Eu não faço mais tanta questão, sabe? Se quiser ir, eu me dou o trabalho de te levar até a porta. E se quiser ficar, o sentimento persiste dentro de mim. Mas a escolha é tua, sempre foi. E eu vou me esforçar o máximo pra aceitar, porque entender é pedir muito pra alguém tão sentimental quanto eu. Não me interprete de forma errada, por favor. O meu amor é visível. Mas você tem o livre arbítrio. Repito, a escolha cabe exclusivamente a você. O que eu quero dizer é que permaneço aqui. Com ou sem você. A vida não é tão massacrante quando não se tem expectativas. Quando o médico corta o cordão umbilical, é a forma que a vida encontrou de nos dizer: pronto, agora é você por você.
Me deparei com a pergunta: por que eu não escrevo mais? Não escrevo mais porque todos os meus textos são sobre você. E eu me cansei disso, digo: de você. Cansei de exaltar suas qualidades e até mesmo inventar algumas. Cansei de escrever sobre a falta que você me fazia e ainda faz, por mais que eu odeie admitir isso. Cansei de escrever pedindo desculpas e sobre sua falta de percepção. Eu preciso seguir com a vida, só que dessa vez, sem você. E pra que isso aconteça, eu preciso desatar esse nó que me prende a você. É por isso que eu não escrevo mais. Não escrevo porque você ficou no passado e infelizmente, o momento qual estou vivendo, se chama presente.
É que a gente parece duas crianças. Um mais birrento do que o outro. Somos mimados, cheios de vontade. A gente briga, muito. A gente discute, se bate, se xinga e até dizemos que nos odiamos. Ah, se todo ódio fosse assim. Mas você acaba voltando pra mim e eu voltando pra você. É como se tivéssemos um imã. Um polo positivo atraído por um negativo. É a física. Até a natureza conspira ao nosso favor.
Não, eu não sumi. Continuo morando no mesmo endereço. Ainda continuo com o mesmo número de celular. Não parei de frequentar os meus lugares favoritos e muito menos troquei de e-mail, assim como não deletei nenhuma rede social. Eu apenas parei de me importar com “você sumiu”, “sinto sua falta”. Pois bem, tu sabes aonde me encontrar.
Mas se você fosse diferente não teria me conquistado. Eu não teria me apegado a você. Não gosto do que é comum, do que é convencional. Gosto é de você. Isso, você. Desse teu jeito torto mesmo. Dessa sua mania de dizer que te amo. Dessa sua certeza absoluta sobre tudo. Do jeito que você me arranca sorrisos sem esforço. Desse teu bom humor insuportável. Suas implicâncias, crises existenciais. Seus defeitos - feitos - pra mim. Não mude. Nem por mim e nem pra agradar a ninguém. Se um dia quiser mudar, mude seu endereço e venha dividir uma cama de solteiro comigo.
Lembra do que já fomos? Não precisa responder, eu sei que se lembra. Não tem como ter esquecido, não assim, tão rápido. Foram tantas madrugadas em claro, tantos assuntos esquisitos. Tantas brincadeiras, tantos sorrisos. Ainda me lembro da forma como me chamava e se eu fechar os olhos, eu consigo ouvir tua voz. Não sei como fomos nos perder no tempo. Não sei.
Sempre vai existir alguém por aí - seja do outro lado da rua, ou do outro lado do mundo - que vai estar à sua espera. Pelo simples fato de você se sentir bem só por estar ao seu lado. É quando você vai se sentir completo e perceber que a sua busca pela felicidade finalmente chegou ao fim. Então você vai perceber que nada mais importa. Porque ao lado desse alguém as lágrimas viram sorrisos. E você se dá conta de que ao lado desse alguém é o seu melhor lado.