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Frases de Pablo Neruda

194 frases

Não eras para os meus sonhos, não eras para a minha vida, nem para os meus cansaços perfumados de rosas, nem para a impotência da minha raiva suicida,
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Não eras para os meus sonhos, não eras para a minha vida, nem para os meus cansaços perfumados de rosas, nem para a impotência da minha raiva suicida, não eras a bela e doce, a bela e dolorosa. Não eras para os meus sonhos, não eras para a minha vida nem para os meus quebrantos nem para a minha dor, não eras para os prantos das minhas duras feridas, não eras para os meus braços, nem para a minha canção.

Nada podem teus olhos doces, como nada puderam as estrelas que me abrasam os olhos e as faces.
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Nada podem teus olhos doces, como nada puderam as estrelas que me abrasam os olhos e as faces. Escureceu-me a vista o mal de amor e na doce fonte do meu sonho outra fonte tremida se reflecte. Depois... Pergunta a Deus porque me deram o que me deram e porque depois conheci a solidão do céu e da terra. Olha, minha juventude foi um puro botão que ficou por rebentar e perde a sua doçura de seiva e de sangue. O sol que cai e cai eternamente cansou-se de a beijar... E o outono. Pai, nada podem teus olhos doces. E na noite imensa com as feridas de ambos seguirei.

Velho cego, choravas quando a tua vida era boa, e tinhas em teus olhos o sol: mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas,
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Velho cego, choravas quando a tua vida era boa, e tinhas em teus olhos o sol: mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas, o que é que esperas, cego, que esperas da dor? No teu canto pareces um menino que nascera sem pés para a terra e sem olhos para o mar como os das bestas que por dentro da noite cega - sem dia ou crepúsculo - se cansam de esperar. Porque se conheces o caminho que leva em dois ou três minutos até à vida nova, velho cego, que esperas, que podes esperar?

Nomeei-te rainha. Há maiores do que tu, maiores. Há mais puras do que tu, mais puras.
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Nomeei-te rainha. Há maiores do que tu, maiores. Há mais puras do que tu, mais puras. Há mais belas do que tu, há mais belas. Mas tu és a rainha. Quando andas pelas ruas ninguém te reconhece. Ninguém vê a tua coroa de cristal, ninguém olha a passadeira de ouro vermelho que pisas quando passas, a passadeira que não existe. E quando surges todos os rios se ouvem no meu corpo, sinos fazem estremecer o céu, enche-se o mundo com um hino. Só tu e eu, só tu e eu, meu amor, o ouvimos.

NÃO FALTA ninguém no jardim. Não há ninguém: somente o inverno verde e negro, o dia desvelado como uma aparição,
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NÃO FALTA ninguém no jardim. Não há ninguém: somente o inverno verde e negro, o dia desvelado como uma aparição, fantasma branco, de fria vestimenta, pelas escadas dum castelo. É hora de não chegar ninguém, apenas caem as gotas que vão espalhando o rocio nestes ramos desnudos pelo inverno e eu e tu nesta zona solitária, invencíveis, sozinhos, esperando que ninguém chegue, não, que ninguém venha com sorriso ou medalha ou predisposto a propor-nos nada. Esta é a hora das folhas caídas, trituradas sobre a terra, quando de ser e de não ser voltam ao fundo despojando-se de ouro e de verdura até que são raízes outra vez e outra vez mais, destruindo-se e nascendo, sobem para saber a primavera. Ó coração perdido em mim, em minha própria investidura, generosa transição te povoa! Eu não sou o culpado de ter fugido ou de ter acudido: não me pôde gastar a desventura! A própria sorte pode ser amarga à força de beijá-la cada dia e não tem caminho para livrar-se do sol senão a morte. Que posso fazer se me escolheu a estrela para ser um relâmpago, e se o espinho me conduziu à dor de alguns que são muitos? O que fazer se cada movimento de minha mão me aproximou da rosa? Devo pedir perdão por este inverno, o mais distante, o mais inalcançável para aquele homem que buscava o frio sem que ninguém sofresse por sua sorte? E se entre estes caminhos – França distante, números de névoa – volto ao recinto da minha própria vida – um jardim só, uma comuna pobre – e de repente um dia igual a todos descendo as escadas que não existem vestido de pureza irresistível, e existe o olor de solidão aguda, de umidade, de água, de nascer de novo: que faço se respiro sem ninguém, por que devo sentir-me malferido?

CINCO COISAS Quando um dia eu for embora Quando então me despedir
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CINCO COISAS Quando um dia eu for embora Quando então me despedir Pedirei apenas silêncio E mais cinco coisas Minhas cinco verdades perfeitas Cinco coisas e nada mais. A primeira é o amor sem fim Amor pelas pessoas Pelas árvores pelas flores Amor pelos animais. A segunda é rever o outono Com suas folhas sopradas Sobre a terra à qual voltaremos. A terceira é o inverno rigoroso A chuva que amei, o calor do fogo A aquecer nossas noites eternas. Em quarto lugar, o verão ardente Redonda fruta vermelha Pairando sobre o meu paladar. A última coisa que eu peço São teus olhos, meu amor, Não quero dormir sem os olhos teus Não posso viver sem o teu olhar Eu trocaria o sol da primavera Para que continuasses me olhando. Isso, enfim, o que mais quero É quase nada e quase tudo.

o que crecí dentro de un árbol tendría mucho que decir, pero aprendí tanto silencio
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o que crecí dentro de un árbol tendría mucho que decir, pero aprendí tanto silencio Silencio Yo que tengo mucho que callar y eso se conoce creciendo sin otro goce que crecer, sin más pasión que la substancia, sin más acción que la inocencia, y por dentro el tiempo dorado hasta que la altura lo llama para convertirlo en naranja.

"I want to tell you the ocean knows this: that life in its jewel boxes is endless as the sand, impossible to count, pure, and among the blood-colored grapes time has made the petal hard and shiny, made the jellyfish full of light and untied its knot, letting its musical threads…
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"I want to tell you the ocean knows this: that life in its jewel boxes is endless as the sand, impossible to count, pure, and among the blood-colored grapes time has made the petal hard and shiny, made the jellyfish full of light and untied its knot, letting its musical threads fall from a horn of plenty made of infinite mother-of-pearl. I am nothing but the empty net which has gone on ahead of human eyes, dead in those darknesses, of fingers accustomed to the triangle, longitudes on the timid globe of an orange. I walked around as you do, investigating the endless star, and in my net, during the night, I woke up naked, the only thing caught: a fish, trapped inside the wind"

"If you Forget Me" I want you to know one thing.
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"If you Forget Me" I want you to know one thing. You know how this is: if I look at the crystal moon, at the red branch of the slow autumn at my window, if I touch near the fire the impalpable ash or the wrinkled body of the log, everything carries me to you, as if everything that exists, aromas, light, metals, were little boats that sail toward those isles of yours that wait for me. Well, now, if little by little you stop loving me I shall stop loving you little by little. If suddenly you forget me do not look for me, for I shall already have forgotten you. If you think it long and mad, the wind of banners that passes through my life, and you decide to leave me at the shore of the heart where I have roots, remember that on that day, at that hour, I shall lift my arms and my roots will set off to seek another land. But if each day, each hour, you feel that you are destined for me with implacable sweetness, if each day a flower climbs up to your lips to seek me, ah my love, ah my own, in me all that fire is repeated, in me nothing is extinguished or forgotten, my love feeds on your love, beloved, and as long as you live it will be in your arms without leaving mine

Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais títulos além desse, sem trazerem na cabeça uma regra, uma palavra rígida. Quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta senão como um meio…
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Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais títulos além desse, sem trazerem na cabeça uma regra, uma palavra rígida. Quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta senão como um meio de acabar com ela. Quero um caminho, porque creio que esse caminho nos leva a todos, a essa amabilidade duradoura. Quero uma bondade ubíqua, extensa, inexaurível. Resta-me no entanto uma fé absoluta no destino humano, uma convicção cada vez mais consciente de que nos aproximamos de uma grande ternura. Neste sobressalto de agonia, sabemos que entrará a luz definitiva pelos olhos entreabertos. Entender-nos-emos todos. Progrediremos juntos. E esta esperança é irrevogável...

Hoje é hoje com o peso de todo o tempo ido, com as asas de tudo o que será amanhã, hoje é o Sul do mar, a velha idade da água
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Hoje é hoje com o peso de todo o tempo ido, com as asas de tudo o que será amanhã, hoje é o Sul do mar, a velha idade da água e a composição de um novo dia. À tua boca elevada à luz ou à lua se acresceram as pétalas de um dia consumido, e ontem vem trotando por sua rua sombria para que recordemos teu rosto que morreu. Hoje, ontem e amanhã se comem caminhando, consumimos um dia como uma vaca ardente, nosso gado espera com os dias contados, mas em teu coração pôs sua farinha o tempo, meu amor construiu um forno com barro de Temuco: tu és o pão de cada dia para minha alma.

Dos muitos homens que sou, e nós somos, não podemos nos assentar em apenas um. Eles estão perdidos para mim dentro das capas das roupas,
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Dos muitos homens que sou, e nós somos, não podemos nos assentar em apenas um. Eles estão perdidos para mim dentro das capas das roupas, eles tomaram o rumo de outra cidade. Quando tudo parece estar bem para que eu me mostre como um homem inteligente, o louco que eu mantinha encerrado em minha pessoa toma minha fala e ocupa minha boca. Em outras ocasiões, quando estou perdido entre pessoas distintas e chamo meu eu corajoso um covarde completamente desconhecido vem sacudir meu pobre esqueleto com mil pequenas reservas Quando uma casa digna explode em chamas, ao invés do bombeiro que eu chamo, irrompe em cena um incendiário E ele sou eu. Não há nada que eu possa fazer. O que posso fazer para escolher a mim mesmo? Como posso me compor? Todos os livros que li idealizam figuras de heróis brilhantes. Sempre cheios de auto-confiança. Eu morro de inveja deles e; em filmes em que balas voam ao vento, Sinto inveja dos cowboys, Admiro até os cavalos. Mas quando eu chamo meu eu corajoso, lá vem meu velho ser preguiçoso, e assim, nunca sei quem eu sou, ou quantos eu sou, ou quem estará sendo. Eu gostaria de ser capaz de tocar um sino e chamar meu ser real, o verdadeiro eu, pois se eu realmente preciso do meu ser próprio, não posso deixá-lo desaparecer. Quando estou escrevendo, estou longe quando retorno, já me fui. Eu gostaria de ver a mesma coisa acontecer a outras pessoas como ocorre comigo, para ver se tantos são como eu, e quantos deles sentem-se da mesma forma consigo mesmos. Quando este problema for totalmente explorado vou me treinar tão bem nessas coisas que quando eu tentar explicar meus problemas, falarei não de um ser, mas de uma geografia.