Para encontrar uma base firme para o julgamento do conhecimento em geral, nós
temos que encontrar o que o Mário Ferreira dos Santos chamava de 'ponto arquimédico', que é aquele ponto de credibilidade máxima onde uma verdade é tão óbvia e patente que você não pode esquecê-la por um único minuto sequer. Você verá que a busca desse ponto arquimédico é uma constante em toda a história da filosofia, às vezes com o nome de “busca da certeza”, ou com outro nome qualquer. Esse território firme, de onde a totalidade dos conhecimentos que chegam até você pode ser julgada, é fundamental na filosofia, e é exatamente isso o que nós queremos. O ideal seria você alcançar um nível de certeza absoluta sobre determinados pontos, um nível de auto-evidência, mas na maior parte das questões isso não é possível. Não podendo obter a certeza absoluta, nós buscamos então a credibilidade máxima.
Existem ainda remanescentes de uma velha direita policialesca, irracionalista, machista, moralista (da vida alheia) até à demência, visceralmente antinordestina, às vezes anti-semita e sempre supremamente cretina. Essa direita tem de ser EXTINTA antes que se possa oferecer qualquer resistência séria à ditadura petista. Não é por uma questão de imagem. É que andar com maluco faz mal à saúde.
Um dos segredos básicos da vida é você conseguir se aproximar de pessoas que têm os mesmos objetivos e os mesmos valores que você. São Tomás de Aquino já definia a amizade no seguintes termos:
'idem velle, idem nolle', ou seja, é seu amigo aquele que quer as mesmas coisas que você e rejeita as mesmas coisas que você. Sem você encontrar um grupo que se identifique com os seus objetivos e valores, é claro que você estará isolado perante grupos que serão ou estranhos, ou hostis — grupos que não compreenderão você e julgarão você um ET, um doente mental ou um marginal —, e isso vai enfraquecê-lo formidavelmente ao longo do tempo.
Um sintoma claríssimo de depressão — muitas vezes, creio eu, nascido diretamente de uma sugestão diabólica — é você acreditar, em segredo, que jamais poderá ser amado pela pessoa cujo amor você deseja. Isso o induzirá a procurar alívio em pessoas que, por sua vez, não merecem o seu amor, e acabará levando você ladeira abaixo, no caminho da degradação e do mal.
Confesso que, em décadas de experiência, nunca conheci um único sacerdote, católico ou protestante, que estivesse consciente desse drama e pudesse fazer algo de efetivo para ajudar os fiéis que caíssem vítimas dele.
Prometam um ao outro amor incondicional e perdoar tudo sempre. That’s all. Amor e perdão incondicionais sempre. O amor verdadeiro dá saúde, força e longevidade. Não falha. Tudo pode ter altos e baixos, menos o amor. O amor é um juramento eterno. Ou então não é amor, é ilusão. Se você continua amando a pessoa no exato instante em que está lhe dando o maior esporro, então é amor de verdade. Se o amor cessa durante a irritação, não é amor. Digo mais: o amor não é um sentimento. É um modo de ser. É um juramento interior de defender o ser amado até à morte, mesmo quando ele peca gravemente contra você. Como dizia Jesus, devemos morrer pelo ser amado. Quando a gente espera que o amor torne a nossa vida mais agradável, em vez de sacrificar a vida por ele, a gente fica sem o amor e sem a vida. O amor é o mais temível dos desafios. Mas quando o conhecemos, não queremos outra coisa nunca mais.
A igualdade social e econômica de homens e mulheres só se tornou possível num estado avançadíssimo de desenvolvimento do capitalismo industrial, uma sociedade inabarcavelmente complexa, fruto de milênios de esforços acumulados.
Ela não tem nada de natural. É uma invenção tardia, dificílima de realizar e repleta de conseqüências impremeditadas.
A mais tola ingenuidade é imaginar que tudo o que desejamos é um direito natural.
Eu, por exemplo, desejo e exerço a liberdade de opinião, mas não sou idiota ao ponto de pensar que é um direito natural. É uma sorte incrível, que a maior parte da humanidade jamais desfrutou, e que caiu no nosso colo por efeito de uma evolução histórica que mal chegamos a compreender.
A filosofia, sendo educação em sua mais íntima essência, é por isto mesmo metadidática, não havendo nela a possibilidade de uma seriação graduada do mais fácil para o mais difícil. Em filosofia a melhor maneira de dizer é aquela que encarne da maneira mais direta e fiel o próprio método filosófico, e o método filosófico melhor é o que mais eficazmente apreenda a coisa da qual se fala, sem nada acrescentar à sua simplicidade ou subtrair da sua complexidade. Não se pode falar legitimamente de filosofia senão desde um ponto de vista filosófico. Não há quadro de referência externo desde o qual se possa 'compreender' uma filosofia, pela simples razão de que a filosofia é a arte de montar os quadros de referência de toda compreensão.
O sujeito que nunca tenha lido um livro até o fim, mas que de tanto vasculhar índices e arquivos tenha adquirido uma visão sistêmica do que deve ler nos anos seguintes, já é um homem mais culto do que aquele que, de cara, tenha mergulhado na 'Divina comédia' ou na 'Crítica da razão pura' sem saber de onde saíram nem por que as está lendo.
"Todo o universo dos nossos pensamentos e emoções nós recebemos da cultura; ou somos modelados por ele ou os modelamos nós mesmos, conforme a nossa capacidade de iniciativa. A absorção da cultura presente na máxima medida possível é uma condição da liberdade humana. Se você não quer ser modelado pela cultura, vai ter de reforjá-la para seu próprio uso e o dos outros.
Grandes escritores e filósofo integram o máximo que podem da sua cultura contemporânea, e criam uma personalidade intelectual própria. Ortega y Gasset: 'A reabsorção das circunstâncias é o destino concreto do homem.' Alguém tem de ajudar você a fazer isso, ou você tem de se educar a si mesmo para isso."
Nenhum conservador deve ter a imprudência de comparecer a uma universidade para dar uma palestra sem levar uma tropa-de-choque disposta a tudo, igual àquela que o estará esperando para não deixá-lo fazer a palestra. A igualdade democrática, salvo engano, opõe argumentos a argumentos e tropas-de-choque a tropas-de-choque.
O estudante que acompanha regularmente as minhas aulas e faz um esforço sério para apreender as estruturas profundas do meu pensamento, ainda que sem aderir a todas as minhas opiniões sobre pontos particulares, especialmente da política atual, torna-se um continuador e um intérprete qualificado da minha obra. Se, em vez disso, o cidadão apenas adere a algumas opiniões minhas que chegaram ao seu conhecimento, fazendo ou não delas a inspiração principal e o polo orientador da sua militância cultural ou política, isso não faz dele, evidentemente, um 'discípulo' nem representante do meu pensamento, por mais simpático que ele seja à minha pessoa e aos meus esforços.
Um professor tem de concentrar-se de tal modo no OBJETO da sua exposição, que não precise nem possa pensar na impressão que está dando à platéia. Um professor não é um pregador em busca de conversões, nem um ator empenhado em produzir emoções, nem um advogado ansioso para obter uma sentença favorável.
Desde o início da minha aventura de estudioso, estou persuadido de que a sabedoria – ideal a um tempo móvel e derradeiro da filosofia – não consiste em verdades gerais cristalizadas em formulas doutrinais repetíveis, mas na apreensão do sentido universal das situações particulares, únicas e concretas vividas pelos seres humanos reais.
Não coloco todas as pessoas do meu convívio no mesmo plano. Seria puxassaquismo demagógico. Amigos foram o Paulo Mercadante, o Bruno Tolentino, o Herberto Sales, o José Mário Pereira… Depois vêm os ALUNOS. Depois deles, os ADMIRADORES. Depois destes, lá longe, a PLATÉIA. Depois dela, quase invisível na distância, só vem o círculo dos fofoqueiros.
Dicas de ciência política:
1. Conquistar mais poder é da essência mesma do poder. O poder que para de crescer está em extinção.
2. Como não existe poder absoluto, mas todo poder contém elementos de debilidade, a luta pela sua conquista, manutenção ou expansão não é jamais direta e linear, mas sinuosa e dialética.
3. Hoje em dia, os meios para a conquista, manutenção e ampliação do poder, usados em dosagens, variações e combinações diversas, são três e não mais de três: a mentira, a corrupção e o homicídio.
Em qualquer análise política essas premissas são indispensáveis.