Nós, os humoristas, temos bastante importância para ser presos e nenhuma importância para ser soltos.
Frases de Millôr Fernandes
322 frases
Chama-se celebridade um débil mental que foi à televisão.
O mal do mundo é que Deus envelheceu e o Diabo evoluiu.
A liberdade é um cachorro vira-lata.
A pobreza não é, necessariamente, vergonhosa. Há muito pobre sem vergonha.
Todo mundo ouve o que você fala. Ninguém sabe o que você ouve.
Quando um técnico vai tratar com imbecis, deve levar um imbecil como técnico.
pássaro pousado no espantalho aposentado
Passado: É o futuro, usado.
Toda paixão desvairada esconde uma manchete policial.
O preço da fidelidade é a eterna vigilância.
Não há problema tão grande que não caiba no dia seguinte.
Um homem que come carne por instinto é tão vegetariano quanto um homem que come vegetais por princípio. Afinal de contas a carne é transubstanciação do capim que o animal comeu.
Em ciência leia sempre os livros mais novos. Em literatura, os mais velhos.
Você pode desconfiar de uma admiração, mas não de um ódio. O ódio é sempre sincero.
Amor o próximo é folgado, o difícil é se dar com o homem do lado.
Religião: Resumo de todas As descrenças.
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Religião: Resumo de todas As descrenças. Desprezo por quem acha Que existe o que não há.
Essa pressa leviana Demonstra o incompetente: Por que fazer o Mundo em sete dias
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Essa pressa leviana Demonstra o incompetente: Por que fazer o Mundo em sete dias Se tinha a Eternidade pela frente?
Um Quociente apaixonou-se Um dia Doidamente
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Um Quociente apaixonou-se Um dia Doidamente Por uma Incógnita.
É muito fácil viver com pouco desde que a pessoa não gaste muito para ocultar que tem pouco.
Toda uma biblioteca de Direito apenas para melhorar quase nada os dez mandamentos.
O coração tem imbecilidades que a estupidez desconhece.
Música, divina música! Tanto duvidaram dele, da teoria daquele jovem gênio musical, que ele resolveu provar pra si mesmo, empiricamente, a teoria de que não existem animais selvagens. Que os animais são tão ou mais sensíveis do que os seres humanos. E que são sensíveis sobretudo…
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Música, divina música! Tanto duvidaram dele, da teoria daquele jovem gênio musical, que ele resolveu provar pra si mesmo, empiricamente, a teoria de que não existem animais selvagens. Que os animais são tão ou mais sensíveis do que os seres humanos. E que são sensíveis sobretudo ao envolvimento da música, quando esta é competentemente interpretada. Por isso, uma noite, esgueirou-se sozinho pra dentro do Jardim Zoológico da cidade e, silenciosamente, se aproximou da jaula dos orangotangos. Começou a tocar baixinho, bem suave, a sua magnífica flauta doce, ao mesmo tempo em que abria a porta da jaula. Os macacões quase que não pestanejaram. Se moveram devagarinho, fascinados, apenas pra se aproximar mais do músico e do som. O músico continuou as volutas de sua fantasia musical enquanto abria a jaula dos leões. Os leões, também hipnotizados, foram saindo, pé ante pé, com o respeito que só têm os grandes aficionados da música. E assim a flauta continuou soando no meio da noite, mágica e sedutora, enquanto o gênio ia abrindo jaula após jaula e os animais o acompanhavam, definitivamente seduzidos, como ele previra. Uma lua enorme, de prata e ouro, iluminava os jacarés, elefantes, cobras, onças, tudo quanto é animal de Deus ali reunido, envolvidos na sinfonia improvisada no meio das árvores. Até que o músico, sempre tocando, abriu a última jaula do último animal - um tigre. Que, mal viu a porta aberta, saltou sobre ele, engolindo músico e música - e flauta doce de quebra. Os bichos todos deram um oh! de consternação. A onça, chocada, exprimiu o espanto e a revolta de todos: - Mas, tigre, era um músico estupendo, uma música sublime! Por que você fez isso? E o tigre, colocando as patas em concha nas orelhas, perguntou: - Ahn? O quê, o quê? Fala mais alto, pô! MORAL: OS ANIMAIS TAMBÉM TÊM DEFICIÊNCIAS HUMANAS.
Assim, desajeitados, Carinho ocasional Sem projeto final
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Assim, desajeitados, Carinho ocasional Sem projeto final Nem sonhos à distância Sem sombra ao sol, Também sem ânsia, Soneto (a meu modo e maneira) Apenas companheiros de estrada Ruas, valas, alguns quintais, Dias, noites, noites e dias, Sol e chuva ocasionais Vamos. Onde as paralelas se encontram, Lá, Nos separamos.