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Frases de Mário de Andrade

47 frases

Popular é o ruim gostoso.
Será que a liberdade é uma bobagem?... Será que o direito é uma bobagem?... A vida humana é alguma coisa a mais que ciências, artes e profissões.
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Será que a liberdade é uma bobagem?... Será que o direito é uma bobagem?... A vida humana é alguma coisa a mais que ciências, artes e profissões. E é nessa vida que a liberdade tem um sentido,e o direito dos homens. A liberdade não é um prêmio, é uma sanção. Que há de vir .

O Poeta Come Amendoim Mastigado na gostosura quente de amendoim... Falado numa língua curumim
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O Poeta Come Amendoim Mastigado na gostosura quente de amendoim... Falado numa língua curumim De palavras incertas num remeleixo melado melancólico... Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons... Molham meus beiços que dão beijos alastrados E depois remurmuram sem malícia as rezas bem nascidas... Brasil amado não porque seja minha pátria, Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der... Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso, O gosto dos meus descansos, O balanço das minhas cantigas amores e danças. Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada, Porque é o meu sentimento pachorrento, Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.

Por esse mundo de águas, junho, 27 Manu, Estamos numa paradinha pra cortar canarana da margem pros bois de nossos jantares. Amanhã se chega em Manaus e não sei que mais coisas bonitas enxergarei por este mundo de águas. Porém me conquistar mesmo a ponto de ficar doendo no desej…
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Por esse mundo de águas, junho, 27 Manu, Estamos numa paradinha pra cortar canarana da margem pros bois de nossos jantares. Amanhã se chega em Manaus e não sei que mais coisas bonitas enxergarei por este mundo de águas. Porém me conquistar mesmo a ponto de ficar doendo no desejo, só Belém me conquistou assim. Meu único ideal de agora em diante é passar uns meses morando no Grande Hotel de Belém. O direito de sentar naquela terrace em frente das mangueiras tapando o teatro da Paz, sentar sem mais nada, chupitando um sorvete de cupuaçu, de açaí. Você que conhece mundo, conhece coisa milhor do que isso, Manu (...) Belém eu desejo com dor, desejo como se deseja sexualmente, palavra. Não tenho medo de parecer anormal pra você, por isso que conto esta confissão esquisita mas verdadeira que faço de vida sexual e vida em Belém. Quero Belém como se quer um amor. É inconcebível o amor que Belém despertou em mim... Um abraço do Mário.

Quarenta Anos A vida é para mim, está se vendo, Uma felicidade sem repouso;
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Quarenta Anos A vida é para mim, está se vendo, Uma felicidade sem repouso; Eu nem sei mais se gozo, pois que o gozo Só pode ser medido em se sofrendo. Bem sei que tudo é engano, mas sabendo Disso, persisto em me enganar... Eu ouso Dizer que a vida foi o bem precioso Que eu adorei. Foi meu pecado... Horrendo Seria, agora que a velhice avança, Que me sinto completo e além da sorte, Me agarrar a esta vida fementida. Vou fazer do meu fim minha esperança, Oh sono, vem!... Que eu quero amar a morte Com o mesmo engano com que amei a vida.

Dedicatória Cruz Que este livro galante,
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Dedicatória Cruz Que este livro galante, ante Teus olhos, lembre um dia, Quem to oferece nesta Festa De anos e de alegria. Pequeno ele é e modesto. Mesto Quase sempre e tristonho; Não roubará, no entanto, Quanto Tens de ilusão e sonho. Aquela, que hás de agora, Hora Tirar (sem percebê-lo), Das que em teus anos verdes Perdes; Não perderás ao lê-lo. Lê com vagar. Repara Para A beleza do verso; Vê como o vate ardente Sente O mundo tão diverso!... Mas, que não te entristeças; Nessas Linhas, não há verdade. Vive sempre a florida Vida Entre a felicidade.

De uma cantante alegria onde riem-se as alvas uiaras Te olho como se deve olhar, contemplação, E a lâmina que a luz tauxia de indolências
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De uma cantante alegria onde riem-se as alvas uiaras Te olho como se deve olhar, contemplação, E a lâmina que a luz tauxia de indolências É toda um esplendor de ti, riso escolhido no céu. Assim. Que jamais um pudor te humanize. É feliz Deixar que o meu olhar te conceda o que é teu, Carne que é flor de girassol! sombra de anil! Eu encontro em mim mesmo uma espécie de abril Em que se espalha o teu sinal, suave, perpetuamente.

Soneto Tanta lágrima hei já, senhora minha, Derramado dos olhos sofredores,
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Soneto Tanta lágrima hei já, senhora minha, Derramado dos olhos sofredores, Que se foram com elas meus ardores E ânsia de amar que de teus dons me vinha. Todo o pranto chorei. Todo o que eu tinha, caiu-me ao peito cheio de esplendores, E em vez de aí formar terras melhores, Tornou minha alma sáfara e maninha. E foi tal o chorar por mim vertido, E tais as dores, tantas as tristezas Que me arrancou do peito vossa graça, Que de muito perder, tudo hei perdido! Não vejo mais surpresas nas surpresas E nem chorar sei mais, por mor desgraça!

Epitalâmio O alto fulgor desta paixão insana Há-de cegar nossos corações
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Epitalâmio O alto fulgor desta paixão insana Há-de cegar nossos corações E deserdados da esperança humana Palmilharemos por escuridões... Não mais te orgulharás da soberana Beleza! e eu, minhas cálidas canções Não mais dedilharei com mão ufana Na harpa de luz das minhas ilusões!... Pela realização que ora se ultima Vai apagar-se em breve o alto fulgor Que te inflama e ilumina o meu desejo... Como no último verso a última rima, Eu deporei, sem gozo e sem calor, Meu derradeiro beijo no teu beijo!

Tentação Eu fechei os meus lábios para a vida E a ninguém beijo mais, meus lábios são,
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Tentação Eu fechei os meus lábios para a vida E a ninguém beijo mais, meus lábios são, Cmo astros frios que, com a luz perdida, Rolam de caos em caos na escuridão. Não que a alma tenha já desiludida Ou me faleçam os desejos, não! O que outrem prejulgava uma descida, É subir para mim, elevação! Vejo o calvário por que anseio, vejo O Madeiro sublime, "Glórias" ouço, E subo! A terra geme... eu paro. (É um beijo.) A moita bole... Eu tremo. (É um corpo.) Oh Cruz, Como estás longe ainda! E eu sou tão moço! E em derredor de mim tudo seduz!...

Eterna Presença Este feliz desejo de abraçar-te, Pois que tão longe tu de mim estás,
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Eterna Presença Este feliz desejo de abraçar-te, Pois que tão longe tu de mim estás, Faz com que te imagine em toda a parte Visão, trazendo-me ventura e paz. Vejo-te em sonho, sonho de beijar-te; Vejo-te sombra, vou correndo atrás; Vejo-te nua, oh branco lírio de arte, Corando-me a existência de rapaz... E com ver-te e sonhar-te, esta lembrança Geratriz, esta mágica saudade, Dá-me a ilusão de que chegaste enfim; Sinto alegrias de quem pede e alcança E a enganadora força de, em verdade, Ter-te, longe de mim, juntinho a mim.

Écloga (imitado de Alberto de Oliveira) Tirsis, enquanto Melibeu procura Esgarrado caprídeo, sonolento
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Écloga (imitado de Alberto de Oliveira) Tirsis, enquanto Melibeu procura Esgarrado caprídeo, sonolento Deita-se à sombra de pinhal e o vento Escuta, olhando os cirros pela altura. Chega porém das vargens Nise pura, Que o tem preso a seus pés, e ele, sedento De amor, mais o de sonhos lesto armento Guarda, que esse, de capros, na planura. Passa-lhe a ninfa ao lado. Ele então muda O olhar para essa frol de primavera, E diz, vendo-lhe os lábios e o regaço: - Ai se eu pudesse, em vez da à frauta ruda, Minha boca na tua, não tivera Então escuro o engenho, e o corpo lasso.

A SERRA DO ROLA-MOÇA A Serra do Rola-Moça Não tinha esse nome não...
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A SERRA DO ROLA-MOÇA A Serra do Rola-Moça Não tinha esse nome não... Eles eram do outro lado, Vieram na vila casar. E atravessaram a serra, O noivo com a noiva dele Cada qual no seu cavalo. Antes que chegasse a noite Se lembraram de voltar. Disseram adeus pra todos E se puserem de novo Pelos atalhos da serra Cada qual no seu cavalo. Os dois estavam felizes, Na altura tudo era paz. Pelos caminhos estreitos Ele na frente, ela atrás. E riam. Como eles riam! Riam até sem razão. A Serra do Rola-Moça Não tinha esse nome não. As tribos rubras da tarde Rapidamente fugiam E apressadas se escondiam Lá embaixo nos socavões, Temendo a noite que vinha. Porém os dois continuavam Cada qual no seu cavalo, E riam. Como eles riam! E os risos também casavam Com as risadas dos cascalhos, Que pulando levianinhos Da vereda se soltavam, Buscando o despenhadeiro. Ali, Fortuna inviolável! O casco pisara em falso. Dão noiva e cavalo um salto Precipitados no abismo. Nem o baque se escutou. Faz um silêncio de morte, Na altura tudo era paz ... Chicoteado o seu cavalo, No vão do despenhadeiro O noivo se despenhou. E a Serra do Rola-Moça Rola-Moça se chamou