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Frases de Olavo de Carvalho

1.382 frases

Diferença crucial: na esquerda, as idéias corrompem as pessoas; na direita, as pessoas corrompem as idéias.
A base de TODA formação cultural é o domínio estético da linguagem. Você pode ler milhares de livros de sociologia, economia, filosofia, política, teologia e ciências naturais. Sem uma extensa CULTURA LITERÁRIA -- ficção, poesia, teatro, ensaios --, você continuará sempre um selv…
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A base de TODA formação cultural é o domínio estético da linguagem. Você pode ler milhares de livros de sociologia, economia, filosofia, política, teologia e ciências naturais. Sem uma extensa CULTURA LITERÁRIA -- ficção, poesia, teatro, ensaios --, você continuará sempre um selvagem enfeitado.

Minha idéia da revolução cultural surgiu com a leitura dos livros de Lima Barreto, onde eu confirmava da maneira mais dramática a minha convicção de que o mal do Brasil era o desprezo geral pelo conhecimento, secundado, como compensação imaginária, pelo amor idolátrico aos símbol…
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Minha idéia da revolução cultural surgiu com a leitura dos livros de Lima Barreto, onde eu confirmava da maneira mais dramática a minha convicção de que o mal do Brasil era o desprezo geral pelo conhecimento, secundado, como compensação imaginária, pelo amor idolátrico aos símbolos convencionais do 'status' intelectual: cargos, diplomas, honrarias, essa merda toda. Quando me convenci de que, sem corrigir isso, era inútil discutir 'problemas brasileiros', achei que estava na hora de fazer algo a respeito.

Muitos escritos filosóficos são de alto valor literário, mas nem sempre os grandes filósofos são também grandes escritores. Não cabe comparar os voos poéticos de Platão com os rascunhos compactos de Aristóteles, a elegância e a graça de Leibniz com as desesperadoras circunvoluçõe…
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Muitos escritos filosóficos são de alto valor literário, mas nem sempre os grandes filósofos são também grandes escritores. Não cabe comparar os voos poéticos de Platão com os rascunhos compactos de Aristóteles, a elegância e a graça de Leibniz com as desesperadoras circunvoluções verbais de Schelling ou a limpidez cristalina de Louis Lavelle com a complexa engenharia lógica de Edmund Husserl.

A ÚNICA finalidade das universidades é preparar os alunos para ser autodidatas, para que possam dirigir os seus estudos sem precisar mais do guiamento de um professor de carne e osso. Se um sujeito já provou que pode, e se acadêmicos de vários países concordam que ele já o fez e…
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A ÚNICA finalidade das universidades é preparar os alunos para ser autodidatas, para que possam dirigir os seus estudos sem precisar mais do guiamento de um professor de carne e osso. Se um sujeito já provou que pode, e se acadêmicos de vários países concordam que ele já o fez e fez muito bem, cobrar dele a passagem por uma universidade é como exigir que um galo volte ao ovo e se torne pinto.

É importante ter idéias verdadeiras, mas isso não é tudo. É preciso também viver no verdadeiro, isto é, não fingir que você sabe o que não sabe, nem que não sabe aquilo que sabe perfeitamente bem. Se você não é fiel a essas duas exigências, sua vida é uma mentira e o conteúdo pre…
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É importante ter idéias verdadeiras, mas isso não é tudo. É preciso também viver no verdadeiro, isto é, não fingir que você sabe o que não sabe, nem que não sabe aquilo que sabe perfeitamente bem. Se você não é fiel a essas duas exigências, sua vida é uma mentira e o conteúdo pretensamente verdadeiro de seus pensamentos não é senão uma parte da farsa total - aquela parcela de verdade de que a mentira precisa para se tornar mais verossímil.

Os componentes essenciais da técnica filosófica são: 1. A anamnese pela qual o filósofo rastreia a origem das suas idéias e assume a responsabilidade por elas. 2. A meditação pela qual ele busca transcender o círculo das suas idéias e permitir que a própria realidade lhe fale n…
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Os componentes essenciais da técnica filosófica são: 1. A anamnese pela qual o filósofo rastreia a origem das suas idéias e assume a responsabilidade por elas. 2. A meditação pela qual ele busca transcender o círculo das suas idéias e permitir que a própria realidade lhe fale numa experiência cognitiva originária. 3. O exame dialético pelo qual ele integra a sua experiência cognitiva na tradição filosófica, e esta naquela. 4. A pesquisa erudita pela qual ele se apossa da tradição. 5. A hermenêutica pela qual ele torna transparentes para o exame dialético as sentenças dos filósofos do passado e todos os demais elementos da herança cultural que sejam necessários para a sua atividade filosófica. 6. O exame de consciência pelo qual ele integra na sua personalidade total as aquisições da sua investigação filosófica. 7. A técnica expressiva pela qual ele torna a sua experiência cognitiva reprodutível por outras pessoas. Todos os grandes filósofos do passado praticaram esse conjunto de técnicas e muitos se referiram a elas em suas obras, mas nenhum se ocupou em fazer delas uma exposição abrangente e sistemática. [...]

Para que surja um amor verdadeiro, é preciso que a imagem integral e concreta de um ser humano, tomado na totalidade do seu destino biológico, histórico e espiritual, se imprima na alma de outro ser humano. Não basta que a carne de um impressione a carne do outro. O impacto da im…
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Para que surja um amor verdadeiro, é preciso que a imagem integral e concreta de um ser humano, tomado na totalidade do seu destino biológico, histórico e espiritual, se imprima na alma de outro ser humano. Não basta que a carne de um impressione a carne do outro. O impacto da imagem carnal provém exatamente de que ela é abstrata.

A filosofia não é uma ciência, é uma técnica. [...] Uma técnica, ao contrário, reúne várias correntes causais autônomas e heterogêneas, irredutíveis a princípios comuns e unificadas tão somente pelo resultado a obter. Nenhuma técnica, por mais simples que seja, se reduz à aplica…
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A filosofia não é uma ciência, é uma técnica. [...] Uma técnica, ao contrário, reúne várias correntes causais autônomas e heterogêneas, irredutíveis a princípios comuns e unificadas tão somente pelo resultado a obter. Nenhuma técnica, por mais simples que seja, se reduz à aplicação de um princípio científico único. Nenhuma técnica, a rigor, se deixa explicar totalmente pela ciência. A técnica tem sua racionalidade própria, interseccionada com a da ciência mas não redutível a ela. [...] O resultado da obra técnica é um produto concreto (de con cresco, 'crescer junto') obtido pela articulação real, não ideal, de diferentes concreções parciais. A filosofia é uma técnica porque o resultado a que ela visa não é um conjunto de afirmações abstratas sobre esta ou aquela parte da realidade, nem mesmo sobre a 'realidade como um todo': é a capacitação do sujeito cognoscente humano individual para a apreensão concreta dos nexos entre conhecimento e realidade, apreensão sem a qual nenhum conhecimento, cientifico ou não, pode estar seguro de que faz sentido, nem de que seu objeto corresponde a algo no mundo real.

As provas da existência de Deus demonstram a NECESSIDADE LÓGICA dessa existência, não a sua FACTUALIDADE. Ademais, toda prova lógica só pode demonstrar a existência de 'algum' deus, no sentido genérico, não a de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, mas, como este é o único Deus que…
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As provas da existência de Deus demonstram a NECESSIDADE LÓGICA dessa existência, não a sua FACTUALIDADE. Ademais, toda prova lógica só pode demonstrar a existência de 'algum' deus, no sentido genérico, não a de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, mas, como este é o único Deus que existe, a prova genérica é necessariamente insatisfatória. A fé exige algo mais. Dizer que existe alguma prova lógica da existência de Deus É O MESMO que dizer que a existência de Deus é logicamente necessária. [...] Só disse que não se pode atribuir a Ele a 'existência' no sentido em que este termo se aplica às coisas criadas. [...] a lógica, por si, não pode provar a existência de nada, apenas a necessidade lógica dessa existência, mas, como não existe existência genérica e o próprio Deus não é uma generalidade e sim uma PESSOA real e concreta, a prova lógica deixa escapar o principal, a não ser que seja complementada pelo conhecimento intuitivo direto da AÇÃO divina no mundo, Aí a certeza não é só a da existência de 'algum' Deus, e sim a do NOSSO Deus. Para encerrar esta coisa: Se a lógica pudesse provar algo mais que a necessidade lógica da existência de um Deus genérico, se ela pudesse, partindo da existência das coisas criadas, provar a existência do NOSSO Deus, a revelação seria inteiramente desnecessária e a Encarnação seria apenas uma redundância. Fim de conversa. Dou por pressuposta a teoria de Sto. Tomás e tento raciocinar A PARTIR DELA em vez de simplesmente repeti-la. Tal é a obrigação do filósofo. Por essa via, pergunto: Se provamos apenas a necessidade lógica, maximamente cogente, da existência de 'um' Deus criador, provamos apenas a existência de um Ser genérico, não a do NOSSO Deus, Esse Ser genérico existe independentemente e acima das Três Pessoas da Trindade? Se respondemos 'sim', somos muçulmanos; esse Ser é exatamente o que se entende por 'Allah'. Mas se sabemos, pela Revelação, que o Único Deus que existe é o das Três Pessoas, é claro que não podemos nos contentar com a prova lógica e temos de levar a investigação adiante. Sto. Tomás, na 'Suma Contra os Gentios', deixa claro que a prova da existência de Deus pela dos seres contingentes é válida igualmente para os cristãos, os judeus e os muçulmanos. É portanto evidente que essa prova trata de 'um' Deus genérico e não do NOSSO Deus em particular.