A realidade como a vemos é formada a partir de nossas crenças, pelo modo como apreendemos o mundo. E essa apreensão se dá involuntariamente por meio dos exemplos que nos foram mostrados, e que aos poucos foram sendo absorvidos. Ou voluntariamente pelos modelos que optamos acompanhar ou seguir. Eles fixaram um modo de ser, pensar e agir, independentemente do juízo de valor que se possa lançar sobre eles. Se foram bons, ruins ou irrelevantes.
Então, um mesmo evento pode afetar muito, pouco ou nada a cada um. Onde um um vê um precipício, outro vê uma rampa para saltar de paraquedas.
Era isso o que eu tinha para dizer hoje.
Mais amor e menos teatro, please!
Trocar fotinha no Facebook não é prova de amor. Lavar uma louça é. Levar para tomar um café, dar um presente bacana feito por você mesmo, ligar para dizer: Mãe, te amo!
Gestos gentis fazem toda diferença. Não se trata de dinheiro. Se trata do tempo que você dedica a sua mãe. Não precisa ser muito, mas deve ser de qualidade.
Quando ela estiver falando, ouça.
Quando ela estiver em silêncio, ouça.
Um dia a gente só poderá sentir saudades do que poderia ter sido.
No meio da noite não tenho para onde ir.
A cama não é consolo
A mesa não alimenta
O livro não aquece
No meio da noite as estrelas ficam pesadas
E as pálpebras leves.
No meio da noite o sol aparece
E traz consigo toda a urgência de acordar os sonhos
Levanto. Busco a embriaguez de um café.
Não se explique. Não tente fazer com que as pessoas entendam o porquê de fazer isso ou aquilo. O porquê de você conduzir a sua vida exatamente da maneira que conduz. Não gaste seu precioso tempo dando motivos ou explicações. É inútil como ensacar vento.
Nada do que você diga irá diminuir a sede de curiosidade acerca de sua vida e de seus projetos. Nem justificar essa ou aquela atitude que você tomou. Então, pra que?
Não perca seu tempo. Não dê margem para que suas palavras se voltem contra você. Seja quem é. Faça o que gosta. Execute suas ações da maneira que melhor lhe aprouver. Não espere benevolência, aprovação, empatia, solidariedade ou reconhecimento de ninguém. Apenas seja. Apenas faça. Apenas viva. O mundo seria melhor se as pessoas começassem a entender que cada ser carrega dentro de si um mundo de possibilidades, e que precisa descobrir isso sozinha.
Era o que eu tinha para dizer hoje.
Vamos cuidar das nossas vidas e deixar cada um fazer o melhor que puder com a dele. Minha receita de felicidade não veste você. A sua roupagem de sucesso não cabe em mim.
Vamos prosseguir com respeito e serenidade.
O espaço da existência do outro pertence a ele.
Não interfira, não opine, não julgue.
Cada um faz um tremendo esforço para sair da cama e ganhar o pão. Para chegar ao fim do dia e sentir orgulho.
Não é fácil. Não é banal. Não é em vão.
Respeite o que não puder entender ou aceitar.
Ninguém precisa da nossa aprovação.
Eu penso que o segredo da felicidade está nas coisas simples:
Rir, fazer rir, ser útil, fazer ser útil, conversar, ouvir as pessoas, dizer "não sei" só para dar ao outro a chance de explicar algo, afagar um cão de rua, sorrir para pessoas estranhas, perdoar rapidamente, encontrar beleza no banho de pardais nas poças de água da chuva...Gostar de quem se é, do que se tornou, e planejar ser melhor...Mas não melhor no sentido de ter mais ou ser mais importante, ser melhor no sentido de amar sem condicionantes impossíveis. O segredo de ser feliz é não esperar nada e ser grato o tempo todo. E isto deverá bastar...
Ah, se as coisas fossem assim tão simples quanto as frases feitas...Quando alguém nos aconselha trocar de livro...ou virar a página...mas não é e nós sabemos que não. Se amar e desamar fossem como um trocar de roupas...A gente se olhava no espelho e não aprovando o que visse trocasse imediatamente... Mas não é, nunca foi e nem será. Quando você investe muito de si com alguém, raramente faz isso sem esperar um futuro. Porque só adolescentes acreditam que no próximo baile vai aparecer alguém melhor. Na medida em que envelhecemos e, se dermos sorte, amadurecemos, não desperdiçamos nem nossos diálogos com qualquer um, quem dirá nossas vidas.
As poesias, as histórias de amor, os finais felizes das novelas, a vida ainda não aprendeu a copiar. Por isso, faça mais por si mesmo e menos pelas pessoas.
Amar não significa estar sempre em segundo plano.
Meire Moreira
Você me diz
Faça assim, não assado
Diga isso, não aquilo
Veja dessa maneira, não daquela
Ande por aqui, não por ali
Vá agora, agora fique
Fale um pouco, se cale
Quero você, você me faz mal
Enquanto brinca de se esconder
Se esconde de viver
Parece que ama e desama
Está e nunca está
Dentro de você, mil monstros
Fora de você, outros mil
Parece gostar de ser cruel
Sendo bom
Que instrumento desafinado é você?
Eu detesto esse discurso que é preciso ser o melhor em tudo o que se faz. Porque? Para quê? Para quem?
Porque não podemos simplesmente desfrutar da vida e das coisas como aprendizados e oportunidades para fazermos parte da história de alguém de maneira simples e despretensiosa? ... Quando vejo alguém dedicando -se a a alguma coisa que gosta e imediatamente outra pessoa canaliza aquilo para ganhar dinheiro ou tornar-se uma carreira. As pessoas se esquecem de desfrutar do que são.
Você se pergunta se está no caminho certo. Mas como alguém pode te dizer se nem ela mesma sabe se está no caminho certo?
E depois, o que é o caminho certo? O que, ou quem pode apontar o Norte, servir de bússola nesses tempos -no mínimo- inglórios?
Quem pode dizer o que é o certo e o errado para a sua, para a minha vida?
Porque deveríamos credenciar alguém para tão ingrata missão?
Porque por mais que alguém seja justo, bom, digno e honesto aos nossos olhos, não significa que terá as respostas que buscamos.
Nem que a receita que deu certo para uma pessoa vai ser igual para um de nós.
Então, qual o caminho a seguir?
Como viver a nossa vida em segurança ou pelo menos, com tranquilidade?
A resposta mais correta é confiar nos seus instintos. Esquece esse papo de agir com a razão. Ou ouvir o coração.
A razão tem feito tudo isso que vemos a nossa volta: O caos.
E o coração! Ah, esse retardado que anda batendo por qualquer porcaria que se mova. Que não sabe diferenciar um elogio de um ardil...
Alguma pessoa muito perdida recomendou isso um dia.
Ouça o que diz o seu instinto. Ele é aquele resquício digno da nossa ancestralidade. Que é isso o que somos. E o nosso maior erro foi anular essa ferramenta negando o que somos: bichos, feras.
Umas adestradas. Outras nem tanto.
Mas bichos.
O nosso instinto nos guiará para um lugar seguro. Ou seja, para bem longe de nós mesmos.
Meire Moreira