Pular para o conteúdo

Frases de Monalisa Ogliari

59 frases

⁠A dor me escapa e se esconde para além de mim mesma. Liberta da opressão, posso expressar com lirismo todos os sentidos ofuscados. Sou calma e a calma é o meu jeito de estar no mundo. Prezo passos mansos, mãos delicadas e palavras sussuradas. Nada que desperte a natureza, tão co…
Continuar lendo

⁠A dor me escapa e se esconde para além de mim mesma. Liberta da opressão, posso expressar com lirismo todos os sentidos ofuscados. Sou calma e a calma é o meu jeito de estar no mundo. Prezo passos mansos, mãos delicadas e palavras sussuradas. Nada que desperte a natureza, tão coerente em seu ritmo. Posso ser um pássaro, uma flor, um fruto. Posso ser um ser integral em comunhão com tudo que me cerca. Admiro a paciência das árvores, crescendo lentamente. Não quero ferir o silêncio. Por isso meus dedos são suaves e não fazem alarde.

⁠Como um antigo museu, com seus achados e descobertas, assim também é minha linguagem. Palavras que desvelam pensamentos ocultos, em que palavra puxa palavra e dançam na busca de significados. As palavras são peixes dourados, escorregadios, habitantes da nevoa marítima. Questiono…
Continuar lendo

⁠Como um antigo museu, com seus achados e descobertas, assim também é minha linguagem. Palavras que desvelam pensamentos ocultos, em que palavra puxa palavra e dançam na busca de significados. As palavras são peixes dourados, escorregadios, habitantes da nevoa marítima. Questiono e eu mesma respondo, como o sol que nasce na serra. Eu sou uma pessoa curiosa e conheço os frutos de cada árvore. Sou simples e clara como um feixe de luz.Caminho estradas em que desconheço o seu fim. Apenas caminho, porque tenho pernas e desejo de descobrimento. Posso me aquecer ao sol e esquecer toda complexidade do meu ser. Hoje o dia está farto e caminho entre entre a paz e a malemolencia. Busco imagens traduzam meu estado de espírito. E seria algo fluido como a massa de um pão, que alimenta e perpétua a tradição. O pão que nutre o corpo é a história. Sou eu assim leve e densa, mas busco água profundas que me desconstruam e me mostrem outra fase de mim mesma. Mas o tempo passa suave e não vejo o caminhar das horas. Sou como um relógio, que gira e volta ao mesmo ponto. Mas transcendo é destruo o tempo na palma da minha mão. Posso assim viver o eterno que há em mim. Eu, dona de mim. Num tempo paralelo, em que só existem letras e palavras.

⁠Havia uma árvore no meio da janela. Não havia nenhuma comida na panela. Só a multidão se esfacela no ônibus lotado rumo à favela. Choveu muito e há lama na rua. Os pés se sujam como em uma gravura. As sombrinhas se dobram como em uma pintura. Mas os transeuntes não acham graça.…
Continuar lendo

⁠Havia uma árvore no meio da janela. Não havia nenhuma comida na panela. Só a multidão se esfacela no ônibus lotado rumo à favela. Choveu muito e há lama na rua. Os pés se sujam como em uma gravura. As sombrinhas se dobram como em uma pintura. Mas os transeuntes não acham graça. Pagam caro a passagem de cada dia. A alta carestia da vida. Mas é preciso viver por que o sangue pulsa. E as crianças pedem pão. E pedem circo. E pedem amor. Os homens querem respeito, querem ser chamados de senhor. As formigam tem fama de que muito trabalham. Carregam folhas. E ignoram a extinção das abelhas. Nos conventos existem freiras que não se casam. Os franciscanos fazem voto de pobreza. Enquanto outros preferem a realeza. Há quem ame os felinos. Há quem mostre os caninos. O mar é um lugar misterioso. É cheio de água. O humano é um ser muito peculiar. Toda hora enche o peito de ar. E eu tento memorizar quantas vezes o beija flor bate as asas quando está parado no ar. Essa vida é um sopro. É uma galinha que nasceu antes do ovo.

⁠Cansada do eu, dispo-me do ego e me entrego nas palavras subconscientes. Posso ser uma pedra preciosa, bela e inquebrável. Mas essa imagem bonita diz pouco quando escurece e a noite traz sons do universo. O dia foi longo como um trem rasgando a estrada. E se escrevo é porque tra…
Continuar lendo

⁠Cansada do eu, dispo-me do ego e me entrego nas palavras subconscientes. Posso ser uma pedra preciosa, bela e inquebrável. Mas essa imagem bonita diz pouco quando escurece e a noite traz sons do universo. O dia foi longo como um trem rasgando a estrada. E se escrevo é porque transbordo do eu farto de mim. E me entrego a imagens. A flor é bela e delicada, mas além de seu aroma não sinto mais nada. Depositei em você sonhos de unificação, mas o amor resultou inútil. E me sinto uma pedra, que não simboliza nada. A pedra pode ser o instrumento de uma força descomunal que busco em mim. Uma rocha imutável, sujeita aos ventos, ao sol, E a chuva. O que fazer para aliviar esse desaninimo que me exaure? Talvez pintar um quadro, mas a pintura resultou inútil, se a olho e nada sinto. Esse é uma prosa poética que fala sobre energia, aliás, a falta dela dela. Então como palavras repetidas, imagens gastas e você que é ilusão. Se pelo menos o amor batesse a porta com suas mil promessas. Eu acreditaria, pois tenho fome de ideais. Mas na poltrona de minha sala só encontro vazios e um cansaço de existir. Se ao menos o tarot falasse a verdade, mas sou de touro, e isso não diz nada. Quero promessas, materializações. Eu farta de inventar motivos, significados. Eu não me basto. É como dizer para o universo 'por que tantas estrelas se não posso tocá-las e nem compreendê-las. Noite escura, vento que sopra. E nada me diz.

⁠Na superfície das palavras não se vislumbra águas profundas. Um oceano de mares desconhecidos. O subconsciente integralmente inalienável. Onde não cabem mentiras nem falseamentos. Em um modo extremo de alheamento. O corpo se movimenta para além dos comandos da mente. A mente lud…
Continuar lendo

⁠Na superfície das palavras não se vislumbra águas profundas. Um oceano de mares desconhecidos. O subconsciente integralmente inalienável. Onde não cabem mentiras nem falseamentos. Em um modo extremo de alheamento. O corpo se movimenta para além dos comandos da mente. A mente ludibria. E pensa ser nós, quando na verdade é algo muito maior. Trago um sorriso aberto no fundo do peito. Lágrimas persistentes não tiram de minha alma a vontade de ser. Existir para além das aparências. E quando penso ser o fim, renasce mais um dia. E me alegro, porque a alegria é minha, está marcada nas palmas de minha mão. Então suspiro e vejo o remansear do rio que é a vida. E a vida se estende como um oceano profundo, com suas ondas suaves. Hoje é dia de ser dia. E o dia se faz como um milagre. Alguma ideia vaga de um passado distante se pinta no agora e uma nova pintura da vida se faz no rosto que brilha. Centelha divina. Somos como um campo e sua vasta plantação a perder de vista. Tão grande é a natureza e esses olhos que observam. Se te amo, é porque o amor mora em mim. E você é aquilo que transborda do ser iluminado. Faria juras de amor, quando te juro, juro a mim mesma. E a explicação é sempre uma forma serena de apresentar os fatos. Tudo aquilo que transborda em mim em te dou gratuitamente, sem esperar reciprocidade, porque nada perco se tudo é abundância em meu peito. Escrevo palavras aleatórias que se juntam buscando significado. Talvez não o encontre realmente, mas fala porque há palavras como peixes em um ria. Te olho e encontro encanto. O encanto está em mim ou está em ti? É uma sensação plena de simbolismo. E minha alma não se apequena se acho graça em seu sorriso. E acho graça em sua gravidade, como se a vida fosse séria de arder, quando na verdade é só um deixar estar do tempo que chamamos de agora. O presente, no instante exato em que fito seus olhos. É imensidão. E se demora em ampla contemplação. Isso me prazer alegria, a alegria que há tanto mora em mim. Se mesmo quando me sinto triste, eu escrevo. E se escrevo, é porque há esperança. A esperança de a vida ser cada vez mais longe tudo aquilo que sonhamos. E então observamos os frutos de nossas mãos e colhemos abundância de afeto e prosperidade de sentidos.

⁠Meu melhor remédio é a palavra. Através dela eu me liberto de pensamentos rígidos e encontro soluções que saem de meus dedos. A palavra é para mim uma flor delicada, cujo aroma energiza o ambiente e torna tudo possível. Aquela dor pesada que comprimia o meu peito é agora parte d…
Continuar lendo

⁠Meu melhor remédio é a palavra. Através dela eu me liberto de pensamentos rígidos e encontro soluções que saem de meus dedos. A palavra é para mim uma flor delicada, cujo aroma energiza o ambiente e torna tudo possível. Aquela dor pesada que comprimia o meu peito é agora parte do passado. Sinto-me bem como um pássaro fluindo no ar. Observo a natureza e sua grandeza e me sinto grande, porque sou também natureza. E tudo transborda em mim, prosperidade, paz, energia. Tudo segue seu ciclo. Silenciosamente agradeço esse estado de espírito, que me transporta para o que há de melhor em mim. Percebi que não sinto mais tristeza. Sinto o coração aconchegado. E uma gratidão suave envolve meu universo. Evoco símbolos como árvores. E me vejo frondosa, proporcionando grande sombra que alivia o sol ardente. Sinto-me ave, porque voo em meu inconsciente e a serenidade é uma realidade palpável. Assim, posso escrever sem ferir as palavras, sem evocar sentimentos ardilosos. Tudo é paz em mim e a paz é uma força poderosa, que com delicadeza anuncia que tudo está bem. Estou viva e isso me basta. Não anseio e nem me desespero. Apenas sinto que a vida está completa e a vida em si basta. Sinto amor, porque é um sentimento. Mas não necessito do amor, se ele brota de mim mesma. Vou andando pela estrada é conhecido, mas novamente penso e reflito. Quão grande é o universo que piso. E se falo de paz, é porque a paz está em mim.

⁠As palagras não se esgotam. Muitiplicam-se. E encontro solo fértil para plantar minhas insanidades lúcidas. Vagueio e minha escrita é pluma flutuando no ar. Todos os meus eu se encontram nesse instante. Não preciso buscar as palavras, elas brotam no misterioso caminho das ambigu…
Continuar lendo

⁠As palagras não se esgotam. Muitiplicam-se. E encontro solo fértil para plantar minhas insanidades lúcidas. Vagueio e minha escrita é pluma flutuando no ar. Todos os meus eu se encontram nesse instante. Não preciso buscar as palavras, elas brotam no misterioso caminho das ambiguidades. Posso falar do tempo, posso falar de amor. Nada se esgosta. Pelo contrário, tudo flui magicamente. Então escrevo porque tenho palavras na minha boca e emoção em meu ser. Eu que tanto amo vivo longe do amor em carne, porque meu amor é fluidez e não encontra sólido caminho de realização. Mas eu não me queixo. Deixo-me levar pelo dia como um carrossel. Vou girando como brincadeira de criança. A criença que nunca morreu em mim. Mas sei falar sério. E lanço filosofia metafísica transmutada de perguntas sem responta. Minhas palavras acompanham meus sentimentos. Se estou triste, meus versos escurecem. E a dor se transfigura como um sentimento universal. Mas hoje estou em paz, e posso fluir esse sentimento. Criar. Tirar de minhas entranhas palavras que desconhece e florecer um versos assim tão natural com o resplandecer de uma escrela. Hoje te amo. Amanhã já não sei mais. Se te amo no dia de hoje, desejo seu sorriso e seu peito aberto. Se não me corresponde, por uns instante entristes, mas logo me volto para o mistério de vida e trasnscendo o amor carnal em vagas palavras que alimento. Seu amor desperta em mim um alegria etéria, uma força magnética que me ergue. Mas se você já me esqueceu, nego-me a acreditar, se esse amor tão vivo vibra em mim. Escreverei a você mim poemas de amor, mesmo que talvez você não os leia. Então transmito para o universo o amor que é um sentimento compartilhado. O amor é sentimento puro, correoi o ódio em suas beiradas. Eu queria falar de vida metafísica, mas seu amor entrou em meu poema. Talvez nunca mais eu te veja, mas meu amor ficará como testemulho de algo belo que existiu. Admirido seu jeito sério, e sua seriedade me sorre e me enche de significado. Desejo ardente que não será realizado. Talvez o tempo amenize essa força com que te sinto. Você será lembrança. E eu continuarei a ser eternidade, se falo, e me ouçam. Para você guardei as melhores palavras. Mas você me responde através de enigmas. E eu queria sua pele aquecendo a minha. A vida é assim, podemos quer tudo que queremos, mas não podemos ter tudo que queremos. Então me resigno. Esse poema não era de amor. Você entrou por entre as frases e transformou o que pensei escrever. Mas sinto alívio se falo de você, porque o sinto e calo. A ninguém falo. Se você me encanta, encanta o mundo. Então te desejo inteiro cumprimindo suas obras de arte e de paz. Se um dia você me ler, sentirei grande satisfação. Ainda que haja grande distância de um beijo, que os lábios correm mundos diferentes. Você lerá e saberá que foi amado, gratuitamente amado. Difícil escrever poema de amor. Dá uma sensação de incompletide e banalidade. Eu escrevi sem rota. As palavras foram escritas quase que sozinha e agora colho ums declaração de amor. Mas esse amor, eu bem sei, nasce em mim e se esvai, na medida de sua incompletude. Agora acordarei serena e talvez não ame mais. E me entregarei ao momento presente, como um feixe de luz. Minha vida basta, é bem verdade. E se te amo é pelo prazer de divagar, mas o sentimento é honesto. Ame-me até o fim, que é o destino dos grandes amores. No final, o que restam são palavras. O amor perde o encanto e a mente questiona com pode ir por caminhos tão frágeis. O amanhã se demora. E prometo de intanste de agora te amar imensamente por hoje. Amanhã amarei o sol e a natureza. Entragarei-me a vida, que é muito mais ampla que o amor carnal. Mas por hoje eu te amo e desejo que você sinta aconchego em seu peito, sentimento único e que te transmito na humilde poltrona do meu quarto. Você para mim é a inspirição que me fez escrever essas palavras. Amanhã, talvez será nada. Sonhamos.

⁠Cai a noite e a noite é sempre um tempo que volta em meus versos. Cai uma noite densa e fria, refrescante. E acnoite hoje não me amedrontador. Acostumei-me com o seu jeito de estar no mundo. O coração está claro, sem grandes sobressaltos. E me despeço daquela dor antiga que me a…
Continuar lendo

⁠Cai a noite e a noite é sempre um tempo que volta em meus versos. Cai uma noite densa e fria, refrescante. E acnoite hoje não me amedrontador. Acostumei-me com o seu jeito de estar no mundo. O coração está claro, sem grandes sobressaltos. E me despeço daquela dor antiga que me acompanhava como pertencente inerente do meu ser. Hoje sou contemplação e tenho as estrelas como companhia. Quando eu estou feliz eu não escrevo. Fica aquela impressão que vivo em estado de sofrimento. Mas hoje faz luz em meio peito e registro esse momento de serenidade, antes tão raro, mas hoje já uma presença constante. E agradeço, porque sei reconhecer. Cai a noite densa e sinto uma grande paz. Nada a pedir. Nada a ansiar. Somente sorver o momento presente, cada instante inerente, imanente, que sobre sobre o infinito. Sinto paz e a paz é por si só um poema.

⁠Eu queria escrever um poema que falasse da vida, sua complexidade, mas eu queria falar mesmo de felicidade. Sim, hoje o meu dia foi feliz, encontrei meus familiares, amei e me senti amada. Dias assim a vida não precisa de sentido, precisa apenas ser sentida. Compartilhar. Ser im…
Continuar lendo

⁠Eu queria escrever um poema que falasse da vida, sua complexidade, mas eu queria falar mesmo de felicidade. Sim, hoje o meu dia foi feliz, encontrei meus familiares, amei e me senti amada. Dias assim a vida não precisa de sentido, precisa apenas ser sentida. Compartilhar. Ser importante para alguém. Sentir que minha vida importa e que minha ausência seria sentida. É mais do que ego. É um sentimento humano ao se relacionar e sentir que pertence a algo mais. Coração em paz. Sentimento de plenitude. Dá vontade de cantar, mas está tarde e para não incomodar os vizinhos, eu canto debaixo da coberta. É uma cena meio esdrúxula. Mas sinto vontade de cantar. Dizer ao universo que eu estou bem. Que meu dia foi bom. Sei que a vida não é retilínea, dias alegres e tristes se revezam. Mas hoje não quero pensar em tristeza. A tristeza hoje me parece uma velha corcunda, sempre reclamando da vida. Hoje a felicidade me encontrou e sinto que quero vive-la imensamente. Por isso me recuso a dormir. Não quero perder nenhum segundo desse sentimento. Então canto, canto. E o meu canto é uma reverência ao universo, diriam os ateus talvez, mas eu canto para Deus, ainda que músicas profanas. Em minha pequena jornada de fé, descobri Deus em meu coração. Não tenho religião, mas cada sofrimento superado eu agradeço humildemente a Deus, esse Deus ainda tão frágil em minha alma, mas a quem me entregou profundamente. Em um poema anterior eu pedi a Deus que me desse a sua paz. Hoje estou em paz. E sinto que Deus me ouviu.

Entre os dedos vagueiam pensamentos e silêncios. O que a tecla registra se torna uma verdade. São dados, são fatos.
Continuar lendo

Entre os dedos vagueiam pensamentos e silêncios. O que a tecla registra se torna uma verdade. São dados, são fatos. Hoje a noite também está escura e densa, Mas o coração está em paz. Vida nossa que nos leva de um lado a outro. Escrevo e minha escrita me escreve. Não falarei de dor, esse sentimento Que rouba momentos de alegria, de criatividade. Estou em paz e a paz fala por si só. É um sentimento silencioso, Que transforma em calma tudo que a rodeia. É preciso apreciar momentos assim. Nunca se sabe o que o futuro reserva. Estou em paz e escrevo. Escrevo para registrar que a vida tem solução. A mesma vida que nos faz arder também Proporciona-nos momentos de completude, Em que tudo vale a pena. Poderia dizer em que tudo faz sentido. Mas sentido evoca pensamentos filosóficos Que extrapolam os meus objetivos. Vim registrar a paz como uma pomba branca Anunciando o fim de uma guerra. Por que meu barco me leva De um lugar ao outro assim sem explicação? Porque saio de uma dor insuportável E entro em um momento meditativo de serenidade? Difícil entender. Talvez o dia me levou a esse estado. Dia tranquilo, sem sobressalto. Presença de pessoas significativas. Nós como seres sociais, ansiamos Por trocas com nossos pares. Trocas profundas, acolhedoras. Feliz aquele que ama e é amado. Digo em um sentido mais ampla. Não apenas o amor carnal, Mas sobretudo o amor fraternal. Hoje eu estou em paz e escrever não doi. É leve, como leve me sinto. Sinto uma força que me impele a querer ajudar. Como dizer a alguém que desconheço: Vai ficar tudo bem. Você não está sozinho. Somos humanos compartilhando essa sociedade E todos os sentimentos afloram. Sinto vontade de pegar na mão do leitor e o levantar. Dizer: Olha, temos o mundo pela frente E cada passa a mais é um passo em frente. A dor que já senti um dia, Eu daria o mundo para que ninguém mais sentisse. Então escrevo que a vida é vida, mas a vida é boa. A vida é complexa. Dores e alegrias se misturam no espaço. E só por hoje eu gostaria de te transmitir a minha paz. Ver a calma tomando espaço em seu peito. Olhar para trás e pensar: sim, eu fui muito feliz. Dores existiram, mas eu fui feliz. E agora o presente se monstra Como uma oportunidade de continuar a caminhada, Até que quando velhinho ou velhinha, Você olhe para trás e sinta que muitas vezes doeu, Mas foi uma linda história. Hoje eu estou em paz E posso transmitir essa paz para o universo. Que assim seja.

Uma lembrança esquecida é como uma borboleta que já não é mais lagarta. Liberta do casulo, ela voa entre as flores e nesse instante é para sempre borboleta, pois o presente é inexorável e, se há sol, a chuva é esquecida, como girassóis que não se lembram da semente. A vida aconte…
Continuar lendo

Uma lembrança esquecida é como uma borboleta que já não é mais lagarta. Liberta do casulo, ela voa entre as flores e nesse instante é para sempre borboleta, pois o presente é inexorável e, se há sol, a chuva é esquecida, como girassóis que não se lembram da semente. A vida acontece no agora e o arco-íris não permanece no céu. Há em nossas mentes uma cidade que só existe quando ninguém pensa nela. Nessa cidade mora o passado esquecido e todas as pessoas que passaram como vertigem ignorada. Aquela velha preocupação já esquecida mostra que o tempo passa e não há bem ou mal que dure, como um rio que corre para o mar e ignora a margem transitória que o delimita. A cidade dos temores esquecidos e das alegrias peremptória. Restam dois olhos que observam, na agudeza da retina subjetiva, como o espaço que a câmera enquadra. O universo está de tão forma organizado que se um objeto decide abandonar sua função, um efeito cascata acontece. Digamos que o relógio já não marca as horas, todo o mundo entra em desordem, pois nem sempre há o sol para marcar o tempo universal. Se um tanque de guerra passasse a lançar flores, não haveria cheiro de morte, nem corações pretos de luto. O som pede desculpas com o silêncio. Antes de haver som havia o silêncio. O som é sempre uma quebra na ordem cósmica, um ruído que reverbera como uma flauta desafinada, que incomoda os ouvidos. Apenas a música como obra de arte vale mais que o silêncio, mas não é possível viver de aplausos. O silêncio é a resposta da natureza quando uma semente brota sem anúncio. Eu me encontro em mim mesma em vários momentos do dia. Sou aquela que escolheu a direita e a esquerda e estive no céu e no inferno. E o inferno era a própria terra tomada pela ganância e seus horrores. No céu não havia nuvens, havia paz. E a paz é o silêncio primordial que organiza o caos em melodia. Não há inferno que ofusque a grandeza do paraíso. E então minha alma repousa e adorme em meio à natureza harmônica.