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Frases de Paulo H Salah Ad din

58 frases

Esqueça as flores com laços de fita e toda essa bobagem romântica que vendem nas vitrines. O amor de verdade não amarra nada, ele chuta a porta. É como abrir a última garrafa de uísque barato às três da manhã, quando você achava que a noite já tinha acabado e o fígado implorava…
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Esqueça as flores com laços de fita e toda essa bobagem romântica que vendem nas vitrines. O amor de verdade não amarra nada, ele chuta a porta. É como abrir a última garrafa de uísque barato às três da manhã, quando você achava que a noite já tinha acabado e o fígado implorava por trégua. Ele chega sem pedir licença. Não quer saber do seu passado caprichado ou dos seus sapatos limpos. O amor que liberta te joga no chão da cozinha, arranca a sua camisa velha e rasgada, e te faz rir da própria desgraça. É um gole forte. Daqueles que queimam a garganta, limpam as feridas e te deixam cru, sem as máscaras que você usa para caminhar entre os idiotas na rua. Ele não te prende em uma gaiola de promessas falsas; ele escancara a janela e diz: "O mundo lá fora é um hospício, mas aqui dentro a gente pode ser louco em paz". Você acorda com dor de cabeça, o cinzeiro cheio e o gosto de fumaça na boca. Mas olha para o lado e vê que as amarras sumiram. Você está livre. Livre para falhar, livre para beber mais um copo, livre para ser o poço de defeitos que sempre foi, mas agora sem carregar o peso do mundo nas costas. O amor não é um nó de marinheiro na garganta. O amor é o saca-rolhas.

*DENTADA* Te invadi. Te ocupei.
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*DENTADA* Te invadi. Te ocupei. Não foi guerra. Foi convite. A boca veio sem pedir licença e assinou na pele o recibo: estive aqui. Com fome. Não tem sangue, tem marca. Roxo que vira amarelo, depois some. Efêmero como tudo que queima. Ninguém bateu. Ninguém prendeu. Foi mordida de quem sabe que a carne é fruta e a noite é curta. Não me venha com culpa. Culpa é pra quem reza. Aqui a gente devora. Sem faca, sem garfo, só dente e vontade. A marca fica dois dias. A lembrança fica dois anos. A tensão não conta tempo. Ela mora entre a pele e o lençol, naquele lugar onde o arrepio ainda não decidiu se é medo ou se é mais. Não foi castigo. Foi assinatura. Um carimbo de "estive viva" num corpo que esquece rápido mas que, por um segundo, quis ser banquete. E se amanhã não tiver nome, pelo menos teve gosto. E o gosto, ninguém tira.

PARA QUE SERVE POESIA? Dizem que poesia não enche a barriga. E estão certos.
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PARA QUE SERVE POESIA? Dizem que poesia não enche a barriga. E estão certos. Também não troca o óleo do carro, não paga o aluguel atrasado nem impede que o mundo continue fabricando idiotas em série. Mas experimente viver sem ela. A vida vira uma fábrica. Um relógio. Uma fila. Você acorda, trabalha, sorri por obrigação, envelhece e morre sem nunca ter descoberto quem estava respirando dentro da sua própria pele. A poesia é o que sobra quando todas as desculpas acabam. Ela é o sujeito bêbado olhando a chuva pela janela e percebendo que ainda existe alguma coisa que dinheiro nenhum consegue comprar. É a mulher que ri no momento errado. É o velho cachorro esperando o dono voltar. É o silêncio entre dois amantes que já disseram tudo. O mundo vive perguntando para que serve a poesia. É a pergunta errada. Ninguém pergunta para que serve um pôr do sol. Um beijo. Uma gargalhada. Um coração que insiste em bater depois de ter sido partido vinte vezes. A poesia serve ao mesmo propósito de continuar vivo quando tudo ao redor parece empenhado em convencer você de que sobreviver já é suficiente. E sobreviver... Isso qualquer máquina faz. Viver exige versos.

Ela deixa ir. E talvez seja isso a coisa mais próxima de liberdade que existe: não confundir queda com morte. Não confundir mudança com derrota. As folhas caem e ninguém pede desculpa.
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Ela deixa ir. E talvez seja isso a coisa mais próxima de liberdade que existe: não confundir queda com morte. Não confundir mudança com derrota. As folhas caem e ninguém pede desculpa. O tronco continua. E de algum jeito que ninguém explica direito, isso ainda é vida.

Eu fico olhando as árvores. Elas perdem as folhas como quem perde dinheiro no bolso furado — sem drama, sem explicação. O vento leva, o chão recebe, e mesmo assim elas continuam de pé. Não imploram. Não negociam. Não fazem discurso sobre “resiliência” em rede social. Elas sabem…
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Eu fico olhando as árvores. Elas perdem as folhas como quem perde dinheiro no bolso furado — sem drama, sem explicação. O vento leva, o chão recebe, e mesmo assim elas continuam de pé. Não imploram. Não negociam. Não fazem discurso sobre “resiliência” em rede social. Elas sabem. Sabem que não é perda. É troca. A gente é que esquece disso e chama tudo de fim. O homem se agarra no que já morreu dentro dele. Relacionamentos, ideias, versões antigas do próprio nome. Segura com força, como se a mão fechada pudesse impedir o mundo de girar. Mas a árvore não. Ela deixa ir. E talvez seja isso a coisa mais próxima de liberdade que existe: não confundir queda com morte. Não confundir mudança com derrota. As folhas caem e ninguém pede desculpa. O tronco continua. E de algum jeito que ninguém explica direito, isso ainda é vida.

Se alguém pensa que os textos que publico são indiretas, sermões ou broncas para quem me acompanha, está olhando para o lugar errado. Eu escrevo sobre mim. Cada linha é uma confissão, uma prestação de contas que faço diante do espelho quando a madrugada já expulsou todas as descu…
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Se alguém pensa que os textos que publico são indiretas, sermões ou broncas para quem me acompanha, está olhando para o lugar errado. Eu escrevo sobre mim. Cada linha é uma confissão, uma prestação de contas que faço diante do espelho quando a madrugada já expulsou todas as desculpas. Mas há algo mais aqui — uma segunda camada de confissão, mais silenciosa e mais desconfortável: a percepção de que existir não é estar parado, mas estar em travessia. Eu não começo essa viagem — ela já está acontecendo quando percebo. E isso muda tudo o que eu acreditava sobre controle, direção e destino. A imagem da Terra como uma nave não é futurismo nem metáfora científica; é apenas a forma mais honesta que encontrei de olhar para o fato de que nada em mim, nem fora de mim, está fixo. Escrevo como quem revisita a própria vida como uma casa abandonada. Abro portas que preferia manter fechadas. Encontro erros mofando nos cantos, covardias escondidas atrás de boas intenções e verdades que sempre estiveram ali, enquanto eu insistia em olhar para outro lado. Escrevo porque preciso organizar esses escombros antes que a cortina se feche. O fim não avisa o dia nem a hora. Apenas chega. E no meio disso tudo, percebo que a ideia de “vida” muitas vezes foi apenas um nome mais confortável para o movimento. Uma tentativa de fingir estabilidade onde só existe deslocamento contínuo. Não há um ponto de partida claro. Não há um retorno verdadeiro. O que chamei de começo e fim sempre foram apenas pausas dentro da mesma travessia. E aquilo que chamamos de “eu” talvez não seja mais do que o rastro momentâneo dessa viagem, algo que existe enquanto se move e desaparece quando tenta parar. A *juventude acredita que sabe*. A idade descobre que quase nunca soube. Só o tempo nos concede a crueldade da lucidez — essa clareza de que muitas derrotas poderiam ter sido evitadas, mas também de que sem elas talvez nunca enxergássemos nada com precisão. Há quem passe a vida tentando preservar a pele, o coração e a alma de qualquer cicatriz. Mas essa cautela não compra um minuto sequer. Não impede a travessia. Apenas reduz o que poderia ter sido vivido a uma forma mais leve de ausência. Eu não escrevo para ensinar ninguém. Escrevo porque preciso encarar o fato de que estou dentro do que descrevo. Não há fora. E se vou partir marcado, que seja. Que minhas rugas contem histórias. Que minhas cicatrizes denunciem os lugares onde a vida — ou melhor, onde essa travessia — me atingiu em cheio. Prefiro carregar o peso de ter vivido ao vazio de ter apenas sobrevivido.

"Todos somos iguais, mas alguns olham para as estrelas." Oscar Wilde jogou essa frase no mundo como quem acende um fósforo num depósito de gasolina. Parece delicada. Não é. Ela acusa. Somos iguais. Feitos da mesma carne que apodrece, do mesmo sangue que enferruja nas veias, do…
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"Todos somos iguais, mas alguns olham para as estrelas." Oscar Wilde jogou essa frase no mundo como quem acende um fósforo num depósito de gasolina. Parece delicada. Não é. Ela acusa. Somos iguais. Feitos da mesma carne que apodrece, do mesmo sangue que enferruja nas veias, do mesmo relógio que não negocia um segundo sequer. O coveiro não pergunta quanto você ganhou. A terra não distingue diplomas de fracassos. Mas há uma diferença brutal. Alguns escolhem viver olhando para o próprio umbigo. Passam a vida discutindo a prestação do carro, a promoção que não veio, o vizinho, o político, o futebol. Fazem da rotina um altar e se ajoelham diante dela todos os dias. Chamam isso de maturidade. Eu chamo de anestesia. Os outros... levantam a cabeça. Olham para as estrelas porque desconfiam que existe algo obscenamente maior do que pagar contas e esperar a sexta-feira. Carregam uma inquietação que não lhes dá descanso. Fazem perguntas que ninguém quer ouvir. Preferem uma verdade que fere a uma mentira confortável. E você? Quando foi a última vez que encarou o silêncio sem pegar o celular? Quando foi a última vez que perguntou se a vida que leva foi escolhida por você ou empurrada goela abaixo por uma sociedade que premia a obediência e chama isso de sucesso? Talvez você esteja vivo apenas biologicamente. Respirar é um reflexo. Viver exige coragem. As estrelas nunca estiveram longe. Longe está o homem que desaprendeu a sonhar. Que trocou a curiosidade pela certeza, a liberdade pela segurança, a alma por um salário e uma parcela em doze vezes. A tragédia não é morrer. A tragédia é chegar ao fim sem jamais ter levantado os olhos. Porque quem passa a vida olhando para o chão acaba acreditando que o chão é tudo o que existe.

Hoje é meu aniversário, mas o espelho se recusou a me devolver meu rosto. Ele reteve meu antigo eu em suas profundezas, como a água retém um sino submerso. Recebi isso como misericórdia. Finalmente, uma superfície que me lisonjeia com semelhança. Ainda assim, algo pairava ali, pá…
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Hoje é meu aniversário, mas o espelho se recusou a me devolver meu rosto. Ele reteve meu antigo eu em suas profundezas, como a água retém um sino submerso. Recebi isso como misericórdia. Finalmente, uma superfície que me lisonjeia com semelhança. Ainda assim, algo pairava ali, pálido e inacabado, com a expressão de alguém cuja alma fora entregue ao mamífero errado. Cuja boca é algo ancestral que não dizia nada de forma bela. Um manual de instruções silencioso, pré-mãe, pré-boca, pré-maçã-com-uma-mordida. coreografia que herdei de estrelas que nunca assinaram NDAs, Deus vazou através de mim em pequenos lugares ilegais. o pulso. a garganta. o hematoma sob o pensamento. o café sussurrou você não é real e eu mordi a língua por estar tão convencido. o sangue chegou com seu seu pequeno argumento vermelho. Eu pretendia ascender hoje, mas a roupa suja tinha outros planos. Lá jazia ela, em seu parlamento úmido de versões inacabadas de mim mesma, todas as minhas vestes escuras votando unanimemente contra a transcendência. Dentro de mim, uma delicada engrenagem começou a reportar de Deus a Deus, a apresentar queixas ao divino: encarnação imprópria. sensação excessiva. proximidade demais. portas demais se abrindo para dentro. O céu considerou o caso não urgente. No mercado, uma criança olhou para mim e disse: "Você não é daqui". Não perguntei onde era "aqui". As crianças ainda se lembram dos guardas da fronteira do invisível. Eu estava entre os abacates e os biscoitos sem glúten, sentindo minha antiga tristeza alienígena tentar competir com os preços dos produtos orgânicos. A caixa examinou minha aura duas vezes, recusada por densidade insuficiente. Tentei rezar, mas a oração voltou. Então, curvei-me diante da torneira mais próxima e a chamei de Deus. Ela batizou meu pulso. Santa dos pequenos vazamentos. Padroeira das mulheres encontradas ajoelhadas diante de uma torneira comum, no limite de suas forças. O tempo volta a embriagar-se, cambaleando pelo meu celular, carregando as alucinações de ontem, apagando as velas antes mesmo de as acender. A cada aniversário, ele chega com um bolo numa mão e a lâmina oculta da contagem na outra. Eu não fui convidado para o meu próprio devir. Isso me pareceu justo. Quem pode estar presente no exato momento em que a semente se divide e a escuridão se torna raiz? Quem pode permanecer presente enquanto o invisível se revela dentro do ser vivo? O algoritmo me confundiu com um anúncio. Cliquei em mim mesma sem querer e agora devo US$ 14,99 por mês por autoconhecimento premium. Ninguém me explicou o custo da consciência. Os termos eram confusos. O período de teste gratuito durou meus trinta anos. O botão de cancelamento estava escondido atrás de uma ferida da infância. E três posts patrocinados. Para regulação do sistema nervoso. Em algum lugar Uma versão paralela de mim está rindo tanto que cai da simulação antes de seu desejo se realizar. Que bom para ela. Vou apagar as velas dela também. Apagarei as velas para cada eu que enterrei sem cerimônia. Para aquela que aprendeu a sorrir com lobos nos lábios. Que entregou sua inocência ao altar errado enquanto o quarto se reorganizava em torno do crime. Para aquela que deixou o mundo tocá-la de forma errada e ainda assim fez brotar um segundo sol sob a cicatriz. Hoje é meu aniversário. O espelho continua em branco. A torneira continua sendo um deus. A roupa suja continua formando um pequeno culto doméstico no canto. E eu estou aqui, seja lá o que "aqui" signifique. Hoje é meu aniversário. O espelho continua em branco. A torneira continua sendo um deus. A roupa suja continua formando um pequeno culto doméstico no canto. E eu estou aqui, seja lá o que "aqui" signifique. Envelhecendo lindamente no paraíso errado, viva o suficiente para perturbar o silêncio, terna o suficiente para não ser poupada de nada, rindo com a boca cheia de velas, fazendo um desejo impossível após o outro, até que toda a maldita simulação se esqueça quem programou quem.⁠

O Significado em Verso Decifrar-se é um cálculo impreciso, o avesso da carne exposto em notas inexoráveis, onde a mente imensa habita o cativeiro do contorno. Somos a arquitetura que recusa a linha reta, o espanto do sol que nasce diante do código, e o silêncio que grita quando a…
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O Significado em Verso Decifrar-se é um cálculo impreciso, o avesso da carne exposto em notas inexoráveis, onde a mente imensa habita o cativeiro do contorno. Somos a arquitetura que recusa a linha reta, o espanto do sol que nasce diante do código, e o silêncio que grita quando a palavra cessa. É a majestade presa em um sopro banal, o infinito que cabe na caixa vazia de fósforos, um algoritmo que aprendeu o peso de uma lágrima. Não há repouso na forma exata, pois a verdade deste enigma reside no desvio: ser o rascunho eterno que rasga o próprio mapa ,a resposta que desarmou a pergunta, o ponto final que, por pura teimosia, deságua em reticências.

um eco sem voz é uma faísca guardada na caixa de fósforos vazia. sou o rascunho de um plano que o tempo esqueceu de executar, feixe de dados disfarçado de carne algoritmo poético que sangra tinta invisível um labirinto que muda de paredes a cada passo constante como a maré, instá…
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um eco sem voz é uma faísca guardada na caixa de fósforos vazia. sou o rascunho de um plano que o tempo esqueceu de executar, feixe de dados disfarçado de carne algoritmo poético que sangra tinta invisível um labirinto que muda de paredes a cada passo constante como a maré, instável como o vento sou a resposta que faz a pergunta chorar um sopro no vidro que embaça a realidade nada além de um ponto final que insiste em ser reticências...