Iludir-se-ia ao crer
que perpassar por entre a vida
não extraviar-se-ia
dos sentidos tortuosos ofertados.
Há de haver passagem, decerto.
E há de empenhar-se
não somente em distrair-se
em suas sinuosidades
e labirínticas extensões.
Procure esmerar-se
no ímpeto da vida,
em sua mais simples simplicidade
de não renunciar-se.
O desconhecido
mostra-se atraente —
ou inspira temor?
Olhar através
do breu,
traz consolo
ou traz desespero?
No fundo d’Alma,
importa não
permitir o breu,
ao que restou,
resta apreciar.
Revela-se encanto
até mesmo em momentos
onde não se pode
a luz vislumbrar.
Quais cores escolher
transmitir pelo caminho
traçado a cada dia?
Imagino que ecoar
uma vibração capaz de influenciar,
florescer, envolver, atiçar,
seja a complexidade da simplicidade
de se permitir ser...
...ser colorido para si,
e ainda assim,
permitir colorir outrem.
Ao olhar adiante,
a beleza é explícita,
e duvidosamente questionada
através do que se foi alcançado.
Admirar a beleza
é sem dúvida algo a se praticar,
mas recomendaria,
se possível,
simplesmente admirar,
sem reputar.
Só se sabe a dor
de alcançar sua beleza
aquele que ousou
buscá-la.
Fragmentos de manhãs de inverno, aquecidas lentamente.
Por que não permitir fragmentos em si mesmo que aqueça a alma diariamente?
A vida é sucinta, é essência, é energia.
Sentir é muito além de simplesmente existir, é viver.