Que fazer se, por toda a parte, recebemos uma saraivada de idiotas? Não há opção à vista. Cada um tem de se tornar idiota para sobreviver.
Frases de Nelson Rodrigues
218 frases
Enquanto o homem não amar o outro para sempre, continuaremos pré-históricos.
Cada um de nós está sempre a um milímetro da depressão, a um milímetro da euforia.
Há sujeitos que nascem, envelhecem e morrem sem ter jamais ousado um raciocínio próprio.
Não há pior degradação do que viver pelo hábito de viver, pelo vício de viver, pelo desespero de viver.
Atrás de todo paladino da moral, vive um canalha.
Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.
As coisas ditas uma vez, e só uma vez, morrem inéditas.
Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
Com o tempo e o uso, todas as palavras se degradam. Por exemplo: – liberdade. Outrora nobilíssima, passou por todas as abjeções. Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade.
O amigo é um momento de eternidade.
Todos nós somos mais ou menos infelizes. As angústias estão crispadas dentro de nós como víboras.
No dia em que a criatura humana perder a capacidade de admirar, cairá de quatro, para sempre. O mal de todos nós, a nossa crise, a nossa doença, é que admiramos pouco, admiramos de menos.
O brasileiro é o aniversariante nato. Nenhum outro povo faz anos com tão larga e cálida efusão. No Brasil, um aniversário jamais é intranscendente.
Se a vida não o faz sofrer, é preciso que o artista invente o próprio sofrimento.
O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro.
O homem precisa de utopias, e direi mesmo: – são umas quatro ou cinco utopias que ainda nos salvam.
A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.
Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: – ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho. Posso subir numa mesa e anunciar de fronte alta: – “Sou um ex-covarde”. É maravilhoso dizer tudo.
A burrice é a pior forma de loucura.
Ou o sujeito é crítico ou é inteligente.
Não há gênio que não tenha, de vez em quando, a nostalgia da burrice. Aliás, um dos traços do gênio é o seu nenhum escrúpulo em ser imbecil de vez em quando.
O carioca é um ser encantado. No Rio, dois sujeitos que nunca se viram tornam-se como que súbitos amigos de infância e caem nos braços um do outro, aos soluços. E a única cidade em que pode nascer, entre dois desconhecidos, uma intimidade fulminante.