NAMORO NA ROÇA
Na roça o namoro é bom
Se tiver muito chamego
E se a "nega" disser, com
Dengo: - Eu quero mais, meu "nego".
É um grude, é um apego...
É a voz quase sem som...
É chamego sem sossego
E sempre no mesmo tom.
Nesse ardente chamegar,
Esse casal lá da roça
Vê a família esticar.
E, depois de alguns aninhos,
A gente vê, na palhoça,
Mais de seis barrigudinhos.
AO SOM DO SILÊNCIO
Do fundo da noite
Observo o além...
Estrelas cintilam,
Doce inspiração
Qual prêmio me vem.
Um bando de sonhos
Agita minh'alma...
A brisa carrega
Um cheiro de mato
Que aos poucos me acalma.
Um pouco de vinho -
E mais poesia.
E bailam as horas
Ao som do silêncio
Da noite tão fria!
SEM PUDOR
No palco do amor -
Deleite profundo,
se anula o pudor,
Se olvida do mundo!
Se olvida do mundo,
Se anula o pudor,
Deleite profundo -
No palco do amor!
Vibram corpo e alma,
Vibra o coração,
Vibram os sentidos!
Depois, doce calma...
E eu e ela, então,
Na cama... exauridos!...
MOMENTOS
Muitas vezes, caminhando
Do passado pela estrada,
Vejo vultos mergulhando
Em volúpia desvairada...
Vou, aos poucos, vislumbrando
Resumos de madrugada
E ilusões desmoronando,
Feito casa abandonada.
Lampejos de falso encanto,
Utópicos sentimentos
Alicerçaram meu canto.
Floriram alguns tormentos,
Irrigou-se o desencanto,
Mas não maldigo os momentos.
ATORDOADO
Eis
que me atordoa
a ulcerosa
madrugada
que vomita
fragmentos
de indigestas
e quiméricas
noitadas!
Nas imediações
do silêncio,
o vislumbre
do medo
e o espectro
do nada!...