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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

Voa Condor. Café no coador. Voa com amor.
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Voa Condor. Café no coador. Voa com amor. Voa sem dor Voa livre. Voa. E só.

Não sabe de amor Não sabe de amor, exceto se você já... Ficou acordado a noite toda esperando um filho voltar da festa...
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Não sabe de amor Não sabe de amor, exceto se você já... Ficou acordado a noite toda esperando um filho voltar da festa... Adiou ou desistiu de um projeto pessoal para dar atenção aos seus pais, tios ou irmãos... Sentiu a angústia intrínseca ao ouvir as histórias de um idoso, e ainda assim aprendeu com elas... Chorou com o abandono e a tristeza de uma criança que nem conhecia e deixou de almoçar para alimentá-la... Convenceu a família a deixar um cão de rua na sua casa por uns tempos... Tempo infinito. Foi a um show sem a menor vontade apenas para ser parceiro... Admitiu meio encabulado que se emocionou com o carinho de um amigo num dia em que estava de mal com o mundo... Duvidou de Deus, mas nunca deixou de acreditar Nele e temê-lo... Apanhou uma rosa de e acabou não entregando a quem pretendia... Escreveu e reescreveu mais de dez vezes um poema que nunca mostrou... Ouviu músicas românticas para provar e provocar lembranças... Sentiu saudade... Sentiu saudades... E sentiu mais saudades ainda de tudo o que viveu, pois viver é construir a própria história, orgulhar-se dela e relembrar sorrindo quando as recordações povoam a mente. Não sabe de amor... Exceto se destinou algum tempo para vivê-lo.

TCHÊ No meu Rio Grande tudo é tri legal, Alegria é vencer Grenal ,
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TCHÊ No meu Rio Grande tudo é tri legal, Alegria é vencer Grenal , Se perder deu pra ti. Bolo pra nós é torta Mexerica é bergamota, O frio, bah! É de renguear Cusco. Pão francês é cacetinho. Nos CTGs* tem patrões Barbaridade é mais do que uma expressão, Mate é recepção com carinho. Antes mesmo do batismo Decoramos nosso hino, Pois pra se chamar gaúcho Tem que respeitar as tradições Bem mais do que um estado, Ser gaúcho é ter coração acalorado. Chimarrão ao amanhecer é como doce melodia Churrasco de preferência ao meio dia E a noite... Entrevero com as gurias.

Talheres Não vou arrancar minha roupa para ser devorado pela ganância mercantilista e cinzenta da cidade. Nem tão pouco adormecerei bêbado em algum viaduto abandonado.
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Talheres Não vou arrancar minha roupa para ser devorado pela ganância mercantilista e cinzenta da cidade. Nem tão pouco adormecerei bêbado em algum viaduto abandonado. Também não vestirei peças novas engomadas e com etiquetas consagradas. Assumo meu “look” de camisetas detonadas. Espero à porta do banheiro. Não tenho pressa. Entro só com o creme dental. Não vou fazer a barba. Não me importo em ser deselegante. Se na fila tiver idosos saio dela para ser gentil, não precisam saber o motivo. É nisso que está Deus, não nas ostentações das imponentes Catedrais e nos vestidos de alto padrão que ali entram. "Bem-aventurados os humildes de coração, pois deles será o Reino dos Céus". A gratidão não se veste de vaidades. Alimento-me da mais pura simplicidade, não me ajusto com tantos talheres. Um sanduíche... Por favor!

Lobista - Olá doutor. Como vai? - E aí grande Zé das Moças?
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Lobista - Olá doutor. Como vai? - E aí grande Zé das Moças? - Onde tens andado Doutor? - Estou na capital. - É mesmo? Fazendo o quê? - Sou lobista. - Bah Doutor. Eu nem sabia deste teu lado destemido. - Imagina. Nada disso Zé. - Mas só tem bicho grande nisso aí doutor. - Isso é mesmo. Só tem feras. - E como faz para alimentar todos? Custa caro não é doutor? - Ah sim, não é barato. Mas sempre se dá um jeitinho. Tem muitas obras e outras oportunidades nestes pais. - Isso é mesmo... - Até mais Zé. - Uma boa tarde Doutor. Enquanto o finório se afasta Zé pensa: pelo jeito este negócio de lobos dá bem mesmo. Tá por cima da carne seca o doutor. Carrão importado. Beca impecável... Bela loba. - Bem cuidado aí doutor!

Saudades Com o passar do tempo acabamos nos afastando de vários amigos.
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Saudades Com o passar do tempo acabamos nos afastando de vários amigos. Saem suave como a leveza do vento e alguns nunca mais voltam. Com eles vai o futebol dos fins de semana, histórias de amores fantasiosos, na mesa de muitas falas e bebedeiras. Mais tarde as lembranças Provocam saudades enormes. Alguns nunca mais veremos; Outros, um alô e nada mais. Também há os que ficam por perto Fieis e leais, outros que mesmo longe estão pertos destes, permita Deus, não quero me afastar... Jamais.

Formigas A preciosidade é sempre interna Não depende de externos fatores
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Formigas A preciosidade é sempre interna Não depende de externos fatores Não é pela cor da pele que se definem-se os louvores. Na sombra dos escurecidos cílios pálpebras se abrem reticentes, o mundo se deslumbra em brilhos iluminando os olhares carentes. Na sombra das folhas verdes formigas marcham exuberantes despontam raízes na profundeza do mundo buscando a água da vida, que corre nas folhas divididas da vida que alimenta outra vida. Na sombra dos versos iludidos repousa o poeta que sonhou sente seu tempo perdido marcado pela vida que murchou.

Pressuposto O reflexo formava um rosto, era o teu, por pressuposto,
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Pressuposto O reflexo formava um rosto, era o teu, por pressuposto, e a chuva gota a gota clamava tua voz. No soprar do vento amargo a nuvem foi afastada e a luz se apagou. Sem reflexo e sem voz Pensei o que será de nós se a presença não existe sem a ilusão é ainda mais triste não há no mundo quem resiste se o sonho não dá palpite a vida é só um despiste.

Fosco O dia chega fosco Sem nenhum brilho.
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Fosco O dia chega fosco Sem nenhum brilho. Sinto-me meio torto Caminhando sem trilho. O sol sem seu dourado. Está tudo muito triste. Em vão procuro ancoradouro. Doideira procurar se não existe. Dou passos sem movimentos. O nada é meu alimento. Lembranças na mente revividas. Cadê minha rua preferida? Por que não vejo a linda avenida? Onde estará agora o amor da minha vida?

Maçã podre Planto na sombra dos corpos grudados O cálice amargo do licor condensado.
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Maçã podre Planto na sombra dos corpos grudados O cálice amargo do licor condensado. A magia transformada em vultos derramados Vozes se transformam em gemidos sussurrados. Quem sente mais forte não entende A fraqueza pragueja nos arredores. Estica-te na suavidade que me rende Prece vazia de filme de horrores. Aquele que feliz sorri na vida Que toca o pandeiro da alma contente Tem minha inveja assumida, Ah, não quero ver nem mostrar os dentes. Junto no chão a maçã mais podre. Escuto ao longe fortes gargalhadas. Sento a beira da margem salobra Sem força e sem rumo pra pegar a estrada.

Verdade invisível Sem ser prevista a invasão aconteceu Não foi possível reação.
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Verdade invisível Sem ser prevista a invasão aconteceu Não foi possível reação. Meu pensamento ligou-se ao teu Levando-me a comoção. Não fui notado em trajes majestosos Em meio à multidão, Com gestos receosos, Buscando-te na contramão. Invisível estive quando sentei A beira da fonte ouvindo suas águas E pensativo lacrimejei. Minha peregrinação nunca parou Sem ser visto sempre busquei Mas a verdade jamais se apresentou.

Não vem Chega, desisto de ficar esperando. Nunca mais voltarei aqui.
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Não vem Chega, desisto de ficar esperando. Nunca mais voltarei aqui. Neste tempo que ainda tenho, Deste lugar me abstenho. Aqui, um dia, Prometemos amor eterno, Faz tempo, eu sei, Mas isso aqui virou um inferno. A data eu não lembro. Acho que era primavera, De flores cheirosas. De lindos botões de rosa. Eu voltei. Você não veio. Quebrou a promessa ao meio. Não terei mais devaneios, Só eu voltei. Você não veio.

Lado de fora. Sentei-me do lado de fora de mim. Ao relento.
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Lado de fora. Sentei-me do lado de fora de mim. Ao relento. Ali, pensativo... Olhei-me. Olhei nos olhos da minha vida. Nos seus cabelos brancos. Como ela está envelhecida. Também refleti nela. Nada mais da criança que vi crescer. Nada mais do menino com sorriso encantador. Um restinho de sonho esquecido num cantinho. Por uma fresta pude ver morto, Um poema outrora tão lindo. Que dó! A antiga canção agora tinha uma nota só. Não vi garotas nas paredes internas. Não vi paisagens emolduradas. No vaso, flores sem vida. Um amarelado retrato partido. Poeira densa sobre os vidros. Pedaços de vida espalhados pelo chão. Sem cordas, na mesa descansa o violão. Mas algo ainda se movia, O amor alegremente respirava. Não morre o homem Enquanto viver a ilusão.

Furou-se a bola do destino. Calaram-se Luigi e Mário. Aterrissou-se a pandorga em desatino.
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Furou-se a bola do destino. Calaram-se Luigi e Mário. Aterrissou-se a pandorga em desatino. Ficaram no quarto os monstros temerários. O vidro ficou inteiro, A porta não mais se abriu, Dias tristes e sem travessuras Depois que o menino partiu. A grama dominou os caminhos. Enferrujou a gaiola, O vento soprou sozinho, Sobrou uma mesa na escola. O sabão não fez mais bolhas, A tristeza fez a vida em pedaços. Do coração caíram todas as folhas. Faltam na alma os infantis beijos e abraços.

Corações Dos corações que eu tinha Quase todos foram embora.
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Corações Dos corações que eu tinha Quase todos foram embora. Restou-me apenas este Que bate no peito agora. O do amor partiu primeiro. Depois foi o aventureiro. O sonhador foi em terceiro. Por último o bagunceiro. O que ficou é técnico. Não conhece emoções Reto e muito ético. Apenas cumpre suas obrigações. Tenho saudades dos que foram. Eles que me davam alegria. Todos valiam ouro. Sinto falta das folias.

Quando eu vivi Quando eu vivi, Nunca fui notado.
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Quando eu vivi Quando eu vivi, Nunca fui notado. Nunca estive no centro. Sempre fui deixado de lado. Pra sobreviver aprendi. Perdoei para ser perdoado. Externei tudo o que senti. Amei para ser amado. Erros e acertos equilibrados. Sucessos e fracassos suplantados. Matéria só tem valor Antes de ser sepultado.

Sem legados Quando eu partir, Serei pouco lembrado.
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Sem legados Quando eu partir, Serei pouco lembrado. Se alguém perceber minha ida Lembrará já conformado. Não deixo nenhum legado, Nem saudades arquivadas. Deixo apenas um poema inacabado E lembranças do passado. Depois que a dor ao passar entrou, Nunca. Nunca mais me alegrei. Se a vela Deus assoprou. É que ausente eternamente estarei.