se o amor não chegou ainda, pode ser que ele esteja esperando um convite para entrar. Se o amor não chegou ainda, pode ser que ele já esteja em você, e amor você já é. Se o amor não chegou ainda, pode ser que a porta está entreaberta, e o amor não fica onde há dúvida. Acredite!

⁠Às vezes somos tão ingênuos nessa caminhada por aqui, nos apegamos a tantas coisas bobas, pequenas, diria que insignificantes... Olhe para o alto e veja o que você ainda pode conquistar. Quantas vezes nos deparamos com situações e vivências que nos atormentaram, nos tiraram o s…
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⁠Às vezes somos tão ingênuos nessa caminhada por aqui, nos apegamos a tantas coisas bobas, pequenas, diria que insignificantes... Olhe para o alto e veja o que você ainda pode conquistar. Quantas vezes nos deparamos com situações e vivências que nos atormentaram, nos tiraram o sono... e, na maioria das vezes, esquecemos de parar e refletir sobre tudo o que está a nossa volta, seja por falta de maturidade ou também porque ainda não aprendemos a lidar com as vivências dessa caminhada. Passamos por momentos difíceis, delicados e bastante turbulentos. Isso acontece muito nessa caminhada. Só que esquecemos que tudo isso é uma gota no oceano de tudo aquilo que ainda temos para viver. Temos que olhar para o horizonte Temos que olhar para a imensidão do mar Temos que olhar para o infinito de possibilidades que nos apresenta Temos que olhar para o nosso interior e perceber o quão grande somos Temos que olhar com ternura para a situação que vivemos, e pensar que tudo isso é pequeno diante da imensidão de possibilidades do que nos espera lá fora. A nossa capacidade de vencer é muito maior do que tudo que isso que passamos. Viver é preciso. E se jogar para as possibilidades que o universo nos apresenta, é mais preciso ainda.

⁠Como leão Na multidão Diante de muito ego
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⁠Como leão Na multidão Diante de muito ego E solidão O raiar do sol como clarão O nevoeiro na escuridão Diante de muita chuva E insolação O pular das ondas na imensidão No mar do guardião Diante de muita água E consolação Tu vens Tu vais Tu ias Tu, mas só tu Transeunte Da vida Das estações Da equipe do metrô Eram tantos Falhos Falantes Inquietos Corridos Dos algozes Dos albatrozes Dos abutres Das vozes O soar O ressoar O verbalizar O falar O nada O tudo O início O fim É chegada a hora Do banho de mar Para alinhar O caminhar Dos nós De nós A sós E sós Como nós

⁠Em tenra idade, ainda quando muito jovem, sonhamos em conquistar o mundo. Milhões de sonhos, alguns impossíveis, outros alcançáveis. Crescemos com várias cobranças. Muitos perguntam por conquistas materiais, pelo ter. Pouco perguntam pelas conquistas emocionais, pelo ser. Vamo…
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⁠Em tenra idade, ainda quando muito jovem, sonhamos em conquistar o mundo. Milhões de sonhos, alguns impossíveis, outros alcançáveis. Crescemos com várias cobranças. Muitos perguntam por conquistas materiais, pelo ter. Pouco perguntam pelas conquistas emocionais, pelo ser. Vamos crescendo com a cobrança social de ter tudo àquilo que a sociedade julga ser o certo para um jovem ter e conquistar. É muito pesado o fardo de ter que carregar essa responsabilidade de ter que alcançar tudo num período em que deveríamos priorizar pela nossa felicidade e bem estar. Sucumbimo-nos no abismo da ilusão de está submerso nas vontades do que os outros querem que sejamos. Isso deveria ser um crime contra a subjetividade de cada ser.

⁠Observa o quão cruel é a cobrança interna de viver àquilo que se tem sede de viver. Nos pegamos pensando sobre as energias que pairam sobre as nossas vontades e como isso nos anestesia à medida que vamos ficando com medo da entrega. Afinal, conexão não é algo que se adquire com…
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⁠Observa o quão cruel é a cobrança interna de viver àquilo que se tem sede de viver. Nos pegamos pensando sobre as energias que pairam sobre as nossas vontades e como isso nos anestesia à medida que vamos ficando com medo da entrega. Afinal, conexão não é algo que se adquire com o tempo, ainda mais em tempos sombrios de escassez afetivas. Conexão é permissão, é entrega. Observa que o melhor sentimento é esse que você sente ao visitar o pensamento que te faz vibrar na tua melhor sintonia. Deu saudade de reviver o sentimento, o momento de outrora? Não hesite! Reviva! A saudade é o coração dizendo onde quer ficar, são os resquícios de algo que valeu a pena. Observa ao seu redor e veja o quanto você cresceu com as suas experiências afetivas. Sabe o que é melhor? O que tiramos de positivo disso tudo que vivemos. No final, olharemos para trás e nos perguntaremos de forma retórica em tom de afirmação: está ficando alguma coisa? Só a vontade de voltar de novo. Observa que o tempo foi pouco! Não deu para viver tudo. Por isso a vontade de reviver tudo novamente, de sentir a conexão de sentimentos num enlace jamais vivido. É um sonho de fazer a escassez inundar nesse manancial de saudades que ainda estão por vir.

⁠Eu sou um botão de flor E carrego comigo o amor E para onde eu for
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⁠Eu sou um botão de flor E carrego comigo o amor E para onde eu for Colorirei, serei cor Eu sou um botão de flor E estou prestes a sentir E, ao desabrochar, com fervor Florescerei, ao me permitir Eu sou um botão de flor Ainda, pois não conheço o tempo do florir Será ao nascer do sol, no calor? Eu sou um botão de flor Florescerei, pétalas por pétalas E se eu me colocar em direção ao sol Brilharei como nunca Os raios do sol me darão vida por onde eu for Eu sou um botão de flor E sendo flor, mesmo que em botão Consigo sentir o florir, mesmo que distante Eu sou um botão de flor Não me pergunte qual flor Posso ser o girassol ao acompanhar o sol Posso ser o lírio para ladrilhar meus caminhos Posso ser o dente de leão, para mostrar a minha força de que eu aguento mais um inverno Posso ser uma rosa e, sendo rosa, me aproximo de você Posso ser um cravo e, sendo um cravo, posso cravar o meu melhor em você Eu posso ser tantas flores... Mas escolho ser um jardim Assim posso escolher ser a melhor flor já semeada E, como botão de flor, Eu posso florir Eu posso sentir Eu posso ser o jardim E aguardo o beija flor Para sentir o licor Do meu amor em forma de flor

⁠Eis que surge uma flor de botão no jardim da vida. O caminho que a espera é bem longo, mal sabe ela o que a encontrará nas estações. As estações se passavam e lá estava o botão de flor, passando pelas chuvas e ventanias do inverno. Logo me surgiu a ideia de que esse botão de fl…
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⁠Eis que surge uma flor de botão no jardim da vida. O caminho que a espera é bem longo, mal sabe ela o que a encontrará nas estações. As estações se passavam e lá estava o botão de flor, passando pelas chuvas e ventanias do inverno. Logo me surgiu a ideia de que esse botão de flor tinha medo de desabrochar para conhecer a primavera. Se ela soubesse como a estação das flores desabrochadas é uma das mais lindas do ano... é uma dádiva da vida, do tempo. Penso que o medo estaria consigo de qualquer forma, mesmo que em botão de flor ou florida. As pragas podem a sufocar, as ervas daninhas podem ser os parasitas que sugam as suas energias, os pulgões podem roubar o seu brilho... tudo isso pode acontecer, vivendo a estação da primavera ou não. O medo iminente do florescer a impedia de conhecer a primavera. Mal sabe ela que os seus pólens estão em polvorosa para fecundar outras flores, para fazer florir mais ainda o seu próprio jardim. Vão-se as pétalas, as sépalas... mas fica o desejo insano de florir em meio à primavera que a tanto espera. O botão de flor, florescerá quando menos esperar! É um convite para viver a estação mais bela: a doce e linda primavera que a espera.

⁠CHORAR É GRITAR EM SILÊNCIO Havia um peso. Era pesado. Havia uma dor. Era doído.
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⁠CHORAR É GRITAR EM SILÊNCIO Havia um peso. Era pesado. Havia uma dor. Era doído. Havia uma angústia. Era angustiante. Chorava, sempre que possível. Chorava, sempre que podia. Chorava, a cada oportunidade. Chorei! Chorei muito! Chorei, para nunca mais chorar pelo mesmo motivo. Chorei, para sempre lembrar do que doeu. Chorei, para colocar para fora o silêncio que estava gritando em mim. Chorar também é oração. Chorar é a oração em silêncio. Chorar é orar em ação. Chore! Chore muito, para você nunca mais chorar pelo mesmo motivo.

⁠Ainda, quando jovem, sonhava em conquistar sonhos e mais sonhos. Mesmo que distante, eu não deixei de acreditar que um dia poderia conseguir tudo àquilo que foi plantado em meu coração. Os meus desejos eram terra fértil naquilo que eu sempre quis ter. Confesso que foi bem pesad…
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⁠Ainda, quando jovem, sonhava em conquistar sonhos e mais sonhos. Mesmo que distante, eu não deixei de acreditar que um dia poderia conseguir tudo àquilo que foi plantado em meu coração. Os meus desejos eram terra fértil naquilo que eu sempre quis ter. Confesso que foi bem pesado carregar o fardo de ter que suportar a responsabilidade de arcar com as consequências dos sonhos que eu queria atingir um dia. Hoje, olho para trás e vejo que valeu a pena cada vez que eu me abdiquei de momentos de prazer que poderia me tirar do foco. Quando sonhamos, quando queremos algo, quando almejamos, temos que ceder em alguma parte da vida para conseguirmos tudo àquilo que queremos. Não é fácil, eu sei. Aqui eu deixo a motivação de que por mais distante e impossível que seja o seu sonho, por mais que demore que chegue, digo-te que é aos poucos que conseguiremos tudo àquilo que sempre queremos. É muito pesado o fardo de ter que carregar tudo isso sozinho. Mas eu te confesso que depois que tudo isso passa, depois que você sente na pele todas as provações que aparecem para você desistir na caminhada, depois que você conquista tudo àquilo que sempre quis... que a vida se torna tão leve, mais tão leve quanto o vento que sopra em direção ao horizonte. Precisamos nos libertar de tudo àquilo que nos aprisiona. Precisamos nos libertar de tudo àquilo que nos impede de sonhar. Precisamos nos libertar de tudo àquilo que atravanca os nossos caminhos. Precisamos nos libertar dos demônios sentimentais que carregamos. Precisamos nos libertar do desejo de agradar a outrem. Precisamos nos libertar da prisão que nos impede de viver os nossos sonhos. Precisamos dançar e sacudir os demônios que há em nós e derrubá-los. Por mais que demore a realização do seu sonho, não desista! Persista! Um dia, ele se realizará! E, no final, você estará bailando com os demônios que um dia foram empecilhos na sua caminhada em direção àquilo que você sempre quis ter. Precisamos nos libertar para voar!

⁠Eu não me arrependo de nada do que já fiz. Nunca passou por minha cabeça qualquer tipo de arrependimento. Eu também não voltaria ao passado para fazer diferente. Acho tremenda tolice. Isso me anularia, eu deixaria de ser a pessoa que sou hoje. Eu não quero mudar o passado, tam…
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⁠Eu não me arrependo de nada do que já fiz. Nunca passou por minha cabeça qualquer tipo de arrependimento. Eu também não voltaria ao passado para fazer diferente. Acho tremenda tolice. Isso me anularia, eu deixaria de ser a pessoa que sou hoje. Eu não quero mudar o passado, tampouco o que já fiz. O que eu posso mudar é o meu presente a partir das experiências e aprendizados que o passado me proporcionou. Eu não quero olhar para trás e pensar que alguma mágoa ficou, que alguma dor ficou, que alguma alegria deixou de ser vivida, que a felicidade deixou de fazer morada em mim. Eu olho com um olhar de ternura, de afeto, de autoperdão por eu ter feito o meu melhor, ter dado o meu melhor dentro das minhas condições e limitações humanas e subjetivas. O que sou hoje, é fruto de um passado que foi bastante produtivo na minha existência. O que me resta é seguir adiante com a cabeça erguida e olhando para o futuro, mas com os pés no presente. Eu vivo o hoje e, do hoje, eu quero carregar o passado comigo, o carrego com ar de leveza e com um eterno sentimento de gratidão e ternura ao que ele me proporcionou. Eu agradeço ao que vivi, Eu agradeço ao que vivo, Eu agradeço ao que hei de viver. Eu te perdoo Eu me perdoo E diante do perdão Eu te libero Para eu também me liberar Gratidão!

⁠A vida apresenta-se em uma nova versão dia após dia para ser usufruída por nós. Uma nova fase nos é apresentada a cada manhã. Ao acordar, paro para imaginar o quão disposto estarei para desbravar cada fase. Fico pensando como seria a vida sem a coragem de vivê-la, seria uma mono…
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⁠A vida apresenta-se em uma nova versão dia após dia para ser usufruída por nós. Uma nova fase nos é apresentada a cada manhã. Ao acordar, paro para imaginar o quão disposto estarei para desbravar cada fase. Fico pensando como seria a vida sem a coragem de vivê-la, seria uma monotonia só, uma música de uma nota só, que dó! Não sei se pensar muito, se também ajuda a viver, de verdade. Talvez a graça seria se jogar para cada fase que me é apresentada a cada amanhecer. Penso que viver requer leveza e também muita coragem. A coragem de viver é perigosa, pois nos convida todo dia a viver o novo, o desconhecido, uma terra ainda não habitada por nós. Viver é arriscar-se, é lançar-se ao mundo, é se jogar pra vida. E entre o pensar e o viver, o tempo voa, as coisas voam. Precisamos acompanhar o tempo e as suas fases. Por vezes, quero viver tudo ao mesmo tempo. Às vezes, tenho medo de viver e, tenho mais medo ainda da velocidade do tempo. Ele não vai me esperar. Preciso correr, ou melhor, preciso voar! A sensação que me bate é que o tempo voa e, consigo, quero voar junto a ele. Eu sei que vai passar voando e, voando, quero criar asas para acompanhá-lo. Quero viver cada fase como num voo livre, sem medo de cair. Pousos e decolagens me aguardam todos os dias. E tudo isso que eu estou vivendo, vai passar, vai passar voando. E eu quero passar, voando! Quero contemplar o meu voo daqui de cima, voando, pois sei que vai passar.