Se houvesse uma eleição certamente o beijo seria o escolhido do povo. Neste pleito eu sou da oposição. Eu voto no abraço. O beijo é bom, mas com ele as palavras se perdem no espaço. Já o abraço permite uma conversa delicada ao pé do ouvido - é como se uma alma tirasse a outra para dançar. O abraço é como um vôo que contempla a nossa falta de asas. O abraço é o caminho que leva o nosso coração de volta pra casa.
Sou bêbado, boêmio, poeta. Sou gentil, rebelde e cafajeste. Eu sou tudo que sou, e sou um só. Eu sou vários de mim formando uma só essência. Não espere nem mais e nem menos, apenas isso. Eu sou maciço. Eu sou moldável. Às vezes me desequilibro, às vezes permaneço estável. Às vezes eu ando nu, às vezes me cubro de enfeites. Só tenho uma coisa a dizer: NA VERDADE EU NÃO SOU UM FAKE!
Tudo que eu já vivi foi tão lindo e tão perfumado que, com o passar do tempo, eu fui me transformando num jardineiro zeloso e fiel. Hoje eu passo os dias cultivando belas lembranças nos canteiros da minha memória, e colhendo os sonhos mais coloridos que alguém já ousou sonhar. Viver tudo que eu vivi não foi tão fácil, mas quando olho pra trás me sinto feliz por poder relembrar. Passado bom é bem assim: passou, mas a gente faz questão de recordar.
Incrível isso! Quando uma grande decepção aconteceu na minha vida, eu achei que ia morrer. Me enganei. Na verdade foi aí que um novo homem nasceu e ficou gigante. Parecia o fim, mas foi por conta dessa decepção que eu me aperfeiçoei e evolui. Transformado, hoje eu me coloco em primeiro lugar em tudo. Sem egoísmo e sem pisar em ninguém, mas HOJE EU SOU UMA QUESTÃO DE PRIORIDADE.
É lamentável, mas a juventude moderna está se acostumando a venerar heróis sem virtudes. Talvez essa não seja apenas uma amostra da degradação de parte de uma geração, mas sim uma forma equivocada que eles encontraram de dizer ao futuro que se está tudo errado por aqui, no que depender deles ou do governo, tudo vai continuar irremediavelmente como está, ou ainda pior.
Hoje, revirando as gavetas aqui de casa, tive a oportunidade de revisitar o meu passado através de fotos antigas. Nelas reencontrei velhos amigos, paisagens, familiares e até bichos de estimação que eu perdi para o tempo. Notei que em todas as fotos eu estava sorrindo. Não só por pose, mas principalmente por alegria. Pois é... Eu passei a vida a sorrir, por isso a minha vida é tão boa. E se um dia eu não fui feliz, esse dia ficou perdido numa dessas gavetas do passado. Ao bem da verdade, creio que esse dia nunca aconteceu, e se aconteceu, eu juro que nem me lembro.
Não importa o quanto um casal esteja feliz, algumas mulheres simplesmente vão querer estragar tudo com aquela obsessão de querer discutir a relação o tempo todo. Para essas a paz nem sempre é bem vinda, porque o que faz bem ao seu ego é desperdiçar o precioso tempo da vida batendo de frente com quem elas mais dizem amar. Dá pra entender?
A cada dia que nasce eu me surpreendo mais com as diferentes paisagens que se alternam na minha alma. De uma vez por todas eu cheguei à certeza de que, assim como as estações do ano, eu seco, floresço, esquento ou esfrio. Desisti de fazer previsões, de tentar me entender, afinal, são as intempéries do destino que determinam quando a gente vai ser sol, ou quando a gente vai chover.
Seria mentira se eu dissesse que eu nunca me divido, que eu sou constante. Sou de altos e baixos, eu confesso, e minhas partes, vez ou outra, se espalham por aí. Mas quando eu me torno uma linha reta e os meus pedaços se encaixam com a perfeição de um quebra-cabeça, eu viro tédio. Mas não há melhor remédio do que saber aceitar esse desequilíbrio que nasce e que morre dentro de mim.
Ontem eu tomei um porre de mágoa! Me entristeci, cambaleei, tropecei, caí. Acordei numa ressaca danada, gosto amargo na boca, cabeça latejando, e uma vontade incontrolável de vomitar as minhas aflições na cara do mundo. Ontem eu tomei um porre de mágoa! Dizem que o melhor remédio pra curar esse mal-estar é o perdão. Por enquanto prefiro manter-me entorpecido, magoado, triste. Porque a tristeza é como a embriaguês - uma hora passa. Mas o perdão é um vinho caro demais para se abrir uma garrafa, servi-lo numa taça de cristal e oferecê-lo a quem não fez a mínima questão de ser bacana com você.
A gente erra, se engana, escolhe mal, pisa na bola, se decepciona, chora, dá tudo como perdido, mas num belo dia abrimos a janela e enxergamos uma vida toda à nossa espera. É sempre assim: no final o instinto de seguir em frente sempre prevalece. Deixe o tempo fazer o que ele bem entende. Nada como um dia após o outro e um montão de esperança impulsionando a gente.
Elas abdicaram do direito ao tempo. Elas abriram mão da parte que lhes cabe do sol que brilha pra todos. O que era pra ser movimento tornou-se marasmo e paralisia. De fato, elas não estão nem vivas e nem mortas. Na verdade, por medo, por acomodação ou por desencanto, certas pessoas simplesmente deixaram de existir.