Penso em você,
e a saudade aperta meu peito.
Um vazio silencioso consome meu ser.
Roubaram o brilho do meu olhar,
meu sorriso já não sabe fingir alegria.
Até a luz cansou de morar em mim.
Falta-me o riso fácil,
falta-me o chão, o norte, o abrigo.
Falta-me aquilo que me fazia inteiro.
Estou incompleto desde que partiste,
caminhando em meio a metades e ausências,
vivendo sem a minha outra metade.
Linguagem da tua pele
Teu corpo me chama no silêncio,
e eu me perco na linguagem da tua pele, nesse calor que se aproxima devagar e ensina o desejo a respirar.
Suspiros se confundem no ar,
mãos aprendem caminhos sem nome, e o que nasce entre nós
já não aceita fronteiras.
Quando a pele encontra a pele,
o mundo recolhe a própria voz,
e só permanece esse fogo íntimo,
ardendo sem pedir permissão.
Palmeiras
Verde que não é só cor,
é promessa,
é peito aberto cantando no escuro do estádio.
Cada passo no gramado carrega história,
cada grito na arquibancada vira destino.
Forjado na luta, gigante no silêncio,
vence quem aprende a cair sem perder a fé.
Quando o jogo aperta,
o coração responde:
ser palmeirense é ficar
quando todos duvidam.
Há títulos, sim
— mas há algo maior:
o laço invisível entre gerações.
Avô, pai, filho, o mesmo escudo no peito, o mesmo amor que não se explica, se herda.
E quando a bola beija a rede,
não é só gol
— é catarse, é lágrima, é chão tremendo.
Porque esse verde não passa,
ele mora.
Hoje entendo: amar você
foi trabalhar por um salário que nunca veio.
No fim, a única coisa que conquistei
foi aprender que sentir não garante direito ao final feliz.
Eu digo que tô bem
como quem fecha a porta devagar.
Por dentro,
tudo faz barulho.
Não é dor,
é cansaço de existir acesa.
Queria um lugar sem nome,
onde eu pudesse cair
sem ninguém me pedir força.
Se eu ficar em silêncio,
talvez eu me encontre.
Mil vozes
Quando o pensamento corre sem destino, mil vozes falam ao mesmo tempo dentro de você.
Não há assunto, não há forma,
só o barulho do que sente demais
e não sabe por onde começar a entender.
Então você para.
Fecha os olhos,
encara o silêncio,
e a meditação vira abrigo.
Não apaga o caos —
mas ensina a escutá-lo
sem se perder nele.
E aos poucos,
a mente desacelera,
o coração encontra ritmo,
e aquilo que parecia confuso começa a respirar.
Meditar não resolve tudo,
mas ajuda
— e às vezes, ajuda muito.
Porque é nas cicatrizes
que o amor cria raiz.
Elas não afastam
— aproximam.
E quando dois corações
se reconhecem feridos,
descobrem que curar juntos
também é uma forma de amar.
É nas cicatrizes que
o amor decide permanecer.
Não para consertar o que foi quebrado, mas para provar
que ainda há beleza no que sobreviveu.
Porque amar é escolher ficar,
mesmo onde a dor já morou.
Feito de Teixo
Feito de teixo,
não dobra fácil.
Aprendeu cedo a ser madeira firme
enquanto o mundo testava o peso.
Carrega flechas que não disparou,
dores que não nasceram nele,
mas que aceitou guardar
pra ninguém sangrar ao redor.
É arqueiro que vigia em silêncio,
olhos atentos mesmo quando cansam, corpo erguido no
meio do colapso
— não por heroísmo,
mas porque alguém precisa ficar.
Quando tudo racha,
vira apoio.
Quando todos falam,
escuta.
E quem encosta
sente segurança
sem saber por quê.
O erro foi aprender a ser muralha
antes de aprender a pedir abrigo.
Confundiu força com solidão,
resistência com fechamento.
Mas ainda permanece de pé.
Marcado.
Mais denso.
Inteiro.
Arqueiro
Sou arqueiro do silêncio,
aponto flechas de intenção no escuro,
meu arco é feito de espera
e a mira, do que sinto por você.
Tensiono o peito como corda,
respiro fundo antes do disparo—
sei que toda verdade lançada
pode ferir ou libertar.
Minhas flechas não pedem sangue,
buscam o centro do teu medo,
querem pousar no teu coração
sem fazer barulho.
E se eu errar o alvo, tudo bem:
arqueiro também aprende com o vento.
Mas se eu acertar, que seja amor
cravado, definitivo, inteiro.
Seleção Brasileira
Quatro anos carregando
o mesmo silêncio,
a taça distante, o sonho adiado.
Cada derrota virou cicatriz,
cada espera, um nó no peito do país.
O tempo passou devagar demais,
como quem olha o relógio
antes do apito final.
Mas a camisa segue
pesada de história,
e o verde-amarelo nunca desaprendeu a acreditar.
Agora é ano de Copa.
O coração volta a bater mais forte,
a rua se pinta de esperança,
e o passado vira combustível,
não medo.
Porque mesmo depois da ausência,
o Brasil entra em campo
com fé renovada.
Talvez seja este o ano.
Talvez seja agora.
A taça ainda não veio —
mas a esperança…
essa nunca saiu. 🇧🇷
Que seja só 1% —
eu coloco nele toda
a coragem que me resta.
Porque às vezes o amor não nasce da certeza, nasce do salto que a gente dá mesmo tremendo.
Os 99% são medo, eu sei.
Medo do silêncio depois da pergunta, do olhar que não fica,
da resposta que desmonta o coração.
Mas esse 1%
carrega esperança demais
pra ser ignorado.
É o instante em que penso em você
e tudo dentro de mim decide tentar.
Se eu for rejeitado por você, vou seguir a minha vida sem você — mesmo que os 99% já tenham tomado conta de quem eu sou.”
Não te perdi por falta de esforço,
perdi porque amor não recompensa ninguém.
Alguns corações são só passagem,
e o meu foi morada que você nunca quis manter.
No fundo, talvez eu só esteja exausta(o).
De sentir demais, de segurar demais,
de fingir equilíbrio quando tudo treme.
E mesmo assim eu continuo dizendo “tô bem”,
não porque seja verdade,
mas porque ainda estou aqui —
e isso, por enquanto, é o que consigo ser.
E é justamente nessas marcas
que o amor aprende a ficar.
Não para apagar o passado,
mas para caminhar com
ele sem medo.
Porque amar também é segurar
a mão do outro onde ainda dói.
Em cada gesto teu encontro poesia,
em cada olhar, a certeza do destino.
És meu porto seguro, minha melodia,
a paz que se espalha por todo meu caminho.
Estou com estabilidade com a conexão,
Não só da rede que nos mantém juntos,
Mas da chama que acende no coração,
Do toque suave que dissolve todos os pontos.
Cada palavra tua é sinal constante,
Que me alcança mesmo na distância e no tempo,
E sinto o mundo inteiro mais vibrante,
Quando me perco no teu silêncio
e alento.
Não há falha,
queda ou interrupção,
Que apague a força do
que temos em nós,
Porque a tua presença
é a minha razão,
Meu porto seguro,
meu rastro de luz e voz.
E assim, com cada gesto e intenção,
Reafirmo, com amor e devoção,
Que mais que uma conexão de transmissão,
És a frequência pura do meu coração.