“Atingir o conhecimento que preencha o vazio e faça a diferença tornou-se o desafio maior. E o homem recorre a todos os artifícios — Filosofia, Sociologia, recursos tecnológicos — por acreditar que, se desvendar o mistério do vínculo entre a ciência e o pensamento com a origem da vida, encontrará as respostas para as dúvidas que inquietam a humanidade.”
“Nenhum educador,
por mais que tenha habilidades para gerenciar conflitos;
competências para superar transtornos; eficiência na aplicação de conteúdos; habilidades para promover o crescimento humano do seu aluno;
dificilmente alcançará o alvo “formação integral”.
No entanto, pode fazer a diferença na vida desse sonhador aluno que necessita de respeito, orientação e liberdade para descobrir que aprender é um prazer tão indescritível quanto a alegria de ensinar”.
Entender o valor do conhecimento exige sensibilidade e orientação na busca de discernimento para apreender os valores da vida e inseri-los de forma que estes promovam a autovalorização que determina os valores que preenchem as nossas ambições humanas, pessoais e profissionais. Pois transitar pelas trilhas do ser humano sem abrir chagas exige conhecimento denso, habilidade para não tropeçar nas cicatrizes de sonhos e desejos fracassados, provocados principalmente pela deficiência de conhecimento.
“Contender entre si tornou-se hábito, rotina... Uma regra cada vez mais imposta na sociedade do consumo desenfreado, e poucos se preocupam com o amanhã, o futuro das novas gerações, pois é típico da natureza humana viver o hoje, aproveitando o agora como o último instante de celebridade, convertendo, assim, a existência no “1, 2, 3 e já”. Quem não pegou carona no vácuo perdeu a vez, pois o amanhã é um passo tão distante que não deve ser ensaiado, muito menos precipitado. Simplesmente, pode não existir.”
“É urgente a necessidade de admitirmos que família não é uma Companhia Limitada ou uma Sociedade Anônima para ser administrada com ativo e passivo,
cumprir um calendário tributário para se esquivar da malha fina.
Família é o ventre onde o humano absorve valores culturais, religiosos, deveres, responsabilidades...
Compromissos... para fortalecer as estruturas pessoais.
Sem essa instituição cada vez mais desintegrada, é inevitável o aborto do cidadão socialmente correto”.
“O grande afã para acompanhar o ritmo da vida é tamanho que não sobra tempo para contabilizar os itens básicos que equilibram o desenvolvimento humano, e é nesse terreno que se fixam as raízes de muitos males, principalmente dos#11;fracassos inexplicáveis, renúncias indiscutíveis de ideais e propósitos.”
“A sociedade contemporânea é inteiramente desprovida de conteúdo, pois segue as tendências que se sobrepõem aos deveres. Nesse universo artificial, “nada” tem tanta importância que um gesto contido é motivo de discórdia; um simples olhar torna-se razão de descontentamento; uma palavra é o bastante para despertar a fúria que explode em forma de ódio a ponto de o abstrato tornar-se tudo.”
“A humanidade é persistente no propósito de destruir, irracional na busca de divisas, irresoluta ao extremo, como uma máquina que confia na força bruta para triturar, ultrapassar... Abrir caminhos pelas entranhas da vida e avança alimentada pelo combustível tecnologia, que seduz, fascina e a impele a enveredar pela rota traçada por esse predador, pois ele, o desenvolvimento econômico, que está provocando a explosão populacional, exige cada vez mais da natureza: mais cidades; mais alimento; mais desmatamento; mais indústrias; mais automóveis; mais residências; mais esgoto lançado nos rios; mais lixo hospitalar, eletrônico, tóxico... E mais dióxido de carbono e metano disseminados na atmosfera.”
“Nossa sociedade converteu-se num covil em que cada membro traça a sua trajetória no seio de um círculo sem propósitos, em que o humano — espécie vulnerável, em constante estado de evolução — tornou-se um artista, experto em maquiar a realidade para dissimular as marcas dos fracassos.”
“Educar é como a arte de cultivar a terra: estabelece habilidades, competências, atenções especiais, sensibilidade para aprender com o tempo, tirar lições da semente que busca germinar num meio infestado e aprender como preparar o terreno, o momento de semear, de regar... A hora de colher... Se não ficar atento às mudanças, ao tempo da semente, pode perder tudo.”
“O mundo evoluiu numa velocidade tão alarmante que a escola se distancia da sociedade e se perde pelos caminhos que antes acreditava serem trilhas seguras; a escola de paredes e grades está perdendo terreno para a “escola da vida”. Seus atrativos são fantásticos: portões amplos, corredores iluminados e mestres com “habilidades e competências” para transformar seus alunos em doutores na arte de ser delinqüentes, pois a tradicional continua estagnada no tempo, com técnicas e princípios que não educam, e, mesmo com os avanços da ciência, que buscam caminhos alternativos para sanar problemas emergentes, estamos distantes de termos uma educação que cumpra metas para que a escola atinja as suas funções sociais.”
“Infelizmente, os políticos do nosso país ainda não atingiram um grau de maturidade ou de responsabilidade para cientificarem de que a floresta, principalmente a Amazônica, é a veia de escape da vida, por ser responsável pela absorção do veneno que as ações do homem espargem na atmosfera: o dióxido de carbono e o metano. Destruí-la é construir uma fornalha que, ao atingir o seu limite de temperatura, não permitirá manutenção para reverter o erro.”
“O homem, na plenitude da sua imperfeição, na grandeza da sua capacidade de querer absorver os mais singelos movimentos, de reter informações precisas do porquê da própria existência, mostra-se instável, inconsistente, e poucos conseguem domar esse anseio a ponto de evitar o conflito entre o conhecimento sensorial e o intelectual. Por se deparar com dificuldades para organizar idéias, pois se confronta com problemas para gerenciar os instrumentos do conhecer — situação e razão — e transformar esse mecanismo em conhecimento que proporcione o seu desenvolvimento.”
“Sabemos que é impossível conter o desenvolvimento, pois a própria procriação da raça humana exigirá novos espaços para a convivência em sociedade. Contudo, podemos desacelerar os passos do extermínio dando atenção ao planeta, cada vez mais estressado, prestes a atingir o seu limite de produção.”
“O sistema se preocupa em edificar escolas modernas, com aparências futuristas, mas não vislumbra que escola contemporânea é aquela que, de olho no amanhã, ajusta as falhas do ontem sem perder o contato com o hoje e que esse espaço é ministrado pelo humano cognominado professor, que necessita de capacitação, motivação, respeito, equilíbrio, autonomia e suportes técnico e pedagógico para aplicar uma boa aula.”
“Com tantos impedimentos, a escola futurista não evolui em tempo real para acompanhar os passos de uma sociedade cada vez mais eletrônica, cuja placa-mãe armazena dispositivos que atraem o futuro a cada reset(ada) do tempo. O seu progresso é tão lento que ainda não conseguiu se livrar sequer do quadro de giz. Daí as dificuldades para inserir as tecnologias de ponta disponíveis para o sistema de ensino, pois, em plena era digital, computador e Internet ainda são bichos estranhos para muitos professores, que, sem intimidades com esses “monstrengos”, se ajeitam como podem para ludibriar seus alunos, colocando remendo novo em tecido velho.”