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Frases de Mario Quintana

694 frases

Uma curva de caminho, anônima, torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!
Ah, sim, a velha poesia... Poesia, a minha velha amiga... eu entrego-lhe tudo
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Ah, sim, a velha poesia... Poesia, a minha velha amiga... eu entrego-lhe tudo a que os outros não dão importância nenhuma... a saber: o silêncio dos velhos corredores uma esquina uma lua (porque há muitas, muitas luas...) o primeiro olhar daquela primeira namorada que ainda ilumina, ó alma, como uma tênue luz de lamparina, a tua câmara de horrores. E os grilos? Não estão ouvindo lá fora, os grilos? Sim, os grilos... Os grilos são os poetas mortos. Entrego-lhes grilos aos milhões um lápis verde um retrato amarelecido um velho ovo de costura os teus pecados as reivindicações as explicações - menos o dar de ombros e os risos contidos mas todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte as explosões de cólera o ranger de dentes as alegrias agudas até o grito a dança dos ossos... Pois bem, às vezes de tudo quanto lhe entrego, a Poesia faz uma coisa que parece que nada tem a ver com os ingredientes mas que tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse gosto de nunca e de sempre.

Quando eu morrer e no frescor de lua Da casa nova me quedar a sós, Deixa-me em paz na minha quieta rua...
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Quando eu morrer e no frescor de lua Da casa nova me quedar a sós, Deixa-me em paz na minha quieta rua... Nada mais quero com nenhum de vós! Quero é ficar com algumas poemas tortos Que andei tentando endireitar em vão... Que lindo a Eternidade, amigos mortos, Para as torturas lentas da Expressão!... Eu levarei comigo as madrugadas, Pôr de sóis, algum luar, asas em bando, Mais o rir das primeiras namoradas... E um dia a morte há de fitar com espanto Os fios de vida que eu urdi, cantando, Na orla negra do seu negro manto...

O Tempo e o Vento Havia uma escada que parava de repente no ar Havia uma porta que dava para não se sabia o quê
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O Tempo e o Vento Havia uma escada que parava de repente no ar Havia uma porta que dava para não se sabia o quê Havia um relógio onde a morte tricotava o tempo Mas havia um arroio correndo entre os dedos buliçosos dos pés E pássaros pousados na pauta dos fios do telégrafo E o vento! O vento que vinha desde o princípio do mundo Estava brincando com teus cabelos...

Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto,
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Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida. Lembra que o que importa é tudo que semeares colherás. Por isso, marca a tua passagem, deixa algo de ti, do teu minuto, da tua hora, do teu dia, da tua vida.

Jardim interior Todos os jardins deviam ser fechados, com altos muros de um cinza muito pálido,
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Jardim interior Todos os jardins deviam ser fechados, com altos muros de um cinza muito pálido, onde uma fonte pudesse cantar sozinha entre o vermelho dos cravos. O que mata um jardim não é mesmo alguma ausência nem o abandono... O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por eles passa indiferente.

Ah! Os relógios Amigos, não consultem os relógios quando um dia em for de vossas vidas
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Ah! Os relógios Amigos, não consultem os relógios quando um dia em for de vossas vidas em seus fúteis problemas tão perdidas que até parecem mais um necrológios... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira. Inteira, sim, porque essa vida eterna somente por si mesma é dividida: não cabe, a cada qual, uma porção. E os Anjos entreolham-se espantados quando alguém - ao voltar a si da vida - acaso lhes indaga que horas são...