Sei que a poesia é o sentimento maior
que se esparge em todo lugar,
mas a maioria nem a percebe, não tem valor,
infelizmente, porque é riqueza, sentimento,
e tem realidades dentro da fantasia,
toda e qualquer uma faz sonhar...
Veja as manhãs despontarem
com o sol tecendo bordados nas paisagens
onde árvores e plantas dançam calmas
agasalhando pássaros nas ramagens
Sinta em teu rosto a brisa serena
a tocar- te em carícias bem sutis
é a natureza ofertando presentes
para que teu dia seja mais feliz!
Janela da vida
Abro a janela, lá fora existe o mundo,
pequeno ou grande, depende, nem importa,
posso ver apenas até o horizonte
que minha imaginação desenha e exorta
Pela janela é que vejo a vida plena,
sinto-a no ar puro que respiro,
vendo o mundo exterior sinto alegria,
mas dentro de mim outro mudo me inspira
Inspira-me a ser melhor a cada dia,
ter mais paciência e sorrir sem receio,
ser feliz é isso, viver passo a passo,
fazendo de conta que sou criança no recreio
Há doces amores
que não se revelam,
apenas flutuam
ao sabor do vento,
e por onde vão,
bordam quimeras
Há doces amores,
que sonham em luas e sóis,
envolvem-se nas tramas do tempo,
espreitando outros amores
em doces esperas
Ritmo da vida
O vento em rodopios,
a luz do sol em centelhas,
a vida matinal reverbera esperança
nos caminhos de sempre,
basta ter olhos para ver
observando cada nuance,
tudo é feito no tempo certo,
tanto uma tempestade,
quanto a bonança
Das flores quero a poesia
em cada pétala e perfume
da brisa quero a melodia
em sussurros ou queixumes
Das pedras quero a areia
que conta a estrada a história
e sempre, sempre lastreia
toda a sua trajetória
Do mar quero ser marola
em placidez e plenitude
em cada movimento que evola
suavidade e cantos de solitude
Desse poema sem jeito
sem contagem de métrica
vem a certeza que espreito
a vida é mesmo poética
Então da vida só quero
as linhas traçadas em emoção
versos que as vezes nem espero
mas que nascem no coração
E de onde vem esta aura,
como se fosse um pincel mágico
em respingos e quimeras,
com perfumes e brisas sinceras ,
pintando nesgas de saudade
nesse quase tempo de primavera?
Fui ao topo da montanha mais elevada,
e alcei voo com asas de beija flor,
senti a alma congelada
junto ao orvalho da noite em torpor
Tal qual borboleta, voei dias e noites,
delirando de jardim em jardim,
senti perfumes, espinhos, açoites
tudo isso e mais, à procura de mim
Assim mais forte, sempre em quimera,
fui remédio de minha própria dor,
fui tempo, fui verbo e espera,
tudo em nome do amor !
Mais um aniversário?
puxa, como o ano passou,
mas é isso é um presente
que a vida me doou !
Vou sair e festejar
a nova data da idade
e da outra vai restar
só um pingo de saudade
Quero cantar e sorrir
com fé e muita esperança
viver meu tempo e seguir
com o coração de criança
Um dia a pequena criança viu a nuvem e nela quis voar. Como doida pulava e obvio- jamais alcançaria . Resolveu formar com elas mil imagens que surgiam de sua fértil imaginação. Lá na amplidão azul mesclada de branco apareciam então mil carneirinhos, flores, dragões, barcos e monstros sem braços ...Depois esquecia de tudo e voltava a atenção aos pássaros que em revoadas passavam sobre sua cabeça no imenso jardim ou trilhas por onde andava. Com eles queria voar também e lógico não era possível, resolveu então vestir asas imaginárias e aos solavancos, descia rampas de gramados, achando-se uma sabiá. Até que rolou por uma ribanceira e feriu-se muito. Não desanimou, seus pés não se contentavam em andar apenas sobre o chão e vestiu asas de borboleta. Pelos prados sem fim, voava e ruflava, indo de flor em flor. Sabia todos os perfumes e texturas delas, mas um dia uma vespa predadora a quis pegar, ela perdeu uma das asas e caiu. Nunca mais voou e aos poucos morreu no jardim que amava. Não se deu por vencida, largou a fantasia de borboleta e virou vespa. Como essa, voava sem receio, apavorando borboletas, até que veio um pássaro e a comeu. A garotinha resolveu ser um pássaro e foi voando pertinho das nuvens e ali conseguiu por um instante tocá-las. Imaginou junto à nuvenzinha uma varinha de condão e como fada do faz de conta virou poeta para sempre.
Acho que fiquei louca
com tua falta, menino!
minha voz está bem rouca,
te chamei tanto, mais de quilos!
Não ouviste, que maldade
fizeste ao meu coração !
que ao teu vive em lealdade
entre poema e canção
Quero fazer uma trova
que a minh'alma ditou
mas que seja linda e nova
porque a inspiração cansou
Vejo que não vem o mote
tudo parece mal feito
o coração dá um galope
quase estourando no peito
E isso seria de amor
num versinho revelado
sem ter na face rubor
dando todo o meu recado
Tentei, tentei e não consegui
as linhas se tornaram estranhas
esse amor que nem pedi
não se retrata e se acanha
Por isso tenho que parar
de rabiscar essas besteiras
o sentimento irei guardar
para o resto de vida inteira!