Vento, vento, de onde vens?
estás sempre ao meu redor,
que segredos trazes em teus lamentos,
seriam saudade de algum amor,
ou canseira de viver tanto ao relento,
arrastando folhas e mágoas
de quem te percebe e dá valor?
No horizonte do crepúsculo
as cores esmaecem em rosa e azul,
abro as asas e o abraço
na paz do dia que se despede...
Neusa Marilda- 26 de maio de 2.010
É noite plena, misteriosa, envolvida em sombras,
a lua sem dono, vaga lentamente, distante,
imponente, nos leva a ter alguns sonhos,
Já é a hora do descanso do corpo
e da mente que precisa um certo abandono
entre lençóis, envolvendo-se docemente
Lá na amplidão tudo é silêncio profundo,
há um vazio e promessas de infinito,
ao dormir nada somos, apenas pausa da vida
numa canção que nem percebemos, tocamos...
em notas de amor afinado ou de saudade, um grito...
Quero da vida um pouco da imensa paz,
a que deve haver no sono de uma criança,
para saber dar valor ao que me rodeia,
plantando sempre um pouco de esperança
Há sim uma certa magia
que num suave pulsar
de notas trazidas
por uma brisa perfumada
faz tudo exalar em
poesia...
Hay una cierta magia
Qué una pulsación suave
de notas
para una brisa fragante
y se ventile todo en
poesía
Fuja de língua afiada
ela nunca dá desconto
gosta de ser exagerada
conta um conto
aumenta um ponto
prejudica as pessoas
se alimenta de fofoca
não tem índole boa
quer ver os outros em derrota
Alegre-se, são quatro as estações,
foi-se o verão escaldante, ligeiro,
deixou para trás suores e trovões,
a natureza outonou, n'alma é um esteio
Iremos depois ao lindo inverno
que perfumes bem gelados trará
dos píncaros dos montes eternos
e nosso corpo se aconchegará
O coração em compasso de espera,
seguirá, porque sabe, tudo vai passar,
entoando hinos à imponente primavera
que virá logo para nos abraçar
Hoje vejo a chuva em nostalgia
leve, devagar, lavando a terra
e trazendo nas gotas a poesia
que sempre ela nos oferece
Hoje, mas somente hoje,
parece que algo nela não é
e que sua melodia ate carece
daquela força e de fé...
O que acontece, não sei,
algo com ela se deu
parodiando o poeta, pensei,
ela mudou ou mudei eu?
Sempre fiz o meu caminho
desenhando passo a passo
no chão onde pisava
cada nota do compasso
Compus a minha melodia
olhando o sol e estrelas
captando toda a poesia
só minha, tinha direito de tê-las
Não mirei a vida de ninguém
em silêncio fiz a minha
sabendo e muito bem
quem atrás de mim vinha
A vida é sempre assim
parece um rodamoinho
meio irreal, mas há sim
quem deseje nosso caminho
porque não tem ideal