Abandono
Quando você abriu a porta e saiu
A casa ficou morta e ruiu
Desabrigado e com a vida rasa
Meu corpo também ficou sem casa
Na primeira curva da estrada
Voltou-se, sorriu, acenou com a mão
Ofertou-me sua face amargurada
Herança de tristeza e solidão
Na sua partida a noite chegava
Cobrindo tudo de luto e agonia
Ainda esperando se você voltava
Alma e corpo penando em muda sintonia
Não suportando a terrível dor
Minh'alma seguiu você bem de mansinho
Coisa sem alma, vaso sem flor
Meu corpo perdeu-se pelo caminho
Há riquezas que são superficiais, meramente palpáveis e flexíveis, que podem virar fumaça a qualquer momento; outras são fortunas incalculáveis e ainda que pareçam subjetivas, são intensas, duradouras e atemporais, por serem as únicas que o coração consegue recolher e abrigar, protegidas não a quatro, mas a sete chaves e em cofre personalizado, cofre que não admite cópias de chaves nem troca de segredo. Quem esquece ou releva isto abre definitivamente a porta para o descaminho.
Muitos falsos pastores prometem aos fiéis a cura, a salvação, o perdão dos pecados, a riqueza, mundos e fundos em encontros com Deus com data, lugar e hora marcados. “Deus estará lá, mas somente neste dia e exclusivamente para quem não faltar!” Parece que somente estes pastores têm o endereço, o e-mail e número do celular de Deus, Lhe falam quando bem entendem e Ele os atende prontamente, aceitando comparecer ao “encontro com Deus”. Pobre de quem adoecer, bater o carro, se atrasar por alguma razão inesperada e não puder comparecer.
Não se deve ter dó
Não se pode ter pena
De quem nunca teve dó
De quem nunca teve pena
Não se deve ter dó
Não se pode ter pena
Duma alma que por si só
Escolheu ser pequena
Não há nada a dizer em minha defesa,
Sou o réu, os jurados e o juiz
E ponho a sentença aqui na mesa:
Culpado por fazê-la infeliz!
E como juiz escolherei a pena,
A pena que mereço, única que me cabe:
A vida pior e mais pequena,
Rastejando até que eu me acabe.
Assim como desdizer é mentir, não existe o verbo desescrever no sentido de voltar atrás, bem como o despensamento é impossível. E somente a escrita me permite artimanhas involuntárias de ao mesmo tempo ou separadamente ser água e pedra, fogo e cinzas, homem irracional e bicho evoluído, Deus e o Diabo, loucura e sanidade.
Reza por mim, amor.
Reza por mim
e não serei um mero grão disperso,
e não serei um anel de Saturno
desgarrado, solto no espaço-tempo
da Eternidade.
Reza por mim, amor.
Imagina-me como um lago
de águas puras, serenas,
e assim hei de ser
para matar minha sede
de ti.
Só quero a paz de estar só
e a solidão da minha paz.
Não quero um ombro, não quero o dó.
Mereço uma placa de “aqui jaz...”
Quero a carícia da terra fresca;
que ela me abrace e eu adormeça.
Se você sabe que errou e poderia ter evitado, não transfira a sua culpa, reconheça a sua falha e aceite as consequências, mas não aumente a gravidade do seu ato se omitindo de pedir desculpas a quem você ofendeu. Trabalhe arduamente de sol a sol para se redimir. Em suma, procure de todas as formas pagar a sua dívida, mesmo sabendo que poderá não ser perdoado.
Por que em tudo quanto vejo cuido vê-la?
Por que não fico um segundo desta vida
sem pensar na minha amada e esquecê-la,
se é uma joia que pra mim está perdida?
Quando você chegar (menino ou menina) torço para que seja bem mais feliz
do que sua mãe, seu pai, seus irmãos,
que lutaram tanto pra lhe deixar um país
grandioso, belo, liberto, viril,
como sempre deveria ter sido o Brasil.
Não sei e nem quero saber
Não sei como seria viver sem você
Não sei como seria viver sem o seu abraço
Não sei como seria não ver o seu sorriso
Não tocar e sentir o sabor da sua pele
Não acariciar os seus cabelos
Não dormir no calor do seu corpo
Não ver você acordar nas manhãs
Não me encantar com o brilho dos seus olhos
Não ouvir a música da sua voz
Não sei como seria não amar você
Não sei como seria
E nem quero saber
Há coisas que é melhor ignorar
Nunca descobrir para não sofrer
Não sei como seriam os dias sem você
Não sei como seriam as noites sem você
Não sei e não quero saber
Melhor deixar tudo como está
Com a felicidade a me acompanhar
É melhor o que o sol continue a brilhar
E deixar a lua nos iluminar
Convidando pra fantasia
É melhor que a vida seja
Esta explosão de alegria
Quando você me beija
Nada mais meu coração deseja
Não sei e nem quero saber
Como seria viver sem você
Nenhum magistrado honesto estará infringindo ou desrespeitando inteiramente a constituição à qual jurou obediência, quando, imbuído de boa fé, de moral e de imparcialidade, decidir de forma contrária a qualquer lei sabidamente parcial, injusta, mal redigida e mal aprovada seja por incompetência, em causa própria ou até mesmo por desconhecimento daqueles que a redigiram e aprovaram.
Hoje me deu vontade de chorar e chorei
E foi tão bom!
Eu estava muito duro, irredutível
Meu coração sofria mas não se mostrava
Não queria assumir que sofria e chorava por dentro
Então meus olhos não mais suportaram a dor
E desobedeceram às ordens do coração
Meus olhos choraram e choraram
E fizeram bem ao coração que não admitia a dor
Ao coração que não assumia a perda do amor
Hoje me deu vontade de chorar e chorei
Chorei muito muito e me senti tão bem
Que meu coração até agradeceu aos meus olhos
Meu coração se aliviou um pouquinho
Ele também aprendeu a chorar
Aprendeu que de vez em quando é preciso chorar
Que as lágrimas nos dão forças para prosseguir
E resgatar o sentido da vida.
Poema glicêmico
O velho lenhador diabético
pegou marmita, um pouco de café
e batata doce,
um quilo de açúcar, machado e foice;
durante o dia suicidoce.