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Frases de Raniere Gonçalves

506 frases

Na beirada de Barretos bebendo cervejas caras. Espora sem bota, destino sem freio. Lembrando tempos de lençóis mais limpos.
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Na beirada de Barretos bebendo cervejas caras. Espora sem bota, destino sem freio. Lembrando tempos de lençóis mais limpos. 4 Févr, 12

Hoje é apenas sexta. Uma sexta com cara de sábado. Escruto as possibilidades quase inexistentes
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Hoje é apenas sexta. Uma sexta com cara de sábado. Escruto as possibilidades quase inexistentes de sair e ser feliz. É preciso tentar. Afinal nenhuma princesa pálida baterá na minha porta perguntando por mim. E mesmo as cervejas ficam destemperadas na porta de qualquer geladeira. Alçarei uma outra vez olhares caçadores sobre a mesma manada. Levarei comigo aquele sorriso emoldurado para socorrer o acaso. Ainda que nada ímpar aconteça eu saberei se a chuva molhou a cidade... E, então, poderei deixar que o álcool afogue o meu tédio.

Quem trabalha, quem produz, quem cria alguma coisa não muito raramente erra. Errar é da natureza humana.
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Quem trabalha, quem produz, quem cria alguma coisa não muito raramente erra. Errar é da natureza humana. Com nossos erros aprendemos a acertar. Já quem critica nunca erra: É sempre infalível. De cima de um pedestal é fácil imaginar o quão perfeitas poderiam ser as coisas. Afinal quem critica ferozmente os outros quase nunca trabalha, quase nunca produz, quase nunca faz nada parecido àquele que é objeto da sua critica. Todos erramos. O importante é sempre a boa fé com que fazemos o que fazemos. Mesmo na crítica deveríamos nos transportar para o lugar daquele que criticamos. Imbuídos de boa fé nossa crítica poderia ser positiva e melhoraríamos, assim, um pouquinho o nosso dia-a-dia. Ajudando a corrigir erros ao invés de simplesmente expô-los maldosamente a um mundo cada vez mais voraz de futilidades. E veja: a sabedoria em criticar construtivamente reside justamente na intenção. Toda crítica que ajuda, que edifica, que é positiva sempre muda nosso mundo pra melhor. O contrário não nos leva a lugar nenhum. Apenas expõe situações constrangedoras à execração pública, nada mais.

Pulei cedo e fui passar a vista na caracada. Saudoso eu estava do manejo, da berração.
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Pulei cedo e fui passar a vista na caracada. Saudoso eu estava do manejo, da berração. Contornei a capoeirinha e fui chamando: Vem moirinha, vem cigana, vem campeão.. Vem! Reuni e fui tocando. De começo já percebi duas paridas: um bezerrão malhado, uma terneirinha roxa. E foi. Fechei, apartei, curei bicho no umbigo, passei remédio pra caganeira... Minhas meninas me rodeavam: Olhares mansos, confiados, majestosos. Dei mais um repasse e pensei: sem mais novidades. E elas foram passando uma a uma pela porteira. Conta certa, falei pro meu umbigo. Sol alto eu voltei pra terra dos bancos.. Agora é seguir o rastro oloroso do almoço. É bom estar de volta aos meus domínios, à barra do Piancó, à vidinha besta desse canto de Minas.

O scotch honesto me olha de dentro do copo. Bronzeado pelo malte ele me diz: me tire dessa redoma
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O scotch honesto me olha de dentro do copo. Bronzeado pelo malte ele me diz: me tire dessa redoma que te colocarei um brilho dourado nos olhos.. O sol se foi e já é quase hora de buscar a alegria dos bares, de reencontrar gentes, de sentir os perfumes da noite. Lá vou eu, já vou eu em busca de alguma chama que me clareie o tédio, que transmute em multicolorido esse tempo tão gris.

Pequei pelo olvido. Estive pelos lados do Piancó nesse princípio de semana. Percebi uma novilhota caraca com um sinal vermelho na barbela.
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Pequei pelo olvido. Estive pelos lados do Piancó nesse princípio de semana. Percebi uma novilhota caraca com um sinal vermelho na barbela. Pensei comigo: É nada! Apenas algum carrapato caído. Ou arranhão em árvore espinhosa. Dei por olhado o plantel e voltei pra cidade. Nem me lembrei mais disso. Ao voltar por lá, hoje, constatei o estrago feito. Uma bicheira feia lhe comia parte da barbela. Grande mesmo de caber a mão. Reuni o gado, fechei no curralzinho da vargem e fui ver de perto, no tronco. A danada não deixava de atarantada que estava. Coloquei-lhe a formiga nas ventas, amarrei bem e curei. Unguento, prata e um larvicida pour-on, para garantir. É isso: um descuido que seja e o leite entorna. Soltei a bichinha no meio da vacada e fui despontando pra acurar a conta enquanto apreciava a subida delas pra cabeceira, em fila, emagrecidas por essa seca infinda, por esses dias vulcânicos.

Lascas, postes, palanques... A motosserra mastigava a madeira derrubada pelo vento, ressecada pelo tempo. Um lamento insistente desfiando na medida as peças perfumadas, coloridas.
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Lascas, postes, palanques... A motosserra mastigava a madeira derrubada pelo vento, ressecada pelo tempo. Um lamento insistente desfiando na medida as peças perfumadas, coloridas. Angico, sucupira, amarelinho... Era preciso aproveitar as árvores mortas para o reparo sem fim das paraguaias. E também para a limpeza das pastagens: Uma árvore caída é morada certa de cascavéis.. Outro dia na lida: olhares infinitos sobre os pedaços de tempo costurados na barra do Piancó..