Ouvi dizer que o tempo corre
E, com os pés amarrados,
tudo que seria nascido, no tempo, morre
tudo que fosse perdido, no tempo, era achado.
Porque as horas são tão belas vírgulas
Partículas infinitas de instantes entrelaçados
Porque o tempo, ora, não deixa saídas
Mas há entradas por todos os lados.
E a espera continua parada lá fora,
Com os olhos voltados para o amanhã que vem
A vida brinca entre o presente que se deita,
Entre o tempo que não respeita ninguém.
Você nasce, floresce, evapora. Menina, flor, chuva. E você cresce, desabrocha, armazena-se em camadas. Menina, flor, chuva. Enfim, você morre, murcha e chove, menina, você sempre chove. Eu sentia isso, aos poucos, mas sentia. E não havia estágio intermediário, era algo bem mais complexo pensar em ciclos, pois era impossível prever aonde eles terminariam e qual seria a última gota de toda essa chuva. Vai dizer que isso também não o assusta?
Todo perder é um encontrar lentamente.
E em cada curva, as esquinas escondem
as ruas que já foram viradas.
Os nossos passos decretam o nosso caminho,
Ainda que sozinho
por essas calçadas.