As coisas que ficam O dia começa sem pedir permissão. A luz entra pelas frestas
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As coisas que ficam O dia começa sem pedir permissão. A luz entra pelas frestas como um pensamento antigo que retorna sem ser chamado. O chão continua firme, mas o tempo escapa por entre as coisas paradas. O som do mundo é sutil. Mesmo o que se move faz silêncio. As marcas ficam mais na memória do que nos objetos. O relógio não compreende o que mede. Segue seu curso alheio ao peso que certas horas carregam. Nem tudo que passa termina. Nem tudo que permanece continua. Há coisas que não se explicam, e ainda assim persistem. O cheiro do pão, uma página dobrada, a forma exata de uma ausência que nunca deixou de ocupar espaço.