Atroaram roucos estampidos
no distante.
Zilhões de gotículas vieram,
chuveriscando a pastaria.
Desenhou-se um riso
álacre nos meus lábios:
Perdigotos de deus
colorindo de verde
esses meus olhos
abaçanados.
É.
Infelizmente votos mudam muito pouco.
Enquanto não houver democracia direta
os políticos
e seus suseranos
continuarão achando que o mundo é deles,
não do povo.
Refuguei o periquita.
Um bom português não deve ser sacrificado assim
na solidão de um fusili com linguiça.
Coloquei a garrafa de volta no berço
para que fique adormecida até a chegada
dalguma princesa pálida.
Ou mesmo de amigos valorosos.
Agora vou começar a sesta
porque depois ainda terei muito que urdir
lá pelos meus domínios na barra do Piancó.
Esses biógrafos nos surpreendem com verdades inesperadas...
E nós que nos projetamos em heróis imaginários
que achamos ser como nós mesmos gostaríamos de ser.
O jeito é apelar para o sonho: nele tudo é perfeito,
sem os retoques inoportunos da realidade.
.
Só o tempo cura as perebas.
E os queijos.
Antes do carnaval meu fígado estará reconstituído.
Então eu dançarei sonrisando
pelas ladeiras de Diamantina.
.
Preciso começar a escrever livros.
Se "these beautiful pale girls" passarem
por minha casa encontrarão na estante
apenas empoeirados pocket books da geração beat,
ou clássicos indesejados, ou quadrinhos antigos,
ou fotonovelas mexicanas...
Nada,
definitivamente nada,
escrito por mim.
Lá vou eu, já vou eu abraçar toda gente que inunda a cidade com alegria e expectativa,
na passagem.
Farei o rito habitual: Estamparei os sorrisos colados
nos meus lábios pelos vapores da vodca.
E navegarei ainda uma vez a turba em algaravia
buscando os amigos de antes
e, também, os de agora.
Tentarei encontrar também a esperança.
Amanhã será um outro ano na roda do destino
e eu nunca mais serei o mesmo.
Meus olhares irão brilhar alegrias: tudo recomeça,
tudo tem jeito.
Abraços a todos os que tiram um tempinho para ler
as pequenas bobagens que escrevo,
abraços aos que não encontrarei por aqui pelas ruas
da cidade! ...
Um 2.014 com as cores da realidade!
Raniere.
I I " Pilastras largas,
colunas finas,
janelas...
Profundidades estonteantes.
Camadas e camadas de encantamento.
Vislumbres do irreal.
Antes eu decifrava,
entendia.
Agora apenas viajo.
O sol com seus cílios dourados esquenta a manhã.
Sem zonzuras, nem ressacas.
Apenas o tédio farfalhante das guarirobas
e o baloiço cadenciado da rede da varanda:
Dominguado, ossos do meu ócio.
A lida é um sem fim.
Um brota e desbrota.
Um faz e desfaz
que nem mesmo a morte leva.
Um trabalho de Sísifo.
Um cansaço desesperado
feito de sombras e sobras...
As chuvas inundaram todos os planos.
Minha lida vespertina foi adiada
para a manhã de amanhã.
Embora sábado restarei na alcova.
Sonharei com sorrisos perdidos,
com os olhares que não passarei pela turba cazuzeana,
com as cervejas seladas,
adormecidas no fundo do freezer.
Universidade.
Ando chateado com o meu passado
E também com esse presente cheio de
mesmices.
Velhas estórias não me seduzem mais.
Sinto dores que não são de amor e as
intempéries se agigantam no inverno.
Acho que o peso dos anos vividos
começa a me agaçar.
Fico esperando pela chuva pra poder chorar
sem que ninguém perceba.
Eu nos teus lençóis essa alegria me
bastava.
Abrir todas as janelas e deixar
entrar um pouco de luz dentro da vida.
Estou amargo de tanta solidão.
Preciso mesmo de novas ilusões que
me distraiam o senso.
Acho que voltarei pra universidade.
Lá tem lindas
cabritas sorridentes.
Com beijos
molhados e olhos macios.
E um pouco de
esperança pra eu poder roubar.
Hei de poder deitar naqueles colos
quentes.
E sentir o perfume daquelas coxas
roliças e longas.
E ainda uma vez olhar pra frente com
um sorriso nos lábios.